Segundo a pesquisa Desbloqueando o potencial da IA no Brasil, realizada pela AWS, mais da metade das startups brasileiras (53%) já utilizam Inteligência Artificial (IA), e 31% desenvolvem novos produtos com base nessa tecnologia. O estudo aponta ainda que 78% acreditam que a IA transformará seu setor nos próximos cinco anos.
Entre as startups, a IA não é apenas aplicada – é base para inovação. 22% consideram a tecnologia essencial para suas operações e 29% usam IA para aplicativos avançados, acima da média nacional de 12%. O ambiente brasileiro também favorece essa evolução. De acordo com a pesquisa, 70% consideram o País competitivo para startups, destacando o ecossistema (40%) e o acesso a mercados globais (39%).
Barreiras para startups
Para Karina Lima, head de Startups da AWS no Brasil, mesmo com mais da metade das startups brasileiras usando IA no País, barreiras como cultura organizacional e capacitação afetam esse crescimento. “O potencial da IA é muito conhecido pelas empresas. No entanto, há dificuldade de lidar com infraestrutura de dados e excesso de informação, além do receio de realizar investimentos a longo prazo”, diz.
A executiva percebe também um crescente interesse de investidores, governos e corporações em fomentar esse ecossistema. Mas, ainda é preciso superar alguns obstáculos. “A nossa pesquisa aponta que as empresas ainda enxergam entraves. A burocracia regulatória e a dificuldade de acesso a investimento em estágios iniciais tornam o caminho mais árduo”, frisa.
Além disso, Karina afirma que é necessário um ambiente que incentive a formação de talentos em ciência de dados, Machine Learning e engenharia de IA, aliado a políticas públicas que facilitem parcerias e investimento. “Isso certamente aceleraria a evolução”, pontua.
Potencializando o uso de IA em startups
Olhando para esses desafios, Karina conta que a AWS procura investir em programas que potencializem essas empresas para uso da IA. Como o AWS Activate, que ajuda startups a decolarem com expertise técnica e de negócios, além de créditos para testar e começar a construir soluções com pouco ou nenhum custo inicial. “Desde sua criação em 2013, o AWS Activate já forneceu mais de US$ 7 bilhões em créditos e ajudou mais de 330 mil startups em todo o mundo”, conta Karina.
Outros programas promovidos pela AWS também fazem esse papel, como o GAIA – Generative AI Accelerator. Com 8 semanas de duração, o projeto oferece suporte a startups em estágio inicial que utilizam IA generativa para resolver grandes desafios. O programa oferece estratégias de go-to-market personalizadas para IA generativa, otimização de infraestrutura de Machine Learning, e sessões de networking e demonstração com potenciais investidores e clientes. As startups selecionadas recebem até US$ 1 milhão em créditos da AWS para desenvolver seus produtos e serviços na plataforma, além de mentores dedicados de negócios e tecnologia, escolhidos de acordo com o setor e estágio da empresa.
A AWS também incentiva o networking desse ecossistema, por meio do GenAI Loft, espaço de apoio para startups promovido anualmente. A 2ª edição do evento aconteceu em São Paulo em setembro e reuniu startups, fundadores, desenvolvedores e entusiastas de IA para aprender, se conectar e construir soluções dentro do ecossistema AWS.
Outro programa destacado por Karina Lima é o AWS Treina Brasil. Ele é dedicado a treinamento massivo em habilidades de nuvem e IA voltado para estudantes, pequenas e médias empresas (PMEs) e empreendedores. Santander Brasil, Senai SC, Passaporte Refuturiza, Cartão de Todos, Ministério da Educação (Institutos Federais) e Instituto Caldeira integram a iniciativa. “O programa prevê capacitar 1 milhão de pessoas em todo o País, gratuitamente até o final de 2027, com o objetivo de preparar talentos para acelerar a transformação digital em empresas e organizações do setor público”, complementa Karina.
O desafio dos dados
Em IA, análise, estruturação e organização de dados, bem como a obtenção de insights a partir dessas informações, ainda são grandes desafios para as empresas – sejam elas startups ou não. Os dados se transformaram em um ativo estratégico para as organizações e servem como guia para tomada de decisão hoje.
No entanto, Karina alerta que o maior erro das empresas com dados é “não enxergar as informações de maneira tão estratégica”. “Em mentorias e capacitações para startups, nosso conselho é ter uma estratégia de dados desde o início para que se tenha uma visão clara de como eles podem gerar valor”, afirma.
Outro erro em IA, segundo Karina, é querer investir em tecnologias avançadas sem antes avaliar se elas são o melhor para o negócio em questão. “É preciso analisar adaptabilidade, qualidade, integração e governança de dados ao optar por soluções de IA. Não necessariamente a mais inovadora vai te atender, mas opte pela que mais se adeque ao seu negócio, baseando decisões em evidências estruturadas”, pontua.
É preciso superar o atendimento robotizado
Mesmo com agentes de IA generativa para atendimento sendo tratados como um dos grandes avanços em IA na experiência do cliente, a impressão que temos é que ainda existe muito atendimento robotizado e pouco inteligente. “É verdade que ainda predominam sistemas bastante robotizados, que executam tarefas simples e roteirizadas, sem oferecer uma interação realmente inteligente e personalizada”, acrescenta Karina avaliando que se trata de “uma fase inicial”, mas com grande potencial de evolução.
Para isso, a AWS conta com o Amazon Connect, solução pensada para facilitar a inovação contínua, com métricas em tempo real, análises avançadas e integração com outras soluções da companhia que fortalecem a capacidade das empresas de se adaptarem rapidamente às necessidades dos clientes e do mercado. Karina explica que nesse ecossistema, o uso de IA generativa combinado com Machine Learning e análise de dados, oferece ganhos significativos em agilidade, assertividade e satisfação do cliente, ainda que seu uso no Brasil esteja em expansão.
“Acredito que, com investimentos contínuos em tecnologia e capacitação, somados a uma cultura organizacional aberta à inovação, veremos em breve uma aceleração da adoção de agentes de atendimento realmente inteligentes que elevam a experiência do cliente a um novo patamar”, afirma a executiva.
IA mais horizontal e acessível
Evidente que o avanço da IA acontece em uma velocidade surpreendente. E toda empresa enfrenta desafios próprios para acompanhar esse ritmo. Quando colocamos tudo isso em perspectiva, fica difícil cravar qual será a grande inovação em IA nos próximos anos que ajudará ainda mais as empresas em seus negócios.
Para Karina, 2025 foi o ano dos agentes de IA, e eles seguirão com grande potencial de futuras inovações. “Com a especialização de agentes multitarefas, veremos IAs capazes de executar diferentes funções dentro de um mesmo fluxo de trabalho, indo além das respostas isoladas e passando a atuar como verdadeiros assistentes digitais especializados em áreas como finanças, saúde, logística e atendimento”, aponta. Outra tendência para Karina são pequenos modelos de linguagem (SLMs) mais sustentáveis. “A busca por eficiência energética e menor custo computacional vai tornar os modelos de linguagem mais acessíveis. Permitindo, assim, que empresas de médio e pequeno porte também possam adotar soluções avançadas sem depender exclusivamente de grandes estruturas tecnológicas”, afirma.
Em meio a tudo isso, os próximos anos revelarão um uso mais “horizontal e acessível” da IA. Para Karina, esse será um ponto de mudança drástico para todas as empresas. “Uma vez que a tecnologia se disseminará de forma mais democrática, integrando-se a diferentes processos de negócios, se tornará parte natural da rotina corporativa”, conclui.





