Por mais que o número de médicos tenha crescido no Brasil nas últimas duas décadas, a escassez desses profissionais ainda é um desafio a ser superado pelo setor. Segundo o estudo “Demografia Médica no Brasil 2023”, o país possui uma média de 2,6 médicos a cada mil habitantes – semelhante a países como Canadá e Estados Unidos. No entanto, a distribuição dos profissionais da saúde é bastante desigual, muito mais concentrados nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e nas regiões metropolitanas.
A título de exemplo, a região Norte do país tem 1,45 médicos a cada mil habitantes e o Nordeste, 1,93. Já as capitais dos estados do Norte contam com 3,16 médicos a cada mil habitantes, e a região metropolitana e o interior, 0,54 e 0,67, respectivamente. No Sudeste, as capitais concentram 6,64, e as regiões metropolitanas, 10,51. Superar esses desafios representa uma longa jornada e que não deve acontecer rapidamente. No entanto, profissionais da saúde percebem as parcerias no ecossistema e inovações digitais como caminho.
O estudo “Future Health Index 2023”, lançado pela Philips, foi baseado em entrevistas com quase três mil pessoas em 14 países, incluindo o Brasil. Os principais resultados do levantamento apontam para a busca por parcerias para expandir a prestação dos serviços e cuidados de pacientes. Além disso, líderes de saúde percebem a tecnologia como um fator chave na escolha do local de trabalho e como solução para gerar novos fluxos de receita.
“O ‘Future Health Index 2023’ demonstra a importância da visão partilhada dos líderes e jovens profissionais de saúde: uma visão de cuidados conectados, convenientes e sustentáveis, prestados nos mais diversos ambientes e impulsionados pela presença transformadora da tecnologia digital e da inteligência artificial”, afirma Fabia Tetteroo-Bueno, vice-presidente e gerente geral da Philips América Latina.
“No entanto, essa visão requer maior colaboração, tanto dentro como fora das organizações de saúde. O relatório é uma importante ferramenta para inspirar os líderes a trabalhar em direção a um futuro em que os cuidados de saúde sejam verdadeiramente centrados no paciente, proporcionando cuidado de alta qualidade, apesar dos desafios atuais”, continua.
Parcerias para somar
Segundo a pesquisa, 48% dos jovens profissionais de saúde no Brasil desejam que a gestão das instituições onde atuam construam parcerias fora de seus sistemas de saúde – acima da média global, de 36%. Além de tempo com os pacientes, 57% dos jovens profissionais – versus 43% na média global – também gostariam de ter uma colaboração mais estreita com outras organizações envolvidas no atendimento.
Enquanto em 2022 apenas 14% dos líderes de saúde brasileiros afirmaram ter toda a expertise interna para usar os dados disponíveis, em 2023 35% dos líderes estão priorizando associações com fornecedores de TI e dados. Dessa forma, são mais capazes de ter acesso ao conhecimento e à experiência para aproveitar os dados da melhor forma. Estes representam, afinal, um fator chave no atendimento médico integrado e moderno.
Além disso, as lideranças estão mais propensas a realizar parcerias com ONGs e organizações comerciais (29%), fornecedores de reabilitação física (25%) e varejistas e farmácias (25%). No entanto, as parcerias ainda devem se estender. 28% dos líderes gostariam de fazer associações com instituições de ensino, 27% com empresas de tecnologia em saúde, e 25% com centros médicos de emergência. Já os jovens profissionais preferem formar parcerias com fornecedores de bem-estar e reabilitação física (28%), grupos de médicos (27%), e ONGs, organizações comerciais e centros comunitários (26%).
Inovação digital para superar escassez
Como forma de reduzir as tensões gerada pela escassez e concentração de médicos em poucas áreas, os líderes de saúde estão atentos às ferramentas tecnológicas e digitais. Segundo a pesquisa, os líderes de saúde no Brasil são mais propensos a colaborar com fornecedores de dados e TI para reduzir o impacto da escassez de mão de obra do que seus colegas globais – 53% ante 31%. Além disso, 37% percebem empresas de tecnologia de saúde como parceiras importantes para aliviar as pressões de mão de obra. Essa percepção é a mesma para os profissionais de saúde mais jovens.
Segundo as lideranças do setor no país, as tecnologias de saúde digital são ferramentas que podem ajudar a reduzir o impacto da escassez de mão de obra. Uma das aplicações mais apontadas por esses entrevistados (67%) são as soluções que se conectam com ambientes fora do hospital. Além disso, 47% apontaram também as tecnologias de fluxo de trabalho e as ferramentas baseadas em nuvem para apoiar o acesso a informações de qualquer local.
Por outro lado, a tecnologia se mostra como um fator essencial na atração e retenção de talentos. Por exemplo, 64% profissionais mais jovens consideram relevante o uso de vanguarda de Inteligência Artificial na área da saúde no momento da escolha de um hospital ou estabelecimento de saúde. Os jovens também apontam que a tecnologia é fundamental para melhorar sua satisfação no trabalho para prever resultados (32%), integrar diagnósticos (31%), e otimizar a eficiência operacional (23%). Além da tecnologia, os jovens profissionais também apontaram a cultura (50%), a autonomia profissional (50%) e políticas de diversidade e inclusão (45%) como importantes fatores no momento da escolha do local de trabalho.
“A análise deste ano mostra que os líderes de saúde procuram cada vez mais fornecedores de tecnologia para ajudar a mitigar as consequências destas carências e agilizar processos para melhorar a eficiência”, diz Patricia Frossard, country manager da Philips Brasil. “O investimento em tecnologia já é bem recebido e a tecnologia digital é um fator chave nas escolhas de carreira dos profissionais. Além disso, os líderes brasileiros de saúde estão adotando cada vez mais a Inteligência Artificial (IA) em suas unidades, aproveitando suas capacidades para aumentar a eficiência operacional e integrar ferramentas de diagnóstico”.
Novos fluxos de receita
O financiamento pode ser outro desafio do sistema de saúde brasileiro a ser conduzido por meio de inovações digitais. Todos os líderes brasileiros do setor afirmaram que enfrentam pressões financeiras – ante 96% da média global. Cerca de 91% deles estão tomando medidas para mitigar essas pressões, e 77% apontam que sua principal estratégia é identificar formas de construir novos fluxos de receita.
Por outro lado, os líderes brasileiros (4%) estão menos propensos do que os líderes globais (19%) a dizer que seu hospital ou estabelecimento de saúde está procurando novos métodos de saúde, assim como na redução de custos, 10% contra 18%. As opções preferidas da liderança brasileira são a redução do tempo de permanência hospitalar (43%) e novos modelos de compra (38%).
Mais proximidade dos pacientes
O Brasil está entre os quatro principais mercados a citar a Inteligência Artificial como foco principal. Cerca de 79% das lideranças de saúde afirmam que estão investindo em pelo menos uma tecnologia de IA – enquanto a média global é de 59%. Hoje, 31% dos líderes de saúde estão investindo na tecnologia para otimizar a eficiência operacional, o que inclui a automatização da documentação necessária, agenda de pacientes, equipes e tarefas, e como forma de melhorar o fluxo de trabalho.
Já 27% desses líderes estão investindo em IA para integrar diagnósticos, 26% para apoiar a decisão clínica, e 25% para prever resultados. Além disso, 35% das lideranças gostariam de investir na tecnologia para prever resultados, e 34% para integrar diagnósticos.
Mais do que isso, o atendimento virtual é percebido pelas lideranças como forma de aproximar o cuidado do paciente. 51% delas afirma que o hospital ou estabelecimento de saúde está investindo em ao menos uma ferramenta de atendimento virtual. Já 46% esperam investir em uma tecnologia para esse fim daqui a três anos, refletindo uma tendência global de redução nos investimentos em atendimento virtual ao longo dos anos.
Entre as lideranças entrevistadas, 31% apontam o atendimento virtual entre profissionais de saúde, como consultas virtuais com especialistas, compartilhamento de imagens e recomendação de tratamentos como parte dos investimentos de hospitais e estabelecimentos de saúde. Já 25% apontam que os locais de trabalho estão investindo no atendimento virtual de profissional de saúde para pacientes, com consultas por vídeo chamada.
Os limites dos hospitais e estabelecimentos de saúde também estão sendo extrapolados para expandir os cuidados de pacientes. As lideranças brasileiras do setor apontam por um interessem em levar o atendimento às comunidades: 35% fornecem agentes comunitários de saúde e enfermeiros, 27%, consultórios, 26%, centros de imagem e triagem, diagnósticos e atendimento de emergência. Eles também pretendem disponibilizar mais serviços no futuro, como saúde mental (43%), nutrição (40%) e centros de atendimento (40%).
“No futuro, as evidências clínicas e econômicas dos benefícios dos novos modelos de prestação de cuidados serão um fator chave para impulsionar uma maior adoção por parte dos prestadores e pagadores”, aponta o Dr. Eli Szwarc, líder médico de Enterprise Informatics LATAM da Philips. Da mesma forma, a capacidade de medir o progresso em direção aos objetivos de sustentabilidade ambiental ajudará a impulsionar iniciativas verdes nos cuidados de saúde. Em última análise, os pacientes e o planeta se beneficiarão de novos modelos de prestação de cuidados que atendam todas as pessoas, em qualquer lugar”.





