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De onde vieram os emojis, e por que nós os utilizamos?

De onde vieram os emojis, e por que nós os utilizamos?

Mais do que carinhas engraçadas, os emojis influenciam a forma como nos comunicamos, e estão se tornando um novo tipo de linguagem universal

Considerada a nova linguagem dos Millennials, os emojis transcendem a linguagem como a conhecemos, e nos levam em direção a uma nova forma de comunicação global.

Ancestralidade emoji

Antes dos emojis haviam os emoticons, expressões faciais feitas com sinais de pontuação. O jornal inglês Dailymail aponta que os primeiros apareceram muito antes dos computadores: o surgimento foi em em 1881 (sim, no séc. XIX), em uma revista de humor chamada Puck.
A publicação divulgou quatro rostinhos em arte tipográfica, que transmitiam alegria, melancolia, indiferença e espanto. Foram criados com base nas pontuações das máquinas de escrever, em uma nota satírica feita pela revista:


Mais para frente, em 1982, o cientista da computação Scott Fahlman sugeriu para a Universidade Carnegie Mellon, onde trabalhava, uma solução para um problema emergente da época: utilizar os símbolos 🙂 e 🙁 em emails, para que a comunicação ficasse mais clara, tornando distinguível o que seria um conteúdo bem-humorado.
Com o passar do tempo, os caracteres expressivos acabaram tomando o mundo, pois realmente funcionaram como facilitadores da função emotiva nas cruas mensagens textuais.
No Japão ficaram especialmente famosos, não apenas pelo consumo avançado de novas tecnologias, mas pelos caracteres nipônicos fornecerem ainda mais possibilidades de desenhos para expressar emoções.
Os emoticons exclusivamente japoneses ficaram conhecidos como kaomojis, uma junção de “kao” (rosto) com “mo” (escrita) e ji” (caractere).

¯_(?)_/¯        (?_?)            (?_?)                       (???)

Os kaomojis também refletem gestos específicos da cultura asiática, como reverências, e exprimem as emoções explosivas tradicionais dos personagens de mangás.

De emoticon ao emoji

Quase 20 anos depois, o designer de telecomunicações Shigetaka Kurita estudou maneiras para que os emoticons pudessem ficar ainda mais dinâmicos, facilitando a comunicação com seus clientes através de ícones. As mensagens de texto estavam começando a se popularizar no Japão naquela época; assim, ele criou 176 pictogramas baseados em pixel art, que ocupavam pouco mais de 12 bits nos celulares.
emojis
Desde então, os emojis se tornaram populares no mundo todo, e foram copiados por diversas empresas de telecomunicação e softwares de mensagens, como o antigo MSN.
No ano de 2009, o Google entrou na justiça para incorporar os emojis ao Unicode, um padrão de codificação universal de caracteres. O projeto foi aceito em 2010, tornando os emojis acessíveis em qualquer lugar.
A Apple decidiu, em 2011, adicionar os emojis diretamente nos teclados digitais dos iPhones, e os aparelhos Android receberam o mesmo recurso dois anos depois.

A “globalização” dos smileys

Mas o aceite da Unicode significou muito mais do que uma simples padronização de léxicos: significou o começo da legitimação de uma nova forma real de comunicação.
A medida que os rostinhos se tornaram mais populares, começaram a receber atualizações que contemplavam outras culturas. As carinhas amarelas, que representavam a coloração asiática, ganharam novas tonalidades, como negras, pardas e caucasianas. Além disso, foram inseridos gráficos, alimentos e vestimentas de diferentes culturas ao redor do mundo.

Mais do que tornar as mensagens divertidas e expressivas, os emojis ajudam a diminuir as barreiras entre as linguagens mundiais. Assim como os símbolos de trânsito são universais, os emoticons ajudam a traduzir ideias compreensíveis por todas as culturas.

O emoji de mosquito, por exemplo, foi incluído para contemplar campanhas mundiais de prevenção da Malária e da Zika, uma vez que nem todos compreendem inglês, mas todos podem entender um jogo de imagens correspondentes a mosquitos e suas prevenções.

emoji
Foto Unsplash

Novos emojis pela frente?

O guia da Weird para Emojis sugere que existe um longo processo entre o envio de novas ideias e a aprovação de um novo lote de emojis, podendo levar anos para que um rascunho apareça finalizado nos dispositivos móveis.
O Unicode Consortium considera novos emojis todos os anos, o que significa que o léxico cultural continuará evoluindo a cada atualização para iOS e Android. Os próximos lotes dependerão do que as pessoas estão projetando e enviando para a Unicode, desde que sejam úteis para grandes grupos globais.

Nem tudo é o que parece

Mesmo após a “globalização” dos emojis, eles ainda foram criados por e para japoneses, o que significa que a maior parte dos gestos contidos nas carinhas mais antigas refletem costumes locais.
Isso geralmente causa algumas confusões. Os casos mais comuns são as supostas mãos aplaudindo, muito usadas aqui no Brasil para dar parabéns em determinadas situações mas que, na realidade, foram criadas para representar o gesto tradicional que asiáticos fazem ao entrar em templos budistas e xintoístas, saudando aos espíritos locais.
Outro símbolo que causa confusão é o das mãos em oração, também por motivos religiosos: originariamente, aquelas mãos estão fazendo um “high five”, o tradicional cumprimento do “toca aqui”. No Japão, também, mas mãos justapostas são usadas para pedir desculpas e agradecer.

emoji
Foto Shutterstock

Curiosidades

O Guia da Wired para Emojis aponta algumas curiosidades sobre essa nova forma de se comunicar:

92% das pessoas online usam emojis nas comunicações. No Instagram, as carinhas aparecem em quase 50% das publicações. Essa nova linguagem é tão popular que está matando o netspeak: quanto mais usamos ?, menos usamos LOL e OMG;


O problema da diversidade nos emojis funciona como um mapeamento de visibilidade e apagamento cultural: como as questões geopolíticas, como nações, etnias, religiões e costumes foram levados em conta desde o princípio?


Emojis sem gênero estão começando a surgir. Há anos os sexos têm sido representados nos smileys com figurinhas de batom vermelho, para mulheres, ou com grandes bigodes, para os homens, reforçando alguns estereótipos. Pessoas que se compreendem como gênero neutro nunca tiveram opções de utilização, mas isso agora está começando a mudar.


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