As fraudes digitais avançam no Brasil e de maneira cada vez mais estruturadas. Mais da metade da população (51%) economicamente ativa já foi vítima de algum golpe ou fraude. Isso coloca o Brasil como realmente um dos países mais complexos no que diz respeito a fraudes e golpes.
Dados da primeira edição do Mapa da Fraude, divulgado em coletiva de imprensa na manhã de hoje,18, pela Serasa Experian, mostram que quase 1,5 milhão de tentativas de fraude em cadastros e validações de identidade foram identificadas no primeiro trimestre de 2026. O volume representa um crescimento de 36,6% em relação ao mesmo período do ano passado e equivale a uma tentativa a cada cinco segundos.
Segundo a Datatech, o volume equivale a cerca de uma tentativa a cada 5 segundos e poderia gerar prejuízos de até R$ 1,98 bilhão para consumidores e empresas caso não fosse impedido.
“A fraude começa antes mesmo da ação, da transação ou da perda financeira; ela inicia no momento em que anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos começam a ser publicados nesse ecossistema digital. Isso cria o ambiente para tentar levar o bom consumidor a estar suscetível a esse golpe e passar a ser uma vítima de todo esse movimento que os fraudadores fazem”, afirmou Rodrigo Dhaese, diretor de autenticação e prevenção à fraude da Serasa Experian, durante a apresentação do levantamento.
Setor financeiro concentra maior parte das ocorrências
O estudo mostra que seis em cada dez tentativas de fraude de identidade ocorreram em instituições financeiras, incluindo bancos, emissores de cartão, meios de pagamento e empresas de crédito.
Entre os segmentos analisados, a categoria de meios de pagamento liderou o volume de ocorrências, com 644.586 tentativas registradas no trimestre. Em seguida aparecem telefonia, com 313.200 casos, e bancos e cartões, com 259.160.
Regionalmente, o Sudeste concentrou 38,5% das tentativas de fraude identificadas no período. Apenas o estado de São Paulo respondeu por 15,8% do total nacional, com mais de 230 mil ocorrências.
A maior parte dos ataques também teve como alvo a população economicamente ativa. Pessoas entre 17 e 60 anos concentraram 70,7% das tentativas de fraude de identidade registradas pela companhia.

IA amplia alcance dos golpes
De acordo com a Serasa Experian, a Inteligência Artificial tem atuado como um dos principais fatores de transformação do cenário de fraudes digitais. Ferramentas de IA generativa permitem criar golpes mais personalizados e convincentes, além de potencializar o uso de deepfakes e conteúdos falsos em larga escala.
Outro fenômeno apontado pelo levantamento é o crescimento do chamado “fraud as a service” (fraude como serviço), modelo em que criminosos desenvolvem métodos para explorar vulnerabilidades e comercializam esses recursos para outros fraudadores em ambientes da deep web e da dark web.
Além disso, o uso de identidades sintéticas, criadas a partir da combinação de informações verdadeiras e falsas, tem aumentado a pressão sobre os sistemas de autenticação e prevenção.
“O fraudador, quando encontra uma brecha, não utiliza essa informação apenas para benefício próprio. Ele empacota esse conhecimento, cria um roteiro e compartilha com outros criminosos, ampliando a escala das fraudes”, explicou Dhaese.
Grupos de fraude crescem 139%
Na camada de cibersegurança, a Serasa Experian identificou mais de 10 mil anúncios, perfis, páginas e aplicativos falsos no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 8,3% em comparação ao mesmo período de 2025.
O levantamento também detectou 19,7 milhões de mensagens associadas a golpes, o equivalente a 152 mensagens por minuto, além de quase 2 mil grupos dedicados à circulação e troca de conteúdo fraudulento. O número representa uma alta de 139% na comparação anual.
Para a companhia, o crescimento desses grupos evidencia uma mudança de patamar na atuação dos criminosos, que passam a operar de forma mais organizada e colaborativa.
“A fraude está cada vez mais estruturada. Não se trata apenas de uma mensagem suspeita chegando ao consumidor, mas de um ecossistema de anúncios, perfis, páginas, aplicativos e grupos que sustentam a disseminação das tentativas”, destacou o executivo.

E-commerce registra uma tentativa de fraude a cada 21 segundos
O estudo também analisou o ambiente transacional do comércio eletrônico. No primeiro trimestre de 2026, quase uma em cada 100 transações realizadas no e-commerce brasileiro foi classificada como tentativa de fraude.
Ao todo, foram registradas mais de 368 mil ocorrências, o equivalente a uma tentativa a cada 21 segundos. As soluções antifraude evitaram perdas estimadas em R$ 337,9 milhões durante o período.
Os dados mostram ainda que os criminosos costumam direcionar esforços para compras de maior valor. O ticket médio das tentativas de fraude foi de R$ 917,52, valor 62% superior ao ticket médio de pedidos legítimos.
“Mesmo quando a taxa parece pequena, o impacto financeiro é relevante pela escala do comércio digital. É na transação que o fraudador tenta transformar a tentativa em dinheiro”, afirmou Dhaese.
Entre os segmentos com maior número absoluto de tentativas de fraude, a categoria de beleza liderou com 33,7 mil ocorrências, seguida por calçados (29,4 mil) e saúde (18,9 mil).
Já no ranking de maior risco proporcional, celulares ocuparam a primeira posição, com índice de 3,11%, seguidos por acessórios eletrônicos (2,62%) e eletrônicos (2,11%). Segundo a Serasa Experian, o resultado está relacionado ao alto valor agregado e à facilidade de revenda desses produtos.
Ecossistema mais seguro depende de prevenção
Para a companhia, o combate às fraudes vai além da proteção de uma transação específica e tem impacto direto na confiança dos consumidores e na reputação das empresas.
“Quando evitamos uma fraude, protegemos pessoas, negócios e relações de confiança. Um consumidor fraudado pode deixar de utilizar determinado canal. Uma empresa impactada pode sofrer danos à sua marca. Garantir um ambiente seguro beneficia todo o ecossistema”, concluiu Dhaese.
O levantamento também aponta que o segmento de apostas esportivas registrou crescimento expressivo nas tentativas de fraude em cadastros digitais, com volume quase 15 vezes maior do que o observado no mesmo período de 2025.





