O novo Boletim Econômico Serasa Experian mostra que, no Brasil, a inadimplência segue em trajetória crescente, atingindo novos recordes em julho de 2025. O levantamento revela um cenário preocupante tanto para consumidores quanto para empresas. Além disso, reflete os efeitos de juros elevados, perda de poder de compra e restrição de crédito.
Segundo os dados, 78,2 milhões de brasileiros estavam com o CPF negativado, o que representa quase metade da população adulta do País. O volume total das dívidas chegou a R$ 482,9 bilhões, com valor médio de R$ 6.177,70 por pessoa. O setor financeiro segue como a principal origem das dívidas, resultado da combinação entre custos elevados do crédito, orçamento familiar apertado e dificuldades de renegociação.
Famílias recorrem mais ao crédito
Apesar do endividamento crescente, a demanda por crédito avançou 10,6% no acumulado do ano. O movimento foi puxado principalmente pelas faixas de menor renda, que utilizam o crédito como alternativa para recompor o orçamento doméstico e renegociar pendências.
Entre consumidores de renda média, a procura se manteve estável, enquanto as faixas mais altas apresentaram crescimento acima de 11% na busca por crédito. Esse cenário reforça o papel do crédito como ferramenta de ajuste financeiro, mas também evidencia o risco de um ciclo de endividamento mais difícil de ser revertido.
Empresas também batem recorde de dívidas
A inadimplência empresarial também alcançou patamares históricos. Em julho, 8 milhões de CNPJs estavam negativados, um aumento de 15,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O montante devido pelas empresas chegou a R$ 193,4 bilhões, com crescimento do valor médio das operações de crédito em atraso.
A demanda por crédito corporativo avançou 4% no mês, mas mostrou sinais de desaceleração após meses de forte expansão. O setor financeiro, diante desse quadro, tem ampliado a seletividade na concessão de crédito, priorizando operações consideradas de menor risco.
Em termos gerais, o volume de crédito concedido somou R$ 644,1 bilhões em julho. Na comparação sazonal, houve queda de 0,3% em relação ao mês anterior. As concessões a empresas cresceram 2,5%, enquanto as operações para famílias recuaram 2%. No acumulado de 12 meses, o crédito avançou 12,3%, puxado sobretudo pelas empresas, que cresceram 15,8%, acima do ritmo e em contraste com os 9,5% registrados entre pessoas físicas.
Micro e pequenas empresas em situação crítica
O boletim também chama atenção para a situação das micro e pequenas empresas (MPEs), que representam a maioria dos negócios do País. Em julho, 7,58 milhões de pequenos empreendedores estavam inadimplentes, novo recorde histórico. O número representa um crescimento de 203 mil em relação a junho de 2025 e de mais de 1 milhão na comparação com julho de 2024.
Entre os setores, o levantamento da Serasa Experian mostra que a indústria registrou o maior aumento proporcional da inadimplência, com alta de 27,1% em um ano. Em seguida, estão os serviços, com 18,8%, e o comércio, com 9,7%. A indústria de pequeno porte tem sido especialmente impactada por custos elevados, margens reduzidas e dificuldades de acesso a crédito.
Regionalmente, o problema se intensificou no Norte, Sul e Sudeste. De acordo com o estudo, isso mostra uma uma fragilidade estrutural na capacidade de os pequenos negócios manterem suas obrigações financeiras em diferentes áreas do País.
A demanda por crédito das MPEs cresceu 4% em julho, mas em ritmo menor do que nos meses anteriores. O arrefecimento indica maior cautela dos empreendedores, ao mesmo tempo em que os bancos se mostram mais seletivos. Como resultado, muitos empresários recorrem a linhas de crédito mais caras e de curto prazo, aumentando a vulnerabilidade financeira desse segmento.
Perspectivas para 2025
A Serasa Experian projeta que o saldo de crédito deve crescer 8,5% em 2025, uma desaceleração em relação ao avanço de 11,5% registrado em 2024. A expectativa é de que os bancos mantenham uma postura mais cautelosa, com foco em operações de menor risco e maior seletividade na concessão.
Esse cenário reforça a necessidade de atenção redobrada de consumidores e empresas no planejamento financeiro. Para as famílias, a principal preocupação é evitar a expansão do endividamento em um momento em que a renda não acompanha os custos. Já para os pequenos negócios, a dificuldade em acessar crédito competitivo pode comprometer a capacidade de investimento e até de sobrevivência em alguns casos.





