/
/
Creator Economy: negócios, caos criativo e o impacto da IA

Creator Economy: negócios, caos criativo e o impacto da IA

A evolução da Creator Economy no Brasil mostra que, cada vez mais, autenticidade e humanidade são essenciais para conexão com o público.
A evolução da Creator Economy no Brasil mostra que, cada vez mais, autenticidade e humanidade são essenciais para conexão com o público.
Foto: Shutterstock.
A maturidade da Creator Economy brasileira foi evidenciada no YOUPIX Summit 2025. O evento mostrou como autenticidade, velocidade e Inteligência Artificial moldam o futuro da comunicação entre marcas e gerações Z e Alpha. O equilíbrio entre criatividade humana e uso da IA surge como desafio central para manter relevância e originalidade no mercado.

O novo cenário da Creator Economy traz consigo tanto oportunidades quanto dilemas. A descentralização da produção de conteúdo democratizou a influência, mas também acelerou um ciclo de mudanças quase impossível de acompanhar. Criadores, marcas e plataformas disputam relevância em um ambiente no qual a autenticidade virou ativo. É nesse contexto em constante mutação que surgem discussões fundamentais sobre o papel da criatividade, da tecnologia e da Inteligência Artificial na formação da cultura contemporânea.

A minha participação no YOUPIX Summit 2025, para mim, foi mais do que mediar um painel ou encontrar colegas de mercado. Foi um exercício coletivo de enxergar o presente da Creator Economy e antecipar os rumos que ela deve seguir nos próximos anos. A cada debate, palestra ou conversa de corredor, ficou evidente que estamos vivendo o crescimento e a maturidade da Creator Economy no Brasil, bem ali, no ao vivo.

Esse encontro foi também um termômetro cultural. Mais do que olhar para as estratégias de marcas ou para as métricas de campanhas, o Summit nos convidou a refletir sobre como a comunicação digital se transformou em espelho da sociedade. A forma como consumimos, produzimos e nos relacionamos nas redes sociais não é apenas entretenimento: é a materialização de valores, ansiedades e desejos coletivos. Essa percepção é o que torna a Creator Economy tão única: ela é, ao mesmo tempo, indústria e movimento cultural.

Geração Z e Alpha e a estética do caos

No painel que mediei, com o título Nem cringe, nem boomer: como marcas podem se comunicar com GenZ e Alpha sem parecer forçadas, percebi o quanto a estética do caos, os memes e o absurdismo se tornaram linguagens centrais dessas gerações. O que pode parecer desorganizado ou superficial, na verdade, é uma forma de lidar com um cenário marcado por policrises. Para a GenZ e a Alpha, rir do absurdo é rir do cotidiano. Isso não significa alienação, mas sim um modo de traduzir complexidades em códigos compreensíveis, compartilháveis e, principalmente, relacionáveis.

Esse caos criativo não é um acidente: ele é um reflexo da maneira como essas gerações foram formadas. A GenZ cresceu em meio à instabilidade política, à crise climática, às transformações tecnológicas constantes e a um mercado de trabalho em mutação. Já a Alpha nasce em um mundo hiperconectado, 100% nativa digital, e que acompanha a rápida evolução da IA. Para esses jovens, a vida nunca foi linear e sua forma de expressão acompanha essa lógica fragmentada e, ao mesmo tempo, inovadora.

Voz dos criadores

Ao ouvir criadores como Sofia Santino, Ciclopin e Doarda, entendi de forma ainda mais clara que não há espaço para fórmulas prontas. Quando uma marca tenta impor um roteiro publicitário engessado, produto nos primeiros segundos, falas padronizadas, excesso de branding, ela perde justamente aquilo que deveria buscar: a conexão orgânica. A GenZ tem um radar apurado contra qualquer tentativa de forçação. O conselho da Sofia resumiu isso bem: “contratem pessoas da Geração Z”.

Essa fala resume uma verdade que muitas empresas ainda relutam em aceitar: não adianta apenas falar sobre uma geração, é preciso incluí-la nos processos de decisão. Marcas que insistem em traduzir a linguagem dos jovens sem tê-los na sala de criação caem em caricaturas e perdem credibilidade. A autenticidade, nesse contexto, não é apenas estética; é estrutural. Ela começa no time, na escuta ativa e na disposição de abrir mão de velhas certezas para dar espaço ao novo.

O tempo 

Outro aprendizado valioso foi sobre o tempo. Enquanto as marcas ainda debatem aprovações internas, as conversas nas redes sociais já mudaram. Como bem colocou o Ciclopin, é preciso agilidade para aproveitar o timing dos assuntos, sob pena de perder relevância. Já a Doarda reforçou algo que levo comigo: precisamos ser menos “TV” e mais humanos.

Essa questão do tempo talvez seja uma das maiores dores entre marcas e creators. O modelo tradicional de comunicação, baseado em cronogramas extensos, planejamentos trimestrais e camadas de aprovação, simplesmente não dialoga com a lógica das redes. Hoje, a janela de relevância de um meme ou de uma trend pode ser de horas. Quem não entra na conversa com rapidez, perde a chance de participar da construção cultural daquele momento. É uma mudança de mentalidade radical: mais do que planejar, é preciso estar disposto a improvisar.

A presença inevitável da Inteligência Artificial

Se o caos criativo foi um tema forte, não posso deixar de mencionar o outro grande fio condutor do evento: a Inteligência Artificial. Criadores já a utilizam para roteirizar conteúdos, editar vídeos, testar formatos, enquanto marcas começam a explorar ferramentas de automação para análise de comportamento e personalização de campanhas. A questão que fica não é se a IA será usada, mas até onde iremos com ela.

O mais interessante é que a IA não apareceu apenas como ferramenta, mas como ponto de debate ético e cultural. Muitos creators com quem conversei expressaram entusiasmo, mas também receio. Por um lado, ela democratiza a produção: qualquer pessoa, mesmo sem equipamentos sofisticados, pode criar vídeos, imagens ou roteiros de qualidade. Por outro, há o risco de apagar nuances humanas e de transformar a criatividade em um fluxo de outputs cada vez mais previsíveis.

Criatividade vs. homogeneização

Minha leitura é que a Inteligência Artificial pode ser um catalisador da criatividade, mas também um risco de homogeneização. Se todos utilizarem as mesmas ferramentas, corremos o perigo de transformar a originalidade em padrão, em comunicação pasteurizada, o qual muda a marca, mas tudo se mantém igual. O grande desafio será equilibrar eficiência com singularidade, sem que a voz autêntica dos criadores se perca em meio a prompts automatizados.

O desafio para marcas e creators será encontrar o ponto de equilíbrio. A IA deve ser vista como parceira e não como substituta. Ela pode liberar tempo para que os profissionais se concentrem no que realmente importa: pensar histórias, gerar impacto cultural, criar narrativas que ressoem. O risco está em deixar que o fascínio pela tecnologia faça com que esqueçamos o papel humano nesse processo. Em outras palavras: eficiência sem emoção não engaja.

O evento foi um grande farol para resgatarmos tudo que evoluímos na Creator Economy brasileira, e demarcar os caminhos que podem ser trilhados em meio à tantas novas tendências e possibilidades. O nível das discussões dos mais de 150 palestrantes foi ainda mais alto que nos anteriores, demonstrando avançado estágio de maturidade, e mudanças significativas nas relações de todos os stakeholders desse ecossistema: sejam marcas anunciantes, criadores, agências, empresas fornecedoras, plataformas, e mais.

Para trabalhar nesse mercado, não precisa ser criador e estar frente às câmeras. Ao contrário, a quantidade de profissionais nos bastidores, soluções e empresas que surgem para atender o ecossistema, só reforça que é um mercado promissor, e que tende a impactar ainda mais o PIB brasileiro.

Não à toa que 76% da Geração Z afirma que trabalharia como creator, mesmo que de forma ocasional, segundo dados do InstitutoZ da Trope. São as novas gerações, a Z e a Alpha, que passam a enxergar o mercado como forma de ingressar no mundo do trabalho, e como ferramenta de ascensão social.

Luiz Menezes é fundador da Trope, uma consultoria de Geração Z que ajuda marcas a rejuvenescerem suas estratégias de negócio. Luiz é nativo digital, creator, apresentador, empresário e empreendedor.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Tatiane Tiemi, CEO da GPTW Brasil
GPTW revela as Melhores Empresas para Trabalhar no varejo
Empresas reconhecidas registraram crescimento de 16% no faturamento e ampliaram a participação feminina em cargos de liderança.
Reconhecida como a dama da hotelaria brasileira, Chieko Aoki compartilha sua visão sobre liderança, hospitalidade e a importância das relações humanas nos negócios.
Vida de CEO: A hospitalidade de Chieko Aoki
Reconhecida como a dama da hotelaria brasileira, Chieko Aoki compartilha sua visão sobre liderança, hospitalidade e a importância das relações humanas nos negócios.
.Novela Três Graças dialoga diretamente com a GenZ, embarcando nos memes, em personagens marcantes e em narrativas que se aproximam.
O que “Três Graças” revela sobre a relação da GenZ com a cultura brasileira
Novela dialoga diretamente com a GenZ, embarcando nos memes, em personagens marcantes e em narrativas que se aproximam de experiências reais.
Consumidor do futuro é sedento de experiência e conexão
Consumidor do futuro busca mais conexão emocional, experiências imersivas e sensação de pertencimento frente ao avanço da IA.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.