De acordo com o relatório Women in Business 2025-Impacting the Missed Generation, realizado pela Grant Thornton, o Brasil fechou 2025 com 36,7% de mulheres em cargos de liderança. Superando, assim, a média mundial de 34%, e países como Alemanha (30,1%) e Canadá (34,7%).
Celebrando o Dia Internacional da Mulher (8 de março), executivas que ocupam posições estratégicas nas empresas Kraft Heinz, Privalia, Colgate-Palmolive e Natura compartilham com a CM dicas, lições aprendidas e os desafios superados ao longo da carreira que auxiliaram seu crescimento pessoal e profissional.
As reflexões destacam que o sucesso corporativo está na integração entre o desenvolvimento individual e a cultura organizacional; e que a pluralidade é o que impulsiona a inovação contínua e gera impactos positivos para as empresas e sociedade. Confira!
Liderança que faz a diferença

Fernanda Barrocal, CFO da Kraft Heinz Brasil
Minha dica de ouro para quem almeja o C-Level é: seja a maior interessada e responsável pelo seu desenvolvimento. Não terceirize seu plano de carreira; busque mentores, mantenha um networking ativo dentro e fora da companhia e esteja em constante atualização técnica. Além disso, garanta o seu momento de descompressão. Para mim, a disciplina da corrida – estou indo para minha terceira maratona – é o que me dá o equilíbrio e a clareza mental para gerenciar as demandas do dia a dia. Saúde física e mental não são luxos, são pilares de uma liderança sustentável.
Liderar como mulher ainda exige uma “coragem extra” para manter a autenticidade em ambientes historicamente moldados por padrões masculinos. Meu propósito pessoal é ajudar a construir um mercado onde minhas filhas, Maitê e Clara, não precisem discutir “se” podem ocupar uma cadeira de comando, mas sim como vão transformar os negócios a partir dela.

Adriana Leite, Presidente da Colgate-Palmolive Brasil
Minha principal dica para as profissionais que almejam o C-level é: sejam intencionais em suas jornadas, construam redes de apoio e busquem ambientes onde valores como inclusão, cuidado e coragem não fiquem apenas no discurso. Quando você integra o seu talento a uma cultura que abraça as diferenças, você não apenas cresce profissionalmente, mas ajuda a pavimentar o caminho para o futuro de todo o mercado.
Na Colgate-Palmolive, vivenciamos diariamente como a pluralidade é o verdadeiro motor da inovação. Sabemos que equipes diversas, que refletem a sociedade, criam as melhores soluções e geram um impacto positivo genuíno. E, em um mundo cada vez mais dinâmico, os resultados nunca são conquistados de forma solitária. A verdadeira força está no trabalho em equipe integrado, aliado à agilidade, à flexibilidade para se adaptar às mudanças e à paixão por aquilo que fazemos.

Mayra Palacios, CMO da Privalia
Minha trajetória não foi linear e isso foi fundamental para meu crescimento. Foram escolhas, ajustes de rota e momentos em que precisei confiar mais em mim mesma do que nas circunstâncias. Ao longo da carreira, aprendi que liderança não é sobre ter todas as respostas, mas sobre fazer as perguntas certas, criar contexto e caminhar junto com o time. Crescimento profissional, para mim, sempre esteve conectado à capacidade de aprender rápido e construir com as pessoas.
Se tem algo que aprendi na minha trajetória é que curiosidade e abertura para aprender fazem toda a diferença. Estar atento ao contexto, fazer perguntas, buscar repertório e se colocar em movimento são atitudes que aceleram o crescimento. A vida profissional vai te colocar à prova, e nesses momentos é fundamental confiar no que você construiu, se jogar e sustentar suas escolhas com responsabilidade. Minha principal lição é: confie no seu repertório e pare de esperar validação constante. Desenvolvimento exige coragem para ocupar espaço, consistência nas entregas e disposição para evoluir continuamente, inclusive nos momentos mais desafiadores.

Paula Benevides, vice-presidente de Pessoas, Cultura e Organização na Natura na América Latina
Na minha trajetória como mãe de quatro filhos e executiva, aprendi que o segredo não é o equilíbrio perfeito, mas um “bom balanço”: admitir que não vamos dar conta de tudo sozinha e aceitar ajuda. Isso exige uma autoconsciência profunda para não tentar atender apenas às expectativas alheias sobre o que é ser uma “boa profissional” ou “boa mãe”.
A liderança é um exercício de regeneração diária. Como líderes, devemos potencializar o talento e a marca pessoal de cada um, garantindo que o bem-estar seja tratado como uma premissa estratégica de negócio, e não apenas uma promessa. Minha recomendação para quem deseja crescer é: se pergunte “o que eu aprendi hoje?”. Faça isso toda semana ou todo dia e perceberá que seu repertório aumenta em todas as dimensões do conhecimento. Fure a bolha dos algoritmos, ouça, respeitosamente, pessoas com perspectivas diferentes mesmo que te incomode. E invista no seu aprendizado e na autoconsciência.





