A presença das mulheres na liderança empresarial tem enriquecido o repertório de conhecimentos e impulsionado resultados nas organizações. Ainda que enfrentem barreiras de gênero persistentes, elas incorporam perspectivas únicas e complementares à tomada de decisão – seja na valorização das pessoas, na análise de contextos ou no equilíbrio entre racionalidade e sensibilidade.
Esse avanço consistente do protagonismo feminino resulta de um processo construído ao longo de décadas. E, nesse período, as lideranças comprovam diariamente que constroem diferenciais estratégicos de competitividade no mercado.
No mês do Dia Internacional da Mulher (8 de março), a Consumidor Moderno ouviu algumas das principais lideranças femininas de marketing do Brasil. O objetivo: mapear o momento desse movimento e revelar como elas podem inspirar outras mulheres a trilhar o mesmo caminho. Confira!
União que gera ambientes mais produtivos
CM: O que mudou sobre o protagonismo feminino e liderança em marketing em 2026?
Patricia Macedo, CMO da divisão de bens de consumo da Suzano:
Não acredito que exista uma mudança absolutamente disruptiva em 2026. As mulheres vêm conquistando espaço, não apenas no marketing, mas em diferentes áreas corporativas, muitas vezes por meio de um movimento coletivo de apoio, troca e colaboração entre elas. Esse senso de sororidade e de conciliação feminina tem sido muito importante para ampliar oportunidades e fortalecer trajetórias profissionais.
O nosso protagonismo acontece onde a gente se empodera, onde a gente ocupa o nosso espaço. O nosso espaço de legitimidade de fala, de como trazemos o nosso repertório, nossos valores, nossa intuição e sensibilidade.

“A liderança feminina traz uma combinação muito potente de força e gentileza e essa combinação gera times mais engajados, decisões mais equilibradas e, consequentemente, impacto real em inovação e resultados de negócio.”
Patricia Macedo, CMO da divisão de Bens de Consumo da Suzano.
Renata Altenfelder, CMO da Lojas Renner S.A.:
Não vejo 2026 como um ano de ruptura ou de mudança estruturante, mas sim como a continuidade de uma evolução cultural sobre o protagonismo feminino e sobre o papel da mulher em posições de liderança nas empresas. O que se transforma, de fato, é a visão: deixamos de tratar a liderança feminina como tema periférico e passamos a reconhecê-la como parte do que sustenta um negócio mais competitivo e conectado.
No fundo, acelerar a liderança feminina não é apenas um imperativo moral; é, acima de tudo, uma decisão estratégica. Quando mulheres lideram com autonomia e responsabilidade, a criatividade ganha propósito, a tecnologia ganha humanidade e o negócio ganha resultados.
Liderança feminina é abrir portas
CM: O que ninguém ensina na faculdade sobre liderança feminina e que é fundamental para jovens mulheres que almejam um cargo C-level?
Patricia Macedo:
Uma das coisas que a faculdade não ensina é entender os códigos das organizações. Muitas delas ainda são estruturas bastante hierárquicas, historicamente construídas a partir de referências muito masculinas.
Ao mesmo tempo, eu acredito que muitas mulheres já carregam naturalmente uma grande capacidade de superação e adaptação. O ponto é não perder essa força e vontade ao longo do caminho. A mulher tem sua força e sua gentileza, assim como os homens. Quando conseguimos equilibrar essas duas dimensões na liderança, criamos ambientes mais saudáveis e avançamos mais rápido nos negócios.
Mas essa é uma lição que dificilmente vem da teoria. A gente aprende mesmo na prática, no dia a dia, enfrentando desafios, não só no mundo do trabalho, mas na sociedade como um todo.
Acredito também que acelerar a valorização da liderança feminina não é algo que se implementa apenas como uma iniciativa isolada. É uma prática diária. Passa muito por abrir espaço para que o feminino realmente aconteça dentro das organizações, dar voz, dar oportunidade e permitir que mais mulheres ocupem esses lugares.
Renata Altenfelder:
Ninguém ensina que liderança feminina não é sobre corresponder a um modelo pré-existente, e sim sobre redefinir o modelo. Durante muito tempo, mulheres foram incentivadas a “se adaptar”. Hoje, o diferencial está exatamente em trazer uma perspectiva própria: mais colaborativa, mais conectada ao cliente, mais aberta à inovação.
Também não se ensina que ascender exige navegar um ambiente que ainda carrega vieses invisíveis. É preciso consciência, resiliência e, principalmente, rede de apoio – algo que jovens mulheres às vezes negligenciam. Liderança é coletiva, não solitária.
Outro ponto crucial é aprender a equilibrar autonomia com responsabilidade. Em posições executivas, especialmente em áreas como marketing – que hoje une criatividade, tecnologia e dados –, é fundamental tomar decisões rápidas, mas profundamente informadas. Isso requer repertório, preparo emocional e coragem.
E, talvez o mais importante: ninguém ensina que uma carreira C-level não se constrói apenas em entregas técnicas, mas na capacidade de inspirar, comunicar visão, formar equipes diversas e acelerar talentos. Liderar não é sobre ser a melhor individualmente – é sobre criar ambientes onde outras mulheres também prosperem. Para mim, essa é a verdadeira base de uma liderança feminina sólida: abrir portas, não só atravessá-las.

“Quando a equidade é tratada como parte da estratégia – e não como iniciativa paralela – o negócio se torna mais inovador, mais relevante e mais conectado com a sociedade.”
Renata Altenfelder, CMO da Lojas Renner S.A.





