/
/
Consumo de fim de ano avança, mas inadimplência e renda baixa são entraves

Consumo de fim de ano avança, mas inadimplência e renda baixa são entraves

O estudo da ESPM foi realizado com 400 participantes e revela que, apesar da instabilidade, o espírito natalino ainda se mantém forte.
O estudo da ESPM foi realizado com 400 participantes e revela que, apesar da instabilidade, o espírito natalino ainda se mantém forte.
Foto: Shutterstock.
86% dos brasileiros pretendem comprar no fim do ano, impulsionados por motivações emocionais e tradicionais, enquanto a IA ganha força como ferramenta de descoberta e recomendação de produtos. Entre os que não vão consumir, falta de dinheiro e insegurança econômica são os principais obstáculos. Mesmo com cautela financeira, o período segue aquecido, com destaque para a Black Friday, presentes afetivos e decisões guiadas por preço, conveniência e planejamento.

Em um momento em que o consumidor brasileiro enfrenta sérios desafios financeiros, uma notícia positiva desponta para o varejo. 86% das pessoas afirmam que pretendem realizar compras neste final de ano. O dado é de uma pesquisa inédita conduzida pelo Centro de Estudos Aplicados de Marketing (CEAM) da ESPM, obtida com exclusividade pela Consumidor Moderno.

O levantamento Perspectivas de Consumo de Final de Ano, realizado com 400 participantes de todas as regiões do País, revela um cenário aquecido. Mas não só: ele está “emocionalmente guiado” para o período de Natal e Réveillon.

O estudo analisou motivações, categorias de interesse, influência de tecnologia, planejamento financeiro e intenção de viagens, oferecendo um retrato atual do comportamento do consumidor. Esse, por sua vez, mantém hábitos tradicionais, mas incorpora novas ferramentas.

Nesse contexto, a busca por informações e inspiração de presentes ganhou novos canais. E, nesse ponto, a Inteligência Artificial (IA) surge como protagonista. Segundo o estudo, um em cada quatro brasileiros já utiliza ferramentas de IA para comparar opções, pedir recomendações personalizadas ou encontrar ideias.

Consumo na era da IA

Eduardo Mesquisa, coordenador da pesquisa.

Influenciadores digitais, reviews e mídias tradicionais seguem relevantes. Entretanto, a IA amplia o alcance das fontes de consulta e altera a lógica da descoberta de produtos. De acordo com Eduardo Mesquita, coordenador da pesquisa, a IA não apenas se tornou um novo buscador. Em muitos casos, ela substitui reviews e até mesmo recomendações de amigos e especialistas.

Isso ocorre porque a IA é capaz de analisar uma vasta gama de dados em tempo real, oferecendo recomendações personalizadas com base nas preferências e comportamentos do usuário. Essa habilidade permite que as marcas se conectem de maneira mais eficaz com seus públicos-alvo, gerando insights sobre quais produtos ou serviços podem ser mais atraentes. “E, ao mesmo tempo, exige que as empresas revisitem suas estratégias de conteúdo e influência, especialmente diante de consumidores que confiam em sistemas inteligentes para orientar suas decisões.”

Falta de dinheiro: fator para não comprar

Entre os 14% dos consumidores que afirmam que não vão realizar compras neste final de ano, o dado mais expressivo é também o mais revelador: 48,2% apontam falta de dinheiro como principal motivo. O número evidencia como a restrição financeira permanece como o maior limitador da participação plena do consumidor no ciclo de consumo natalino – ainda que a maioria da população mantenha o hábito de comprar, mesmo reorganizando prioridades.

O segundo fator mais citado, com 30,4%, é o desemprego ou a incerteza econômica, indicando que a percepção de instabilidade continua influenciando fortemente o comportamento de parte da população. Mesmo entre aqueles que desejam comprar, a insegurança sobre renda futura pode levar à postergação ou ao abandono de determinadas categorias.

21,4% mencionam “outros motivos”. A categoria costuma incluir desde desinteresse em compras sazonais até mudanças de estilo de vida ou decisões conscientes de redução de consumo.

O dado reforça um ponto central do estudo: embora o final de ano seja marcado por rituais afetivos que impulsionam o consumo, há uma parcela da população que permanece à margem desse movimento por limitações econômicas reais. A presença desse contingente – ainda que minoritário – é fundamental para entender a dualidade do comportamento de consumo brasileiro: ao mesmo tempo em que existe desejo, tradição e intenção de compra, há restrições materiais que freiam parte significativa das famílias.

Afeto é o principal motor do consumo

O impulso emocional continua sendo decisivo no comportamento de compra do brasileiro. Presentear alguém querido é a motivação dominante para 73% dos entrevistados, sobretudo mães, filhos e parceiros.

Presentear é um gesto emocional, ritualístico. Mesmo quando existem restrições financeiras, o brasileiro reorganiza prioridades para manter esse momento dentro do núcleo familiar”, explica Eduardo Mesquita. O resultado reflete o caráter simbólico do final de ano, quando o consumo transcende a função material e assume papel de conexão afetiva.

“Se o principal impulso para consumir é presentear familiares, esse dado ajuda a compreender por que o período permanece tão resiliente mesmo em cenários econômicos instáveis. Trata-se de um consumo carregado de significado simbólico, mais relacionado ao afeto do que à racionalidade financeira“, enaltece o professor.

Outro achado diz respeito à Black Friday, que se consolidou como o principal gatilho de consumo do País. E o estudo confirma essa tendência: 77% afirmaram que pretendiam antecipar suas compras de fim de ano durante o evento. Ademais, 55,8% afirmam que costumam comprar semanas antes do Natal, enquanto cerca de um terço ainda deixa para os últimos dias. O comportamento reforça a importância estratégica de novembro para o varejo – tanto no online quanto no físico.

Outros comportamentos reforçam essa lógica emocional. 39,5% compram para amigos, enquanto 59% pretendem adquirir itens para casa, gesto que Mesquita associa ao preparo do ambiente doméstico para receber pessoas e celebrar o período festivo. Já motivações ligadas à pressão social – como amigo secreto ou compras por obrigação – aparecem em proporções menores. “Isso mostra que o consumidor prioriza relações próximas e experiências afetivas”, pontua o pesquisador.

Organização financeira

O levantamento mostra que uma parcela expressiva dos consumidores vê o final do ano como momento de organização financeira. Quase 30% planejam investir o dinheiro extra, como o 13º salário, em vez de consumir.

Esse movimento afeta especialmente categorias tradicionalmente fortes em dezembro, uma vez que parte do orçamento migra para prioridades de longo prazo.

Para 2025, a regra é estabilidade. A maior parte dos consumidores afirma que deve gastar o mesmo que no último ano, enquanto 20% planejam gastar mais e 16% desejam reduzir os gastos.

Os valores médios previstos são:

  • R$ 250 ou mais para compras pessoais;
  • R$ 250 ou mais para presentear terceiros.

13º salário e consumo

Sobre o 13º salário, o slide abaixo revela um cenário de forte contenção. Quase metade dos consumidores não usará o 13º salário para compras, seja porque não receberá o benefício (29%) ou porque pretende segurar gastos (19,3%). Entre os que usarão, a maioria destinará apenas uma pequena parte para presentes, enquanto 11,8% priorizarão o pagamento de dívidas – evidenciando a pressão financeira que convive com a intenção de consumo para o fim do ano.

Os percentuais de quem pretende poupar, investir ou emprestar a terceiros são baixos, reforçando que o comportamento predominante é de cautela e reorganização financeira, e não de expansão dos gastos.

Qualidade versus preço

Quando a compra é para si, qualidade é o principal critério (27,5%).

para presentes, o preço assume a liderança (31%), indicando maior racionalidade quando a compra é para terceiros. Conveniência, promoções e facilidade de troca também ganham importância nesse contexto, reforçando que o consumidor busca equilíbrio entre custo, praticidade e percepção de valor.

Quando observados os atributos gerais que orientam a escolha do produto, três elementos se destacam com força: durabilidade (53%), frete grátis (52%) e parcelamento (47,8%). Em seguida, surgem opções de entrega e experiências pré-compra, como experimentar o produto, mostrando que confiança e conveniência são essenciais. Sustentabilidade aparece com destaque moderado (32%), enquanto fatores ligados à moda ou influência social têm impacto menor, revelando um consumidor mais pragmático e orientado por benefícios concretos.

Perfil demográfico da pesquisa

O perfil demográfico da pesquisa revela um painel equilibrado e representativo dos consumidores brasileiros. O levantamento ouviu 400 participantes, distribuídos igualmente entre homens e mulheres (50%/50%), garantindo paridade de gênero. Em relação à idade, há forte concentração nas faixas economicamente ativas: 27% têm entre 35 e 44 anos e 25,8% entre 25 e 34, enquanto públicos mais jovens (18 a 24 anos) e mais maduros (55+) aparecem com 12,3% e 14,2%, respectivamente – um recorte que favorece a leitura de comportamentos de compra de maior impacto no varejo.

A renda dos entrevistados também reflete a estrutura socioeconômica do País, com predominância das classes D/E (25%), C2 (24,8%) e C1 (23,7%), indicando que o estudo dialoga majoritariamente com consumidores sensíveis a preço e condições de pagamento. Já em termos regionais, o destaque é o Sudeste, que concentra 53,8% da amostra, seguido por Sul (19,5%), Nordeste (17,2%), Norte (5,5%) e Centro-Oeste (4%), reforçando a representatividade geográfica do levantamento.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

"Sim, senhor": IA pode ser bajuladora e falar tudo o que você quer ouvir
Estudo de Stanford mostra que chatbots concordam até 50% mais que humanos e podem reforçar decisões erradas, sem questionar o usuário.
O total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes brasileiros aos governos federal, estaduais e municipais cresceu 2,9% em comparação com 2025.
Brasileiros já pagaram R$ 1 trilhão em impostos em 2026
O total de impostos, taxas e contribuições pagos pelos contribuintes brasileiros aos governos federal, estaduais e municipais cresceu 2,9% em comparação com 2025.
Estudo inédito no Brasil identificou três perfis de apostadores no País, que enxergam as bets como uma forma de obter renda extra.
49% dos apostadores enxergam as bets como uma forma de obter renda extra
Estudo inédito no Brasil identificou três perfis de apostadores no País, que enxergam as bets como uma forma de obter renda extra.
Para a GenZ e a Gen Alpha, a fidelidade virou dinâmica contínua, baseada em experiências, comunidade, personalização útil e conexão.
SXSW: O que sustenta a lealdade entre os consumidores das novas gerações?
Para a GenZ e a Gen Alpha, a fidelidade virou dinâmica contínua, baseada em experiências, comunidade, personalização útil e conexão.
SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]