Como seria um supermercado tecnológico? Caixas autônomos? Robôs circulando pelos corredores? Atendentes virtuais? Preços digitais? Talvez o futuro já esteja diante do nossos olhos, mas ele não é bem assim.
No Assaí Atacadista, a Inteligência Artificial trabalha antes mesmo de o cliente entrar na loja. Ela ajuda a definir preços, organizar o abastecimento das lojas, processar dados e sustentar operações digitais que conectam a empresa a plataformas como iFood e Mercado Livre.
Para Celso Mota, Diretor de TI da companhia, o desafio já não é adotar IA – a tecnologia já faz parte do cotidiano –, mas fazer com que ela gere resultado para o negócio.
“O dilema é conseguir usar a tecnologia como proveito para o negócio, e não simplesmente tecnologia pela tecnologia.”
O algoritmo que abastece a gôndola
Boa parte da estrutura tecnológica do Assaí já utiliza IA nos bastidores. Sistemas de precificação, abastecimento e Business Intelligence processam grandes volumes de dados para tornar a operação mais eficiente e dar mais agilidade às áreas de negócio.
“O importante é que a tecnologia tenha um endereçamento para o business”, afirma. Na prática, isso significa que decisões que antes dependiam apenas de análises humanas agora contam com algoritmos capazes de processar milhares de informações simultaneamente, permitindo respostas mais rápidas às mudanças de demanda.
O supermercado além da loja física
Essa inteligência também sustenta a expansão dos canais digitais. Desde 2024, o Assaí mantém uma parceria com o iFood em que as lojas funcionam como hubs de abastecimento, enquanto a plataforma realiza a entrega.
Toda essa engenharia de dados utiliza IA para organizar a operação. Hoje, o modelo já está presente em mais de 100 lojas e representa aproximadamente 3% do faturamento da empresa.
Mais recentemente, a companhia também fechou uma parceria com o Mercado Livre, incorporando outra camada de Inteligência Artificial para integrar o marketplace e construir uma jornada mais eficiente para quem compra pelos canais digitais.
A tecnologia acelera, o humano decide
Apesar do avanço da IA, Celso acredita que existe um limite claro para a atuação da tecnologia: a construção da experiência continua sendo responsabilidade das pessoas.
“O humano deve sempre ditar as regras”, afirma. Porque a Inteligência Artificial entrega eficiência, velocidade e capacidade analítica, mas quando a situação exige empatia ou sensibilidade, é hora de o humano assumir.
“Quando percebe-se que é necessária uma sensibilidade, uma empatia com o cliente, tem que transbordar para o humano e o humano tomar as rédeas disso.”
O supermercado mudou
A transformação digital do varejo nem sempre aparece para quem está empurrando o carrinho. Mas ela acontece quando um produto é reposto na hora certa, quando uma promoção faz sentido para aquele momento ou quando um pedido online chega com rapidez.
Talvez, por enquanto, você não encontre robôs nos corredores ou veja os preços em telas digitais. Mas a revolução do varejo já está acontecendo nos bastidores, quando algoritmos ajudam a tomar milhares de decisões para que, na ponta, tudo pareça simplesmente funcionar.





