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Quando relevância deixa de ser discurso e passa a gerar conexão real

Quando relevância deixa de ser discurso e passa a gerar conexão real

Em meio à disputa por atenção, marcas descobrem que visibilidade não é mais sinônimo de relevância e que confiança se constrói na consistência, não na exposição.
Em meio à disputa por atenção, marcas descobrem que visibilidade não é mais sinônimo de relevância e que confiança se constrói na consistência, não na exposição.
Foto: Shutterstock.
A competição por audiência deu lugar à busca por significado. No setor de saúde, marcas como a Dasa apostam em traduzir temas complexos, como genômica e biomarcadores, em linguagem acessível. Autenticidade e coerência deixaram de ser diferencial para virar exigência básica do consumidor.

As marcas nunca tiveram tantos canais para se comunicar e, paradoxalmente, nunca foi tão difícil construir conexão verdadeira com as pessoas. Vivemos uma era em que a atenção se tornou um dos ativos mais disputados do mercado, impulsionada por um fluxo constante de informações, tendências, creators, plataformas e algoritmos que competem diariamente pelo mesmo espaço.

Nesse cenário, muitas empresas ainda associam protagonismo apenas à frequência de campanhas ou ao volume de exposição. Mas o consumidor mudou e o mercado vem mostrando justamente o contrário: visibilidade sem conexão gera apenas lembrança momentânea, não relevância. Hoje, a principal disputa das marcas deixou de ser por audiência e passou a ser por significado.

Mais do que produtos, serviços ou discursos institucionais bem construídos, as pessoas buscam identificação, coerência e marcas capazes de gerar valor real em suas vidas. Relevância não nasce apenas da capacidade de comunicar, mas da capacidade de fazer sentido no cotidiano das pessoas. E isso exige uma transformação importante na forma como o marketing é pensado dentro das empresas. Durante muitos anos, as estratégias foram guiadas prioritariamente por métricas de performance, alcance e conversão. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para construir relevância de longo prazo. O protagonismo hoje não se impõe e ele é conquistado por meio de relações consistentes, autenticidade e confiança.

Flávia Drummond, diretora de Marketing da Dasa.

Um reflexo desse novo cenário está no estudo que reforça essa mudança de expectativa dos consumidores é o relatório Meaningful Brands 2024¹, da Havas. A pesquisa aponta que 64% das pessoas acreditam que as marcas devem usar seu poder para gerar mudanças positivas na sociedade e que os consumidores valorizam cada vez mais empresas capazes de oferecer impacto concreto, utilidade e relevância no dia a dia indo além do discurso institucional. O levantamento também destaca que cresce a cobrança para que as marcas atuem com empatia, responsabilidade e ações práticas, em um cenário marcado por instabilidade social e excesso de informação.

As marcas que se destacam hoje são aquelas capazes de equilibrar dados, criatividade e propósito de forma estratégica. Não basta apenas estar presente em múltiplos canais ou acompanhar tendências; é necessário construir narrativas conectadas a contextos reais, culturais e humanos. Em um ambiente de excesso de informação e disputa constante por atenção, relevância passa a ser construída pela capacidade de gerar identificação e criar experiências mais próximas, autênticas e significativas para as pessoas.

No setor da saúde, essa transformação se torna ainda mais evidente. O público já não procura apenas tecnologia ou serviços de qualidade, mas também acolhimento, clareza e confiança nas marcas com as quais se relaciona. O excesso de conteúdo ampliou a busca por fontes confiáveis, acessíveis e humanas, fazendo com que a comunicação deixe de exercer apenas um papel comercial para assumir uma função estratégica na construção de relacionamento e credibilidade. Nesse cenário, as marcas que conseguem traduzir temas complexos de maneira simples, próxima e relevante criam valor genuíno e conexões mais duradouras.

Tenho observado, na Dasa, justamente esse movimento. Iniciativas que aproximam saúde, tecnologia e informação vêm fortalecendo a conexão com diferentes públicos, principalmente quando conseguimos transformar temas complexos em conversas mais acessíveis, humanas e relevantes para o dia a dia das pessoas. Um exemplo é a forma como temas antes restritos ao universo médico como medicina de precisão, genômica ou biomarcadores que passaram a fazer parte das discussões cotidianas. Esse avanço exige uma comunicação capaz de traduzir conceitos científicos com responsabilidade e clareza, fortalecendo a confiança da população e ampliando o acesso à informação de qualidade.

A construção de protagonismo também passa pela coragem de ocupar conversas relevantes e participar das transformações culturais e sociais. Hoje, autenticidade, coerência e consistência deixaram de ser diferenciais para se tornarem expectativas básicas, principalmente em um ambiente hiper conectado, no qual o consumidor percebe rapidamente quando existe distância entre discurso e prática. Por isso, relevância não se constrói apenas em grandes campanhas, mas na recorrência das experiências, interações e posicionamentos das marcas. Mais do que disputar mercado, as empresas disputam confiança, atenção e conexão verdadeira com as pessoas.

*Flávia Drummond é diretora de Marketing da Dasa.

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