A guerra pelo poder de processamento da Inteligência Artificial (IA) ganhou um novo concorrente de peso. A OpenAI, criadora do ChatGPT, prepara-se para lançar em 2026 seu próprio chip de IA em parceria com a Broadcom, gigante norte-americana de semicondutores sediada na Califórnia. O movimento é uma busca clara por readequação no mercado atual, dominado pela Nvidia.
O projeto foi motivado pela demanda crescente por capacidade computacional, essencial para treinar modelos cada vez mais sofisticados como o GPT-5, e pela necessidade de reduzir a dependência de fornecedores externos. Inicialmente, o chip será usado dentro da própria OpenAI. Ainda não há previsão de comercialização.
A estratégia da Big Tech
A aliança entre OpenAI e Broadcom segue a mesma lógica adotada por Google, Amazon e Meta, que já projetaram chips próprios para dar conta das cargas de trabalho em IA. No ano passado, a Reuters informou que a OpenAI estava trabalhando com a Broadcom e a Taiwan Semiconductor Manufacturing para desenvolver seu primeiro chip interno para alimentar seus sistemas de IA, incorporando também a AMD chips ao lado da Nvidia chips para atender ao aumento nas demandas de infraestrutura.
Na época, a OpenAI havia examinado uma série de opções para diversificar o fornecimento de chips e reduzir custos.
Domínio da Nvidia sob pressão
Mesmo diante dessa movimentação de internalização, a Nvidia continua sendo a gigante a ser batida e fez história ao se tornar a primeira empresa de capital aberto do mundo a atingir um valor de mercado de US$ 4 trilhões, em julho deste ano. Seus chips ainda abastecem a maioria das Big Techs, e a empresa se tornou símbolo do boom da IA generativa.
A OpenAI foi um dos primeiros clientes da Nvidia e tornou-se uma das maiores consumidoras de seu hardware. Vale lembrar que o ChatGPT foi treinado usando milhares de unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia, conectadas em um data center de IA avançado pertencente à Microsoft.
Mas a escalada da demanda e os custos envolvidos levaram Sam Altman, CEO da OpenAI, a acelerar a busca por alternativas. Em agosto, ele afirmou que a companhia iria dobrar sua frota de computação nos próximos cinco meses para suportar o lançamento de novos modelos.
Uma corrida que está só começando
A revolução iniciada pela IA está redefinindo estruturas inteiras – de modelos de negócio e cadeias de valor a vantagens competitivas. A mensagem é clara: quem sair na frente nessa corrida pela tecnologia irá ditar as regras do jogo. E os chips são um fator importante nesse cenário. De restrições e tarifas impostas por razões de segurança nacional à crescente demanda em setores como saúde, finanças e indústria, os chips de IA tornaram-se uma das commodities mais cobiçadas do mercado.
Liderado pela Nvidia, o setor de chips de IA foi avaliado em US$ 71 bilhões em 2024, e a previsão é de um crescimento de 30% em 2025, segundo a Statista. Esse potencial atrai uma fila de concorrentes, entre eles a própria OpenAI, em busca de oportunidades para capturar parte desse mercado estratégico.
O que está em jogo não é apenas a criação de mais um chip, mas a supremacia em uma das áreas mais estratégicas da economia global. A infraestrutura de Inteligência Artificial é o novo petróleo do século XXI: quem controla o hardware tem vantagem não apenas tecnológica, mas também comercial, política e até geopolítica.
*Com informações do Financial Times





