A CEO do X (o antigo Twitter), Linda Yaccarino, anunciou a saída do cargo. A decisão surpreendeu o mercado. A executiva, de 61 anos, comunicou a renúncia por meio de uma publicação na própria rede social, agora controlada pela xAI, startup de Inteligência Artificial de Elon Musk.
“Decidi deixar o cargo de CEO da X”, escreveu Yaccarino, sem detalhar os motivos da decisão. Elon Musk, dono da plataforma, respondeu brevemente: “Obrigado por suas contribuições”.
A saída marca mais um capítulo conturbado no império empresarial de Musk, que enfrenta desde a queda nas vendas da Tesla até polêmicas envolvendo IA, e até mesmo atritos públicos com o ex-presidente dos EUA, Donald Trump.
Gestão marcada por perdas e tensões
Veterana da indústria publicitária e ex-executiva da NBCUniversal, Yaccarino foi recrutada em 2023 com a missão de reconquistar a confiança dos anunciantes e reparar a imagem da plataforma, desgastada pelo aumento de conteúdos tóxicos e discursos de ódio desde a aquisição por Musk.
No entanto, sua gestão enfrentou obstáculos intensos. Segundo apuração da Bloomberg, a receita da empresa caiu cerca de 50% no último ano e metas internas de faturamento não foram atingidas. A fuga de grandes anunciantes se intensificou após Musk endossar uma publicação antissemita no fim de 2023.
Um funcionário do X ouvido pela CNN, sob condição de anonimato, disse que a saída de Yaccarino já era esperada internamente, diante da dificuldade em trazer os anunciantes de volta à plataforma.
Futuro incerto com fusão X + xAI
De acordo com The Wall Street, o anúncio de que a xAI havia adquirido a X em março deste ano, em um acordo avaliado em US$ 33 bilhões, acentuou as dúvidas sobre o papel de Yaccarino na nova estrutura. Embora tenha permanecido como CEO da X, ela não comandava a holding combinada, chamada xAI Holdings.
Segundo a Bloomberg, a xAI está queimando cerca de US$ 1 bilhão por mês para desenvolver modelos avançados de IA, enquanto ainda não consegue gerar receitas. Para sustentar a operação, a empresa estaria buscando levantar US$ 9,3 bilhões entre dívidas e novos investimentos.





