Enquanto empresas lidam com o desafio de compreender as prioridades de duas gerações que já representam uma parcela expressiva da força de trabalho, as gerações Z e Millennials revisam o significado de sucesso. Comprar uma casa, assumir cargos de liderança e formar uma família deixaram de ser prioridades automáticas diante da pressão financeira, da busca por bem-estar e das transformações no mercado de trabalho.
É o que revela a 15ª edição do estudo “2026 Gen Z and Millennial Survey”, da Deloitte, realizado com quase 23 mil pessoas em 44 países. No Brasil, participaram 804 entrevistados, sendo 501 da Geração Z e 303 millennials.
Os dados mostram que a insegurança financeira continua influenciando decisões importantes. Entre os brasileiros, 45% dos integrantes da geração Z e 36% dos millennials afirmam ter adiado planos relevantes por causa da situação econômica. A aquisição da casa própria está entre os principais obstáculos. No Brasil, 39% dos Gen Z e 26% dos millennials brasileiros não acreditam ter condições de comprar um imóvel.
Cerca de um terço dos entrevistados no Brasil afirma viver com o orçamento apertado, dependendo integralmente da renda mensal para cobrir gastos essenciais.
“Diante da pressão econômica, aumento do custo de vida e rápidas mudanças tecnológicas, muitos GenZ e millennials estão optando por primeiro investir em si mesmos, em suas habilidades, estabilidade e bem-estar, antes de se comprometer com papéis profissionais ou sociais que parecem insustentáveis”, explica afirma Roberta Yoshida, sócia-líder de soluções de Human Capital e líder de People & Purpose da Deloitte.
“Os resultados da pesquisa deste ano mostram que essas gerações são adaptáveis, pragmáticas e intencionais quanto ao progresso, mesmo com todas as mudanças pelas quais vêm passando”, complementa.
Segurança, clima e saúde mental entram no radar
Além das preocupações financeiras, outras questões ganham relevância entre os jovens adultos brasileiros. A segurança aparece entre as principais inquietações para 27% da Geração Z e 34% dos millennials.
As mudanças climáticas também ocupam posição de destaque, sendo apontadas por 22% dos Gen Z e 24% dos millennials. Já a saúde mental preocupa 21% e 25% dos entrevistados, respectivamente, indicando que temas ligados ao bem-estar emocional e à sustentabilidade passaram a influenciar decisões pessoais e profissionais.
Outro achado do estudo sinaliza uma mudança importante na forma como essas gerações avaliam sucesso e qualidade de vida, ampliando o olhar para além da remuneração e da progressão na carreira.
Além disso, o desejo de crescimento profissional permanece presente, mas a busca por cargos de liderança deixou de ser prioridade imediata.
Segundo a pesquisa, 69% da Geração Z e 74% dos millennials têm interesse em assumir posições de liderança ao longo da carreira. No entanto, apenas 6% e 8%, respectivamente, apontam esse objetivo como prioridade atual.
“O interesse pela liderança permanece, mas não é mais urgente. Os resultados deste ano seguem consistentes com que já vimos na pesquisa anterior: os profissionais da Geração Z e millennial avaliam com cuidado as oportunidades antes de buscar uma promoção. A busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e trabalho têm um grande peso nessa decisão. Assumir um papel de líder passa a ser atrativo somente quando é sustentável”, explica Yoshida.
O estudo também mostra que o senso de propósito continua sendo um fator decisivo para a satisfação profissional. Praticamente todos os entrevistados relacionam propósito à realização no trabalho. Além disso, amizades construídas no ambiente corporativo seguem relevantes: 81% dos Gen Z e 76% dos millennials afirmam que ter amigos no trabalho aumenta sua felicidade.
IA acelera adaptação profissional
A pesquisa aponta ainda que a inteligência artificial já faz parte da rotina da maioria dos profissionais brasileiros dessas gerações.
O uso da tecnologia no trabalho foi citado por 87% dos integrantes da Geração Z e 91% dos millennials. Além disso, oito em cada dez entrevistados afirmam se sentir confiantes para utilizar ferramentas de IA, índices superiores à média global.
O avanço da tecnologia também impulsiona a busca por capacitação. Cerca de um terço dos entrevistados já realizou algum treinamento relacionado à inteligência artificial, enquanto quase metade da Geração Z e mais da metade dos millennials continuam investindo em novos aprendizados sobre o tema.
Mais de 90% dos participantes avaliam que a IA gera impactos positivos tanto na vida pessoal quanto na profissional.
“O uso de novas tecnologias é parte indissociável das atividades profissionais das gerações Z e millennial. Por isso, a inteligência artificial não é só uma ferramenta de trabalho, como também uma forma de encontrar novas oportunidades de aprendizado, buscar orientação e conselhos de carreira e, ainda, ajudar a lidar com situações de estresse”, afirma Yoshida.
Estresse elevado
Apesar dos desafios econômicos e profissionais, a maioria dos entrevistados avalia sua saúde mental de forma positiva. No Brasil, 66% da Geração Z e 70% dos millennials classificam sua saúde mental como boa ou muito boa.
O dado, entretanto, convive com um cenário de pressão constante. Aproximadamente três em cada dez respondentes afirmam sentir estresse quase o tempo todo.
As maiores fontes de preocupação estão relacionadas ao bem-estar da família e à estabilidade financeira de longo prazo. Entre os fatores profissionais, destacam-se as longas jornadas de trabalho, a falta de reconhecimento e a sobrecarga de tarefas.
A pesquisa também revela um desafio para as empresas: 62% da Geração Z e 65% dos millennials afirmam não se sentir confortáveis para conversar sobre saúde mental com seus gestores.
Para Roberta tanto os GenZ quanto os millennials estão se adaptando a um mundo que sempre demandou resiliência, desde sua entrada no mercado de trabalho, e analisando como devem navegar as incertezas, considerando os riscos e retornos que cada decisão traz.
“A forma como essas gerações enxergam o sucesso e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional vai ajudar a moldar as relações para a próxima. O que cada geração precisa e espera do trabalho vai continuar evoluindo e as empresas precisam acompanhar essa transformação e esse ritmo para garantir não só sua própria continuidade, mas uma força de trabalho engajada, feliz e mentalmente saudável – atributos que ganharão mais peso a cada geração que chega”, conclui Roberta Yoshida.





