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As pessoas diminuíram os cuidados contra o coronavírus?

As pessoas diminuíram os cuidados contra o coronavírus?

Após três meses de quarentena, há quem esteja abandonando os cuidados. Conversamos com a psicologa Natália Pesce sobre a mudança de comportamento e como melhorar a situação
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Desde que a quarentena começou, as pessoas precisaram se adaptar a uma nova rotina e novos comportamentos. A preocupação constante com a higiene das mãos foi uma das primeiras mudanças percebidas. Com a preocupação em se manter limpo e longe de uma contaminação, o álcool gel chegou a ficar em falta em supermercados e farmácias durante semanas.

Hoje, após três meses de isolamento social, é possível perceber outras mudanças comportamentais na população: alguns não estão mais tão preocupados com a situação. Outros fenômenos que estão afetando as pessoas são o cansaço da quarentena e o tédio durante o período, fazendo com que os cuidados sejam deixados de lado.

Em entrevista com Natália Pesce de Freitas, psicóloga proprietária da Clínica Ailee e voluntária do Instituto Horas da Vida, conversamos sobre o assunto. Confira abaixo.

As pessoas diminuíram os cuidados contra o coronavírus?

Crédito: Shutterstock

CONSUMIDOR MODERNO: No início da pandemia, diversas pessoas estavam procurando formas de melhorar a higiene contra o coronavírus. Agora, o que se vê são pessoas utilizando máscaras, mas sem desinfetar as mãos com tanta frequência como antes.  Qual o problema disso? O que causa essa mudança comportamental?

NATÁLIA PESCE: O problema se baseia no fato de uma parte da sociedade não dar a devida importância à prevenção de doenças. Ou seja, não se preocupar em se prevenir e acabar colocando sua vida em risco de contaminação ou também em prevenir que outras pessoas se contaminem – um sentimento de sociedade e solidariedade. Algumas hipóteses para essa mudança de comportamento podem ser: não entender que a prevenção é tão importante quanto a remediação, a dificuldade de manter uma frequência dos hábitos, descrença nas orientações, exaustão da quarentena, entre outras.

CM: Também há pessoas que estão começando a sair de casa com mais frequência e não utilizam a máscara corretamente. Como elas podem transformar práticas de segurança em hábitos?

NP: As mudanças para se adequar a este novo cenário ocorreram rapidamente, de forma obrigatória e sem previsão de fim, inviabilizando às vezes a aceitação pelas pessoas. Além disso, são práticas de segurança bem detalhistas e até “chatas” de seguir. Por isso, é importante entender que devemos nos cuidar, e tentar fazer de uma forma mais prazerosa, leve, e na maioria dos momentos porque, para a mente aderir um novo hábito, é necessário compreender que aquilo é benéfico, que tenha um propósito e que seja repetido pelo menos 21 dias seguidos.

CM: O fato de que antes o vírus era uma ameaça nova para o cérebro e agora já há mais informação, pode influenciar na mudança de comportamento?

NP: A mudança de comportamento pode ser influenciada a partir da instrução e conhecimento adquirido, ou seja, espera-se que quanto mais informação melhor será os comportamentos. Entretanto, não é isso que vemos em cem por cento dos casos. Pois, há ocasiões em que as pessoas têm instrução adequada, mas não executam por suas crenças limitantes, conceitos, falta de confiança, achismos.

CM: No começo da pandemia, muitas pessoas também se mostraram focadas em realizar projetos pessoais, meditação e praticar exercícios físicos. Nem todos conseguiram cumprir com as metas. Qual o motivo disso acontecer? Como voltar a ter motivação?

NP: Isso acontece porque temos dificuldade de lidar com frustração, erros e falhas. Quando iniciamos um projeto estamos cheios de expectativas, motivação, empenho e com o foco no resultado que nos inspira. Porém, ao longo do processo, passamos por falhas esperadas, porém, não elaboradas. Com isso, jogamos fora todo o trabalho que conquistamos até aquele momento por apenas um dia não executado, por exemplo. Portanto, a volta da motivação se dá primeiro pela aceitação de que a tentativa de executar qualquer projeto tenha como possibilidade o erro e o acerto; e segundo não desistir de continuar por apenas uma falha, reconhecer todo o esforço realizado e aproveitá-lo para se motivar a seguir em frente, até porque há novas oportunidades de continuar no dia seguinte.

CM: Por outro lado, há quem realmente esteja sentindo exaustão da quarentena e problemas com a “solidão”. Como combater esses sentimentos ?

NP: A quarentena vem nos colocando em um novo cenário. No mesmo ambiente, que é a nossa casa, precisamos assumir diversos papéis – donos de casa, trabalhadores, pais, filhos, etc. Além disso precisamos nos preocupar com os cuidados, emoções e preocupações. Seria interessante que colocássemos uma rotina, independente de quais atividades iremos executar no dia. O corpo precisa de horários, sincronicidade. Também seria importante que houvesse uma reavaliação das suas vidas, pensando se realmente antes da pandemia éramos alguém solitários ou se ficamos solitários. Frequentemente as pessoas acreditam que antes tinham uma vida movimentada com muitos amigos. Mas, não precisamos estar em uma pandemia para repensar se realmente temos amigos ou apenas conhecidos. Então, manter o contato, mesmo sendo online, oferece essa reflexão e também aproximação.


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