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Novo Decreto do SAC: exigência humana pode gerar 100 mil empregos

Novo Decreto do SAC: exigência humana pode gerar 100 mil empregos

Nova norma entra em vigor na próxima segunda-feira, 2 de novembro. Em entrevista à Consumidor Moderno, John Anthony von Christian analisa contratações, Inteligência Artificial e desafios do atendimento humano com as mudanças
Novo Decreto do SAC entra em vigor em 2 de novembro e pode gerar até 100 mil empregos. ABT analisa os impactos no atendimento humano e na IA.
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O novo Decreto do SAC pode movimentar o mercado de trabalho brasileiro. A partir de segunda-feira, 2 de novembro, as empresas terão de ampliar o acesso ao atendimento humano. Segundo a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), as mudanças poderão gerar entre 80 mil e 100 mil novas vagas no setor. A estimativa é de um crescimento de 20% a 25% nas equipes de atendimento dos setores regulados. Bancos, telecomunicações, energia e planos de saúde devem concentrar as oportunidades. Mas a adaptação também exigirá investimentos em treinamento, tecnologia e reorganização das operações. Em entrevista exclusiva à Consumidor Moderno, John Anthony von Christian, presidente-executivo da ABT, explica por que a inteligência artificial não deve substituir o atendimento humano. O executivo também analisa os desafios das novas regras, os custos para as empresas e as oportunidades de valorização dos profissionais.

O novo Decreto do Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) poderá impulsionar a criação de até 100 mil empregos no Brasil. A projeção é da Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), que prevê a necessidade de ampliar as equipes de atendimento humano entre 20% e 25% nos setores regulados. O movimento ocorre em um momento de expansão da Inteligência Artificial e da automação nas operações de relacionamento com o consumidor.

Publicado no Diário Oficial da União em 13 de outubro de 2026, o Decreto nº 13.135/2026 entra em vigor na próxima segunda-feira, 2 de novembro, feriado de Finados. A norma amplia a garantia de atendimento humano por telefone e canais eletrônicos, das 8h às 20h, todos os dias, inclusive aos domingos e feriados. Também estabelece parâmetros para o tempo de espera, a continuidade do atendimento e o cancelamento de serviços.

Em entrevista à Consumidor Moderno, John Anthony von Christian, presidente-executivo da ABT, analisa os impactos das novas exigências sobre o mercado de trabalho e os custos das operações.

O executivo também aborda o papel da Inteligência Artificial, os desafios de qualificação profissional e a preparação das empresas para cumprir as regras. Segundo ele, a demanda por atendentes poderá crescer ainda mais com a adequação de outros segmentos, como marketplaces e aplicativos.

John Anthony von Christian, presidente-executivo da ABT

Consumidor Moderno: A ABT avalia que a ampliação do atendimento humano poderá gerar novos empregos. Existe alguma estimativa de contratações ou projeção de crescimento das equipes? Quais segmentos deverão concentrar essas oportunidades?

John Anthony von Christian: A ampliação do atendimento humano vai exigir mais gente nas operações. Pela regra anterior, o mínimo era de oito horas diárias e só no telefone. A partir de 2 de novembro, passam a ser 12 horas, das 8h às 20h, todos os dias, no telefone e também no chat, no aplicativo e na mensageria.

A ABT estima que os setores regulados precisarão de 20% a 25% mais atendentes, o que pode representar entre 80 mil e 100 mil novas vagas. O percentual pode chegar a 30% com a adequação de outros segmentos, como marketplaces e aplicativos.

As contratações devem se concentrar nos setores regulados com maior volume de atendimento, como bancos, telecomunicações, energia e planos de saúde. O Nordeste já responde por mais de 30% das contratações do setor, e a participação da região praticamente triplicou em 15 anos.

CM: O novo decreto amplia a exigência de atendimento humano para os canais eletrônicos e estabelece uma janela geral das 8h às 20h, todos os dias. Quais serão os principais desafios operacionais e financeiros para as empresas?

John Anthony von Christian: O principal desafio é de escala. O atendimento humano passa de oito para doze horas diárias, sete dias por semana, e chega em tempo real aos canais eletrônicos. Isso exige contratar e treinar equipes e montar escalas para noites e fins de semana.

Somam-se os parâmetros de qualidade: espera de até 20 segundos em pelo menos 80% das ligações, retorno em até cinco minutos quando a chamada cai e no máximo cinco níveis de menu, com a opção de falar com uma pessoa e de cancelar em todos eles.

O custo varia conforme o setor, o volume de cada operação e as regras de cada regulador.

CM: Como conciliar a ampliação do atendimento humano com os investimentos em Inteligência Artificial e automação? A ABT acredita que as novas regras poderão alterar os modelos de negócio dos contact centers?

John Anthony von Christian: As novas regras confirmam algo que o setor defende há muito tempo: a tecnologia resolve com agilidade o que é simples, mas é a pessoa do outro lado da linha que constrói a confiança na relação de consumo.

Pela primeira vez, uma norma reconhece e atribui funções à inteligência artificial no atendimento, na triagem, na distribuição e na resolução das demandas, desde que o consumidor possa escolher falar com uma pessoa.

Não vemos uma substituição de um pelo outro. Cobranças, pagamentos e qualidade do serviço são os temas que mais pedem atendimento humano. Nos contact centers, a tendência é combinar automação nas demandas simples com equipes preparadas para os casos complexos.

Preparação das empresas

CM: A regulamentação estabelece parâmetros para tempo de espera, continuidade do atendimento e resolução das demandas. O setor já dispõe de estrutura e indicadores suficientes para cumprir essas exigências a partir de 2 de novembro?

John Anthony von Christian: As associadas da ABT já vinham se preparando, e o setor tem estrutura e mão de obra para cumprir as novas regras a partir de 2 de novembro.

O decreto também deixa espaço para a regulação setorial: a regra de tempo de espera não se aplica onde houver norma específica da agência, e caberá aos reguladores definir as hipóteses de urgência e os períodos de suspensão do atendimento.

A ABT acompanha as disposições que a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e as demais agências vierem a editar.

CM: O decreto poderá contribuir para valorizar os profissionais de atendimento, com mais qualificação, autonomia e melhores condições de trabalho? Que compromissos concretos o setor pode assumir nesse sentido?

John Anthony von Christian: Fortalecer o atendimento humano é também valorizar quem atende. O setor oferece a muitos brasileiros o primeiro emprego com carteira assinada, com formação e perspectiva de crescimento.

São cerca de 1,4 milhão de trabalhadores, 70% deles mulheres, num segmento que está entre os que mais contratam jovens e pessoas negras. A jornada é de seis horas diárias, regulada pela NR-17 (Norma Regulamentadora nº 17, que estabelece diretrizes de ergonomia e condições de trabalho).

Quando a tecnologia absorve as demandas simples, o atendente passa a cuidar dos casos que exigem escuta, interpretação e decisão, e isso pede mais qualificação. Por fim, as empresas contratantes já mantêm convênios com instituições de ensino superior para o crescimento profissional dos atendentes.

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