Ataques cibernéticos mais sofisticados, Open Finance em busca de maior adesão e um mercado de crédito que deve crescer de forma mais seletiva em 2026. Esses são alguns dos desafios que moldam o sistema financeiro brasileiro atualmente.
Em meio a esse cenário, recentemente, a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (ACREFI) lançou um Ecossistema de Cibersegurança e defende que o setor precisará equilibrar inovação, resiliência operacional e inclusão financeira nos próximos anos.
A iniciativa surge em um momento de aumento das ameaças digitais. Em 2025, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) registrou um aumento de 29% dos ataques cibernéticos registrados no Brasil. Segundo o Banco Central foram mais de 76 incidentes no sistema financeiro.
Segundo Cleber Martins, diretor-executivo da ACREFI, e um dos palestrantes confirmados no CCX Seminário 2026, o novo ecossistema não transforma a associação em uma provedora de tecnologia. O objetivo é conectar instituições financeiras – especialmente as de menor porte – a conhecimento, boas práticas e parceiros especializados, apoiando a implementação de exigências regulatórias cada vez mais complexas.
“Cibersegurança deixou de ser apenas um tema de TI e passou a ser uma agenda prudencial, reputacional e sistêmica, essencial para a confiança no Sistema Financeiro Nacional e para a proteção do consumidor“, afirma.
A expectativa é que a iniciativa evolua para incorporar novas frentes relacionadas à gestão de riscos, prevenção a fraudes e inteligência de dados. “Mas entendemos que, em temas críticos como cibersegurança, também é importante apoiar a transformação das diretrizes regulatórias em capacidade prática de implementação”, diz.
O desafio do Open Finance
Embora o Open Finance brasileiro seja considerado uma referência internacional em infraestrutura, governança e abrangência, a avaliação de boa parte do mercado é que o potencial do modelo ainda não foi plenamente capturado.
Para a ACREFI, o principal desafio está em transformar a infraestrutura construída em benefícios concretos para o consumidor.
“Ainda existem barreiras relacionadas à simplicidade da jornada do cliente e à conversão dos dados compartilhados em produtos e serviços com benefícios claros para o consumidor”, explica Martins.
O executivo avalia que a próxima fase do Open Finance dependerá menos da construção tecnológica e mais da criação de casos de uso capazes de gerar valor percebido pelo consumidor, como melhores condições de crédito, maior conveniência e ampliação da concorrência no sistema financeiro.
“Além disso, o Open Finance ainda é pouco compreendido por parte da população, especialmente em um país que enfrenta desafios relevantes de educação financeira.”
Crédito deve crescer com mais cautela
Após uma expansão próxima de 10% em 2025, o mercado de crédito brasileiro deve entrar em uma nova etapa. Na visão da ACREFI, o cenário de juros elevados e a inadimplência recorde exigirão maior disciplina na concessão de crédito e no gerenciamento de riscos.
A expectativa é que 2026 seja marcado por um crescimento mais qualitativo do que quantitativo, com foco em precificação adequada, recuperação de crédito, prevenção a fraudes e uso mais inteligente de dados.
“O desafio não é apenas crescer mais, mas crescer melhor: com maior eficiência, inovação responsável e crédito sustentável ao longo do ciclo econômico”, destaca.
Para a entidade, o Sistema Financeiro Nacional vive um momento de transformação impulsionado pela digitalização, pelo Open Finance, pela Inteligência Artificial e pelas novas exigências regulatórias.
“O desafio é preservar a solidez e a segurança que caracterizam o sistema brasileiro, ao mesmo tempo em que se amplia a concorrência, a inovação e a inclusão financeira”, explica.
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