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“Não me mimei”: será o fim do consumo romantizado?

“Não me mimei”: será o fim do consumo romantizado?

Em um cenário global em transformações, fim do consumo romantizado pode levar a ascensão da economia de experiência.
Foto de Ross Sneddon na Unsplash.
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Foto de Ross Sneddon na Unsplash.

Aceleração da evolução tecnológica, crises de saúde mental, polarizações e redefinições de valores sociais são alguns dos acontecimentos que têm marcado o cenário global. Diante de tais questões, uma área também é afetada: o consumo, que sempre refletiu os movimentos da sociedade. Nesse contexto de transformações aceleradas e incertezas, os consumidores se tornam mais exigentes. Além disso, passam a priorizar práticas mais éticas e autênticas. Nesse sentido, o relatório “Consumidor do Futuro 2026”, elaborado pela WGSN, traz insights sobre os perfis que impulsionarão mudanças nos próximos anos.

A pesquisa identifica quatro categorias principais de consumidores: Imparciais, Autônomos, Esperançosos e Sinérgicos. Cada grupo apresenta demandas específicas e abre novas possibilidades para marcas e varejistas que desejam conquistar relevância e fidelidade.

Os 4 perfis de consumidores do futuro

Em um mundo saturado por desinformação, os Imparciais se destacam por valorizar a honestidade. Esses consumidores são avessos a narrativas glamorosas e buscam comunicação clara e objetiva. Para atender a essa demanda, marcas precisam priorizar vendas otimizadas e práticas transparentes que inspirem confiança.

Os Autônomos traçam seus próprios caminhos, rejeitando normas tradicionais e buscando propósito em coletivos de apoio. Essa postura reflete uma resistência às estruturas convencionais de consumo e aponta para a necessidade de produtos e serviços que promovam individualidade e autenticidade.

Os Esperançosos representam um grupo que redefine o sucesso e a felicidade em uma escala mais pessoal. Impactados pelo burnout e pelo aumento do custo de vida, esses consumidores celebram pequenas conquistas e priorizam o cuidado próprio e coletivo. A tendência reflete um movimento em direção à revitalização rural e à valorização das “famílias de consideração”, laços não baseados em vínculos sanguíneos.

Os Sinérgicos combinam curiosidade e responsabilidade, buscando integrar o mundo online e offline. Essa fusão propõe uma visão de simbiose entre humano e tecnologia, desafiando marcas a explorar contrafluxos culturais e inovação tecnológica de maneira inclusiva.

O consumidor do futuro e fim do consumo romantizado

Segundo a WGSN, à medida que a Geração Z enfrenta os impactos de uma recessão prolongada e se concentra em viver o presente como uma forma de fuga, a chamada cultura do mimo ganha força. Essa prática envolve a busca por prazeres simples, como adquirir itens ou investir em experiências que proporcionem alegria imediata e impulsionem o bem-estar. Dados indicam que 58% da Geração Z e 52% dos Millennials se identificam como compradores emocionais, revelando uma geração que, cada vez mais, reflete sentimentos de niilismo e desesperança em suas atitudes financeiras.

Apesar de muitos recorrerem à cultura do mimo como uma válvula de escape e forma de amenizar os desafios da rotina, sinais apontam que uma mudança está em curso. Essa transformação deverá impactar significativamente o comportamento de consumo nos próximos anos.

As emoções desempenham um forte papel nas decisões de compra, alguns elementos moldam o comportamento dos consumidores, como: globalização, hiperconectividade e a chamada policrise – a ocorrência simultânea de várias crises interconectadas. Isso resulta no conceito de “consumo romantizado”.

Mas, de acordo com previsões da WGSN para 2026, um sentimento pode mudar esse cenário: o anseio. Esse estado emocional está relacionado às dificuldades enfrentadas nos últimos anos, como a necessidade de abrir mão de sonhos ou lidar com perdas significativas, incluindo empregos, moradias e até entes queridos. Em resposta, as pessoas buscarão novas fontes de conforto. O foco estará na celebração de pequenas conquistas e no cultivo de hábitos mais saudáveis. Como resultado, o consumo romantizado perderá força e dará lugar a um comportamento mais consciente e significativo.

Tendências como o de-influencing e os desafios de moda sem compras, amplamente discutidos no TikTok, já antecipam essa mudança. Até 2026, o questionamento sobre compras impulsivas deve se intensificar. Com isso, exigirá que marcas se adaptem a essa nova mentalidade para se manterem relevantes e competitivas. Para o varejo, isso significa que novas estratégias deverão ser buscadas, como as que priorizam autenticidade, valores compartilhados e experiências que realmente conectem com as emoções e aspirações dos consumidores.

Economia de experiência

Nos próximos anos, estratégias que ultrapassam o modelo de varejo tradicional devem se consolidar como uma das principais fontes de crescimento para marcas, o que pode representar até 40% das receitas dos varejistas em 2027.

Nesse cenário, a economia de experiência promete ganhar novo fôlego e atrair consumidores que priorizam entretenimento e diversão. Mesmo diante de um cenário econômico desafiador, há uma clara mudança na preferência dos consumidores. Eles passarão a investir menos em bens materiais e mais em experiências. Dados indicam que essa tendência será especialmente forte no Brasil (52%) e na região da APAC (Ásia-Pacífico) (79%).

Nos Estados Unidos, 63% da Geração Z e Millennials afirmam preferir gastar em experiências do que economizar para a aposentadoria, enquanto 35% da Geração Z valorizam experiências de entretenimento acima de outras prioridades. Ainda de acordo com a WGSN, para acompanhar essa transformação, marcas de diferentes setores precisarão investir em iniciativas que dialoguem diretamente com a identidade, os interesses e a comunidade de seus consumidores. 

*Foto de Ross Sneddon na Unsplash.

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