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O que a Geração Z busca no mercado imobiliário

O que a Geração Z busca no mercado imobiliário

Lançamentos crescem 8,2%, vendas sobem 12,2%, mas, em um cenário de elasticidade financeira limitada, a Geração Z exige soluções flexíveis do setor.
Foto: Shutterstock.
O mercado imobiliário brasileiro cresce em 2026 com 500.672 lançamentos (+8,2%) e 518.208 vendas (+12,2%), apesar de oferta final em queda 1,4% e 46% vendo 2025 como difícil; Geração Z se destaca com 47% pesquisando imóveis, 55% dependendo de financiamento e 51% influenciados por criadores no Instagram, enquanto outras tendências impactam o setor. Confira tudo no estudo inédito e na entrevista exclusiva com o presidente da ABRAINC.

O mercado imobiliário brasileiro vive um momento de contrastes promissores para 2026, conforme estudo da Brain Inteligência Estratégica em parceria com a Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (ABRAINC). Nos últimos 12 meses, o setor registrou 500.672 unidades lançadas, alta de 8,2%, e 518.208 vendidas, crescimento de 12,2%. No entanto, a oferta final recuou 1,4%, sinalizando desafios na entrega em meio à inflação e instabilidade econômica.

Para 46% dos brasileiros, 2025 foi um ano difícil para o setor, especialmente para as faixas de renda entre R$ 10 mil e R$ 20 mil. Dois terços dos entrevistados viram a economia piorar no período, e metade reduziu o consumo devido à alta de preços. Preocupações como violência (61%) também pesam nas decisões de compra. Ainda assim, 77% esperam estabilidade ou melhora nos próximos 12 meses, o que alimenta o otimismo para o futuro.

Geração Z lidera intenção de compra

A Geração Z surge como protagonista dessa retomada. 47% desses consumidores já estão pesquisando online ou visitando stands de venda, sinalizando alta intenção de compra nos próximos 24 meses. Esses jovens dependem fortemente de financiamento bancário – 55% pretendem usá-lo, sendo 50% sem condições de compra à vista – e planejam comprometer até 43% da renda mensal com parcelas. O valor da entrada é a maior barreira para 48% deles, em um cenário de elasticidade financeira limitada.

Influenciadores digitais estão acelerando a tomada de decisões. 59% dos consumidores usam o Instagram como plataforma principal para ver marcas, produtos e serviços, com 43% passando mais de 3 horas diárias em telas. Nada menos que 51% da Geração Z já comprou produtos por recomendação de criadores de conteúdo, contra apenas 15% dos Baby Boomers. Vídeos curtos e stories impulsionam escolhas imobiliárias, redefinindo o CX no setor.

A busca por um ativo sólido

Luiz França, presidente da ABRAINC.

Segundo Luiz França, presidente da ABRAINC, o interesse da GenZ pelo patrimônio – e não só por moradia – vem da maturidade financeira: a busca por um ativo sólido. “Esses jovens demonstram uma maturidade financeira precoce. Buscam um ativo financeiro sólido. Eles também priorizam agilidade e eficiência e imóveis em bairros com infraestrutura completa, conectados e que tragam sensação de segurança e estabilidade”, explica.

Outro fator que tem atraído esse público, segundo Luiz, é a disparada do custo do aluguel – que subiu aproximadamente 75% entre 2021 e 2025, de acordo com números do FIPEZAP. Valor acima da inflação oficial (IPCA) no mesmo período, que foi de 33,1%.

“Dessa forma, ao comprar um imóvel, o proprietário beneficia-se de duas frentes de ganho que, somadas, superam largamente aplicações financeiras tradicionais, como a Selic. Enquanto aquele que opta pelo aluguel pode enfrentar desafios na preservação do seu poder de compra, uma vez que os índices de reajuste locatício tendem a superar a inflação média”, avalia o presidente da ABRAINC.

Motor de vendas para a GenZ

Ainda sobre a GenZ, Luiz percebe que é fundamental compreender o impacto no mercado exercido pelos influenciadores – e que isso não é um fenômeno passageiro.

“Trata-se de uma mudança estrutural em todos os mercados, inclusive no imobiliário. O setor está em plena evolução para consolidar o que chamamos de jornada 360°, na qual a tecnologia deixa de ser um acessório e passa a ser o motor de vendas, unindo a credibilidade dos criadores de conteúdo com ferramentas de ponta”, frisa Luiz.

Para ele, a Geração Z tem forte apreço pela conveniência tecnológica também no setor imobiliário. É o grupo que mais valoriza o horário flexível e a disponibilidade 24h da IA na jornada de compra e de atendimento ao cliente.

Luxo discreto

No segmento de luxo, o quiet luxury ganha força entre compradores de alta renda. Eles buscam eficiência com materiais naturais, painéis solares e conexão com a natureza, fugindo da ostentação. Projeções para 2026 apontam metragens menores, mas com qualidade superior, foco em localização e conceituação personalizada – alinhadas a tendências globais de conforto discreto, especialmente em capitais como São Paulo.

Esses movimentos revelam oportunidades para incorporadoras adaptarem o atendimento ao consumidor jovem e digital, priorizando financiamentos flexíveis e narrativas autênticas nas redes.

Nesse contexto, Luiz aponta que outra grande tendência no Brasil, em comparação a mercados globais, é a consolidação do compact premium, que une metragem mais enxuta a localização privilegiada, em bairros com infraestrutura consolidada, mobilidade, comércio e serviços no entorno.

“Mais do que apartamentos menores, trata-se de projetos com plantas inteligentes, áreas comuns qualificadas e estrutura adequada ao trabalho remoto”, acrescenta.

Esse movimento está alinhado ao conceito de “cidade de 15 minutos”. Criado pelo urbanista Carlos Moreno em 2016, ele propõe que todos os serviços essenciais para as pessoas – como moradia, trabalho, comércio, saúde, educação e lazer – estejam acessíveis em até 15 minutos a pé ou de bicicleta. O modelo ganhou força em cidades como Paris e Barcelona.

Senior living como tendência

Outra tendência nas grandes metrópoles, segundo Luiz, é o senior living. Empreendimentos imobiliários projetados para pessoas a partir de 60 anos. Eles contam com adaptações arquitetônicas, serviços de saúde, lazer e monitoramento para promover a longevidade ativa.

“Com a transição demográfica em curso, cresce a demanda por empreendimentos voltados a um público mais maduro, que busca acessibilidade, convivência, serviços e integração à vida urbana, abrindo espaço para novos modelos de negócio no setor”, conclui o executivo.

São tendências de um mercado em que novos comportamentos e modelos de financiamento se convergem. A pergunta é: e as cidades estão preparadas?

Diante de todos os problemas que acompanhamos nos últimos meses em relação a infraestrutura, como em São Paulo, por exemplo, aquilo que cada público avaliado nesse estudo busca está à altura do que a cidade oferece? Essa conta fecha? Tendências e demandas aceleram mercados. Mas, no caso do setor imobiliário, as cidades e sua infraestrutura também precisam andar e se desenvolver no mesmo ritmo.


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