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Geração Z sem filtros: influenciadores mostram que autenticidade também vende

Geração Z sem filtros: influenciadores mostram que autenticidade também vende

No CONAREC 2025, criadores de conteúdo discutem autenticidade, desafios com marcas, o hype do cancelamento, e a relação da Geração Z com a força do digital.
No CONAREC 2025, criadores de conteúdo discutem autenticidade, desafios com marcas, o hype do cancelamento, e a relação da Geração Z com a força do digital.

O CONAREC 2025 reuniu influenciadores digitais de diferentes perfis para discutir carreira, autenticidade e os desafios de trabalhar com a internet. Mediado pelo humorista e apresentador Maurício Meirelles, o debate contou com a atriz, criadora de conteúdo e dubladora Camila Trianda, o criador de conteúdo e apresentador Bomtalvão, Matheus Machado, mais conhecido como TET, humorista e criador da Geração Z, e com a influenciadora digital Duda Guerra.

Maurício provocou os convidados sobre a percepção de que a Geração Z estaria restrita a “conteúdos de dancinha”. “As pessoas têm essa dúvida, porque acham que todo mundo que trabalha com internet hoje, na Geração Z, é a turma da dancinha”, comenta. “Vocês chegaram a cogitar fazer alguma outra coisa além do conteúdo digital?”

A primeira a responder foi Duda Guerra, que revelou ter considerado seguir carreira na Medicina. “Eu meio que desisti da ideia de tentar. Terminei o terceiro ano do ensino médio quando percebi que era isso mesmo que eu gostava: criar conteúdo, gravar vídeo, postar”, conta. Para ela, a decisão não foi difícil. “Eu desisti da medicina antes de dar certo na internet. Não foi uma decisão importante, porque nem eu saberia se ia dar certo ou não. Quando uma pessoa escolhe medicina, é uma profissão que te dá segurança, mas eu segui o que realmente me fazia feliz.”

TET destacou como sua trajetória também partiu de uma escolha arriscada. Aos 23 anos, ele cursava Educação Física, mas trancou a faculdade quando seus vídeos começaram a viralizar e gerar monetização.

“Foi um tiro no escuro, mas consciente também. Acho que todo mundo está criando conteúdo de um jeito diferente. Hoje, a criação está muito democrática. Um padeiro pode criar conteúdo, um enfermeiro, um policial, um cara que corta cabelo. Para mim, essa é a grande graça”, relembra.

Digital: caminho inevitável

A atriz e criadora Camila Trianda compartilhou uma experiência marcada por dificuldades na carreira artística. “Ser ator no Brasil é complicado. Você fica esperando uma oportunidade ou monta um grupo independente. Eu fiquei esperando sem ganhar dinheiro, então fiz várias coisas: fui professora de inglês, abri meu negócio de comidinhas, trabalhei com marketing”, relata.

Para ela, o digital passou a ser um caminho inevitável. Hoje, defende que todas as pessoas precisam entrar no meio. “Se você é médico, pode ser o mais top, mas não vai ser o que vai cobrar mais se não tiver um bom Instagram, uma boa plataforma e não for o mais hypado”, pontua.

Na sequência, Maurício levantou um ponto: essa necessidade de presença digital seria exclusiva da Geração Z? Camila respondeu com um exemplo de dentro de casa. “Meu pai tem 60 anos e só assiste Shorts do YouTube. É entender onde está o seu público, se é Google Ads, se é propaganda no meio da Netflix. Mas, você precisa estar no digital”, frisa.

Conteúdo para além das gerações

O criador Bomtalvão, de 30 anos, também trouxe sua visão. Ele pontua não ser tão Geração Z assim, mas se comunica muito bem tanto com esse público quanto com os mais velhos.

“Trabalho com internet já faz 10 anos e só fui dar certo no ano passado, quando viralizando a internet provando comida. Tenho seletividade alimentar, não consigo comer várias coisas, e comecei a mostrar isso. Várias pessoas descobriram que tinham também essa condição por causa dos meus vídeos”, explica. Formado em Direito, ele relembrou que a produção de conteúdo sempre esteve em sua vida. “Mesmo na faculdade, sempre criei conteúdo. Hoje, estou em todas as plataformas: YouTube, TikTok, Instagram”, detalha.

Maurício então questionou se os influenciadores enxergam em si mesmos um papel de referência para as novas gerações. Para Bomtalvão, a resposta foi clara: “A internet veio para balançar tudo. Se você trabalha com qualquer coisa, precisa estar na internet para alcançar mais público, vender seu produto ou simplesmente mostrar. Se não acompanhar a geração que está vindo, vai ser esmagado.”

“Tem espaço para todo mundo. Você pode fazer vídeo de qualquer coisa. É algo bem remunerado na maioria das vezes”, diz Camila.

Dinheiro ou paixão?

Em seguida, o mediador foi direto: “Vocês estão nisso pela grana ou pelo tesão de fazer?”. Como resposta, Bomtalvão revela ter sido uma questão de persistência. Ele ficou nas redes sociais sete anos sem ganhar dinheiro, fazendo seu conteúdo por desejo pessoal.

Já Camila associou sua escolha à atuação. “Eu continuaria fazendo porque acredito que isso me aproxima mais de conseguir ser atriz do que qualquer outra coisa que poderia estar fazendo”, conta a influenciadora. Ao mesmo tempo, TET admitiu que o dinheiro ajuda. “Mas amo isso. Não me imagino sendo profissional de Educação Física, nem outra coisa”, revela.

Já Duda reforça que a vontade veio antes da monetização. “Eu confesso que dei uma esticada na internet muito rápido. Faz pouco mais de um ano que abri meu Instagram. Não comecei pelo dinheiro, mas porque gravar, editar e postar sempre foi o que mais amei na vida. Desde pequena eu gravava vlog no celular da minha mãe. Então, se eu não ganhasse dinheiro hoje, provavelmente continuaria fazendo”, conta.

“Isso não é trabalho?”

Maurício provocou novamente ao lembrar a crítica comum de que criar conteúdo não seria uma profissão. “Eu tenho certeza que tem uma pessoa chamada Neide, que está sentada por aqui, falando assim: ‘Isso não é trabalho’. Vocês não trabalham. Vocês pegam a câmera e bombam. As pessoas estão pensando nisso agora”, brinca.

Camila responde com franqueza. “Eu não julgo porque eu também achava que era assim: pega a câmera, faz uma dancinha e ganha dinheiro. Mas existem muitas partes: campanha, briefing, orçamento, roteiro, produção, filmagem, luz. É muito mais complexo”, relata.

Duda reforça que existe muita estratégia por trás. Antes de tudo, deve ser uma estratégia emocional. “Quando posto um vídeo na academia, não é só sobre aquilo. É sobre rotina, saúde física, mental, sobre mostrar que eu falho, mas também recomeço. É uma profissão muito mais fácil. Mas, de fato, você tem que ter uma estratégia e tem que criar uma conexão muito forte. É uma responsabilidade também”, diz.

Bomtalvão completa o debate com a questão: “A Neide que acha que não é trabalho, será que sabe o quanto nós vendemos? Se já contratou um influenciador, provavelmente teve retorno. É um trabalho muito sério, com muitas pessoas envolvidas”, defende. Ele acrescenta haver outras pessoas vinculadas a esse trabalho, como uma agência e uma equipe.

Cancelamentos e autenticidade

O tema do cancelamento também entrou em pauta. Maurício destacou que a Geração Z ganhou poder e a fama de “cancelar” com facilidade. Para TET, isso está ligado ao ambiente digital. “A internet é uma terra sem lei, onde todo mundo fala o que quiser e te cancela. Dá esse falso poder para qualquer pessoa.”

Camila acrescenta que cabe às empresas filtrarem. “Existe o hate bobo, mas tem um discurso de ódio horrível. As marcas precisam tomar cuidado com os influenciadores que contratam”, complementa.

Já Duda pontua que o diálogo é essencial. “Nenhuma marca gosta de polêmica, isso é fato. Mas é preciso conversar, entender o que está acontecendo, diferenciar o que faz sentido do que é fútil.”

Criador x marca

Outro desafio discutido foi o equilíbrio entre autenticidade e as demandas das marcas. “A marca tem que deixar o criador criar”, defende Camila. “Quem melhor fala com o público dele é o próprio criador”, acrescenta. Duda concorda e complementa que o influenciador sabe como funciona suas redes. “Quando a marca tenta impor, muitas vezes o conteúdo falha”, destaca.

Durante o debate, Bomtalvão cita um exemplo real. “Já assinei contrato longo com uma marca que era contra tudo que eu pensava. Queriam que eu fizesse um formato que não era meu. Isso é complicado porque, se cancelo, entra a multa, e meu público já me viu vinculado. Então, é preciso estudar o criador antes”, relata. Para ele, a chave é a cocriação. Hoje, segundo o influenciador, o que funciona é uma publicidade mais velada. O público não tem tempo para informações técnicas.

“Quando dou uma dica, é de amiga. Marcas não devem engessar. Passe um contexto, mas não 25 frases publicitárias que tornam o vídeo insuportável”, acrescenta Camila.

Nesse cenário, Duda destaca a importância da transparência. Ela frisa que tudo deve ser conversado. O influenciador leva sua forma de comunicar. Além disso, reforça ser importante não passar por cima dos princípios, seja da empresa ou do criador de conteúdo.

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