A Amazon acaba de lançar no Brasil o programa de Acesso Antecipado de Alexa+, a evolução da assistente da Amazon, que chegou por aqui em 2019.
Construída sobre IA Generativa, a Alexa+ vai além de responder perguntas. Ela age como assistente pessoal realizando diversas tarefas – o serviço é gratuito durante o período de Acesso Antecipado. Após o período, a Alexa+ passa a integrar o Amazon Prime como mais um benefício incluso na assinatura, sem custo adicional.
Segundo Talita Bruzzi Taliberti, Country Manager de Alexa no Brasil, a Alexa+ não é apenas uma atualização, “é uma reinvenção”. A executiva explica que a assistente “entende o brasileiro de verdade”, independente do sotaque. “Queremos que Alexa+ seja a assistente que o brasileiro sempre quis ter: alguém que te entende, resolve as coisas e está sempre um passo à frente”, afirma
Uma nova arquitetura
Sua arquitetura foi projetada desde o início para ser agnóstica a modelos: mais de 70 modelos de IA trabalham em conjunto, conectados a centenas de serviços e dispositivos, e cada tarefa é direcionada ao mais adequado para resolvê-la. Isso também permite incorporar novos modelos conforme surgem, tornando a assistente progressivamente melhor.
Funcionando em uma conversa natural, e sem repetir a palavra de ativação “Alexa” a cada comando, você pode trocar de tema, voltar atrás ou fazer uma pergunta no meio de outra, e ela está ali atenta a tudo. Com IA generativa, a conversa flui e a assistente entende o que você quer mesmo quando você muda de ideia no meio da frase.
Com ID Visual e ID de Voz, Alexa+ reconhece cada membro da família e adapta respostas, tom e recomendações. Aprende preferências musicais, rotinas e até restrições alimentares.
Funciona nos dispositivos Echo, Fire TV, e aplicativo Alexa. Por exemplo, o cliente pesquisa receitas no Echo Show, segue no celular a caminho do supermercado, e Alexa+ retoma de onde parou. Nos próximos meses, chegará aos navegadores de computador também.
A Alexa+ também traz uma nova voz, mais natural e expressiva, com opção de alternar para a voz original (feminina ou masculina).
Não é um chatbot
Diferentemente de um chatbot, a Alexa+ executa tarefas completas: escolhe músicas pelo humor do momento e coloca para tocar, recomenda presentes, avisa sobre promoções, auxilia na compra do supermercado e notifica quando o produto chega. Liga o ar-condicionado quando você diz “tá calor demais aqui” ou apaga as luzes na hora de dormir.
Ela até pode redigir um convite de aniversário e enviá-lo por e-mail. Também é possível enviar calendários escolares, manuais de eletrodomésticos, imagens de receitas escritas à mão, materiais de estudo e mais pelo app Alexa ou por e-mail para [email protected]. Depois, basta perguntar a informação mais relevante sobre esses materiais que a Alexa+ terá a resposta.
A assistente funciona com serviços e dispositivos amplamente utilizados no país (Amazon Music, Spotify, Deezer, Apple Music, Audible, Prime Video, Netflix) e com marcas de casa inteligente como Positivo, Intelbras, Elgin e i2Go. Para notícias, integra fontes como Folha de São Paulo, UOL, G1, Estadão e CBN, além de praticamente todas as emissoras locais de rádio.
Em breve, clientes poderão pedir um Uber por voz, basta dizer “Alexa, pede um Uber aqui de casa para…”.
A Amazon também informa que continuará expandindo as integrações com parceiros no Brasil, incluindo Gol Linhas Aéreas e ClickBus para viagens, Porto Seguro para serviços residenciais e FeverUp para compra de ingressos.
Segurança e Privacidade
Sobre privacidade e segurança, a Amazon informa que o painel de privacidade de Alexa permite ao cliente revisar e gerenciar interações, ouvir exatamente o que Alexa captou, verificar anexos compartilhados e definir o tempo de armazenamento das gravações de voz.
IA conversacional e a nova orquestração das marcas invisíveis
O que a chegada da Alexa+ no Brasil também nos revela é uma nova forma de consumo. Baseada em agentes conversacionais de IA, essa nova jornada tem uma implicação direta no CX: o ponto de contato com o consumidor se transforma e a marca deixa de ser um site, um app, um clique ou uma busca na internet e passa a ser uma conversa.
Nesse contexto as marcas correm o risco de ficarem “invisíveis” dentro do CX. Uma tensão que já aprofundamos ao tratar o Agent Experience na última edição da revista CM.
Para as marcas, o desafio é sofisticado. O consumidor já não segue caminhos previsíveis: ele transita entre canais, muda de contexto e espera continuidade na experiência com a marca. E com a IA conversacional da Alexa+ potencializando esse comportamento no ambiente doméstico, a marca que não souber reger esse ecossistema agêntico tende a desaparecer da jornada.
O que esse lançamento da Alexa+ nos mostra é que a evolução agêntica em IA é imparável. E que a batalha pela convergência no e-commerce brasileiro agora passa por uma questão sensível. Não se trata mais de controle de canais, e sim de orquestração. A voz agora também cria memória de marca e convergência, e no Brasil, onde o e-commerce ainda disputa território com o varejo físico, isso muda as regras do jogo antes mesmo que a maioria das marcas perceba.





