O perfil predominante dos ocupantes de altos cargos de liderança nas principais empresas brasileiras é composto, principalmente, por homens brancos, com alto nível de escolaridade, sem deficiência, com idade de 45 anos ou mais e uma média de sete anos de experiência na mesma empresa. As informações são do estudo “Perfil Social, Racial e de Gênero das 1.100 Maiores Empresas do Brasil e Suas Ações Afirmativas”, realizado pelo Instituto Ethos.
No entanto, a Brasilprev se destaca por ter atualmente 48% de mulheres em sua equipe, sendo que 42% delas ocupam posições de liderança. A empresa estabeleceu como meta atingir 45% até 2026, em consonância com o 5º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU. Esse ODS visa promover a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas. E, para alcançar essa ambiciosa meta, a Brasilprev tem implementado diversas iniciativas que favorecem um ambiente de trabalho inclusivo e respeitoso.
O consumidor na Brasilprev
Ademais, a promoção da igualdade de gênero dentro de organizações não só beneficia o ambiente corporativo, mas também impacta diretamente a percepção dos consumidores. E, por consequência, ao reconhecer e valorizar a diversidade, a Brasilprev fortalece sua imagem, atraindo uma clientela que busca empresas comprometidas com a responsabilidade social.
Dentre as iniciativas de igualdade de gênero, destaque para os programas de mentoria voltados para mulheres, treinamentos em habilidades de liderança e a promoção de políticas de flexibilidade no trabalho, visando equilibrar a vida profissional e pessoal. O programa de mentoria interno, por exemplo, destina 70% das vagas a mulheres para acelerar suas carreiras, com um foco em liderança e uma visão abrangente. A mentoria conta com 21 mentores, dos quais 7 são mulheres, representando 33%. Além disso, há 23 mentorados, sendo 16 mulheres, o que equivale a 70%. Outro programa importante é o de Jovens Aprendizes, onde a Brasilprev recruta jovens em situação de vulnerabilidade socioeconômica, também garantindo 70% das vagas para mulheres.
“Essas ações não só beneficiam as mulheres, mas também enriquecem a cultura corporativa, gerando um clima mais colaborativo e inovador”. O pensamento é de Cássia Marie Yamada, superintendente comercial da Brasilprev Seguros e Previdência S.A. Ela atua no segmento de Pessoa Física para as regiões Sul e Sudeste, com exceção de Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Representação feminina
Ela conta que, monitorando continuamente os avanços, a empresa utiliza métricas claras para analisar a representação feminina nas equipes e em cargos de liderança. Segundo Cássia, a transparência em relação a esses números é fundamental para garantir que a empresa está no caminho certo e para motivar todos os colaboradores a se engajarem neste objetivo.
Assim, em entrevista à Consumidor Moderno, ela conta que o comprometimento vai além das metas numéricas. “Acreditamos que a diversidade de vozes e experiências é um fator chave para o sucesso de qualquer organização. É preciso que cada mulher tenha a oportunidade de contribuir com suas habilidades e talentos, e que se sinta valorizada no ambiente de trabalho. Por meio dessas ações, reafirmamos nosso papel como agentes de mudança e nossa responsabilidade social, contribuindo para uma sociedade mais justa e equitativa”.
Acompanhe a entrevista na íntegra!
A história
Consumidor Moderno: Você poderia começar contando um pouquinho da sua história até chegar na liderança, por gentileza?
Cássia Marie Yamada: A Brasilprev é a minha primeira casa, onde eu comecei a trabalhar quando eu tinha de 17 para 18 anos. Entrei aqui para pagar minha faculdade, na função de “office boy”. E eu tenho muito orgulho de falar isso, porque, graças a essa empresa, eu consegui estudar à noite, pagar minha faculdade, me formar e ficar aqui por cinco anos, de 1995 a 2001. Em fevereiro de 2001, fui para o Itaú e fiquei lá também um período, até 2004, quando eu retornei para a Brasilprev.
Desde 2004, então, estou na Brasilprev em um cargo de liderança nas gerências comerciais, abrangendo transformações na empresa e na sociedade. A Brasilprev, com o Banco do Brasil como acionista majoritário, possui um histórico paternalista e, por muito tempo, a sociedade brasileira foi marcada pelo machismo, algo que vem mudando. Uma inspiração para mim é minha amiga Tassiana Paula Medeiros, presidente do Banco do Brasil e única brasileira na lista da Forbes das 100 Mulheres Mais Poderosas do Mundo. Ao longo da minha trajetória, vivenciei transformações significativas, incluindo minha primeira gestão em 2014, passando por várias áreas comerciais, e hoje atuo nas regiões Sul e Sudeste.
Áreas de atuação
CM: Dentro da área comercial, com quais segmentos teve que lidar?
Dentro da área comercial, tive experiências nos segmentos de varejo, alta renda e Private, que envolve o plano de previdência privada voltado para a construção do planejamento sucessório e empresarial. Além disso, tive a satisfação de testemunhar a nomeação de Ângela Assis para o cargo de Diretora-Presidente da Brasilprev, o que representa uma grande fonte de inspiração para mim. Ela foi a primeira mulher a ocupar uma posição de presidente dentro do conglomerado Banco do Brasil em seus 200 anos de história.
Ângela me nomeou para a superintendência na Brasilprev, e acredito que fui a primeira mulher de carreira a ocupar essa posição, já que tradicionalmente eram pessoas do banco, da área comercial, que assumiam essa função. Resumindo, minha trajetória na Brasilprev começou aos 18 anos, passando por todas as etapas, desde assistente e analista até coordenadora, acumulando diversas experiências ao longo do caminho.
Colaboração
CM: Você acredita que as lideranças femininas podem promover um ambiente mais colaborativo ou isso é mito? E se sim, essa colaboração se reflete no cliente?
Na semana passada, recebi uma pesquisa da minha superintendência que destacou como a questão da colaboração é muito evidente. Consequentemente, os clientes se beneficiam, não apenas a companhia, mas também os colaboradores, que desfrutam de um ambiente de trabalho mais saudável. Assim, no final, todos se encontram em um contexto mais feliz, produtivo e sustentável em termos de receita para a empresa. Acredito firmemente na colaboração.
A liderança feminina proporciona uma perspectiva que não uniformiza todos. Quando conseguimos acolher e extrair o melhor de cada pessoa, isso resulta em crescimento coletivo. Acredito nisso porque ninguém precisa ser igual ao outro; cada um possui um potencial único. Enquanto líderes, especialmente mulheres, conseguimos perceber e alocar as pessoas nos projetos mais adequados, avaliando o potencial de cada um em sintonia com o momento da empresa e seus objetivos. Para mim, essa visão feminina tem muito a oferecer. O homem, muitas vezes, apresenta uma abordagem mais cartesiana e racional, necessitando de dados concretos para validar suas decisões. Em contraste, nós, com um enfoque mais humano, temos uma intuição mais aguçada para ajustar as dinâmicas dentro das equipes. Para mim, a colaboração está totalmente relacionada a isso. Hoje, a BrasilPrev tem 2,6 milhões de clientes e a base é basicamente 50% homens, 50% mulheres.
Clientes mulheres
CM: Como são as clientes mulheres? No que elas se diferenciam dos homens?
Sem dúvida, elas pensam mais na família, na proteção familiar nos filhos do que os homens. E isso é fantástico. Sabe por quê? Porque elas contratam mais seguros de proteção dentro da Previdência para os filhos, por exemplo. São elas as responsáveis por aqueles “planos júnior” que temos para os filhos. Isso demonstra o cuidado com o próximo.
CM: Por que um ambiente inclusivo é crucial para a experiência do consumidor do ponto de vista da Brasilprev?
A diversidade é fundamental para o desenvolvimento de produtos na Brasilprev. A inclusão de pessoas de diferentes idades, raças e áreas nos grupos multidisciplinares é prioritária, pois proporciona uma perspectiva abrangente e evita vieses que podem resultar em ofertas inadequadas para os consumidores. Essa abordagem visa garantir que as soluções desenvolvidas realmente atendam às necessidades do público final, permitindo a criação de protótipos eficazes para testes e implementações.
Melhores produtos e serviços
CM: E quais são os resultados concretos dessa estratégia?
Nos últimos anos, ao adotarmos essa abordagem para o lançamento de produtos e serviços, percebemos que, quando o produto final ou o serviço chega ao cliente, ele está mais alinhado às expectativas. Como resultado, os clientes aceitam melhor, pois conseguimos captar verdadeiramente as percepções e necessidades de um grupo bem diversificado, o que é essencial especialmente no setor de serviços financeiros, onde existem diversas ofertas no mercado.
CM: A Inteligência Artificial pode contribuir para a promoção da liderança feminina ou não?
Nossa, eu também compartilho desse pensamento e continuo acreditando que é um sonho realizável. Nós, como seres humanos, temos que abordar esse assunto com seriedade. Quando participo de entrevistas para cargos de liderança, tanto para minha própria gestão quanto entre colegas, peço que se omita o sexo, a idade e o nome dos candidatos. Acredito que a Inteligência Artificial pode nos ajudar a realizar alguns filtros sem preconceitos, especialmente em contratações e promoções, mas esse hábito ainda não é comum entre nós. Eu, de maneira informal, tenho solicitado que não me revelem a identidade dos candidatos que estou avaliando.
Contudo, como seres humanos, somos naturalmente influenciados por nossos comportamentos e histórias de vida. Por exemplo, se utilizarmos Inteligência Artificial para avaliar apenas as competências de um homem ou de uma mulher, tenho plena confiança de que muitas mulheres teriam mais oportunidades por conta de suas entregas e competências técnicas. Infelizmente, ainda existem perguntas enviesadas em entrevistas, como “Você é casada?” ou “Você vai ter filhos? Quantos filhos você tem? Quem cuida deles?”. Acredito que a Inteligência Artificial pode realmente contribuir e evoluir nesse aspecto.
Desafios
CM: Quais são os principais desafios enfrentados hoje por mulheres em cargos de liderança, em sua visão?
Preconceito ainda existe, e não devemos fingir que não. Embora tenhamos evoluído bastante, ainda há um longo caminho a percorrer. Ao observar mulheres em posições de liderança na minha área comercial, percebo que existe uma maior equiparação em relação aos homens. Contudo, em setores como TI, o desafio é ainda mais significativo, já que a presença masculina é predominante e muitas mulheres não foram incentivadas anteriormente ou se sentiram desencorajadas a entrar nesse campo.
Minha primeira formação foi em análise de sistemas, e trabalhei na área de TI da Brasilprev em 1998 e 1999. Mesmo não tendo gostado da área, é importante refletir sobre quantas mulheres podem ter desistido por falta de convicção ou por causa dos preconceitos que enfrentaram. Nos desafios da liderança feminina, é evidente que a cobrança interna é muito maior do que a pressão da empresa ou da sociedade. O autoconhecimento é fundamental, pois muitas vezes as mulheres se sentem compelidas a estar 120% preparadas, enquanto os homens costumam se lançar sem essa exigência. Isso me inspira a acreditar que a segurança e a autoconfiança são cruciais para nós, mulheres.
Mulheres na liderança
CM: Qual seu sentimento de ver líderes femininas como a presidente da Brasilprev e do Banco do Brasil?
Tenho orgulho de ver líderes femininas, me faz sentir representada, especialmente por ser mulher e de origem asiática. Acredito que a união entre nós, mulheres, pode ajudar a enfrentar os desafios e minimizar as dificuldades. Precisamos entender que a liderança feminina se desenvolve em uma sociedade que une homens e mulheres, e que essa diversidade é essencial para o sucesso coletivo.
O preconceito ainda existe, e não podemos ignorar isso. No fim, não sou feminista; sou mulher e mãe de uma filha de 22 anos. Quando ela tinha 18 anos, era uma feminista. Hoje ela mudou essa visão e trabalhando, entende que o equilíbrio é fundamental. Eu enfatizo que não se trata apenas de mulheres ou apenas de homens, mas dessa combinação — essa junção é o que realmente importa. Para mim, a liderança feminina deve ter essa perspectiva, reconhecendo que o equilíbrio é essencial. Não quero apenas líderes mulheres.
Recentemente, eu estava com três gerentes mulheres. Não foi uma coincidência, mas queria deixar claro que não escolhi trabalhar apenas com mulheres. Agora, mês passado, recebi um líder homem, que já trouxe uma nova visão e um equilíbrio melhor às discussões. Para mim, tanto a liderança feminina quanto a masculina devem compreender que tudo se complementa; uma abordagem única não é benéfica para ninguém. Não é uma competição, mas uma cooperação, e eu realmente acredito nisso.
Ações para o Mês da Mulher
CM: A BrasilPrev realizará ações para o dia 8 de março?
Na BrasilPrev, a área de marketing e comunicação organiza os “meses coloridos”, dedicando março ao mês da mulher, com palestras e feiras de empreendedoras. Há uma programação interna para engajamento e conscientização sobre o tema, além de projetos de formação de mulheres líderes, incluindo um programa de mentoria com 70% das vagas destinadas a mulheres. O impacto é evidente, e recentemente, uma das participantes conseguiu ingressar na faculdade, comprovando que pequenas ações podem transformar a vida de mulheres de baixa renda dentro dos compromissos de sustentabilidade da empresa.
O que é importante
E, especialmente para o Mês da Mulher 2025, a Brasilprev organiza uma série de iniciativas para promover a equidade de gênero, entre elas:
- Letramento e conscientização: contexto histórico, importância da mulher na sociedade, cuidados com a saúde (junto com março amarelo e lilás) e empoderamento;
- Palestras: importância da diversidade, mulheres com deficiência, desafios e oportunidades;
- Ações: Feira do Empreendedorismo e vozes femininas em diversas gerações.
Acreditamos que a paridade de gênero é não apenas uma questão de justiça social, mas também um imperativo econômico e um catalisador para a inovação. E, com essas iniciativas, esperamos não apenas atingir nossa meta de 45% de mulheres em posições de liderança até 2026, mas também servir como exemplo para outras organizações, incentivando-as a adotar práticas que promovam a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres em seus ambientes de trabalho. A construção de um futuro mais equitativo depende do esforço coletivo e da determinação de todos em fazer a diferença.
Respeito
A Brasilprev foi uma das empresas reconhecidas no Prêmio Empresas que Mais Respeitam o Consumidor, em dezembro do ano passado. Ela ganhou o prêmio por entregar o que promete e gerar conexões positivas com o consumidor. Trata-se de um reconhecimento que é o reflexo direto da experiência vivida pelos consumidores que interagiram recentemente com a marca, com seus produtos e serviços.





