O comportamento do consumidor não muda de forma brusca. Segundo Priscila Seripieri, pesquisadora da WGSN, as tendências surgem a partir de movimentos que já estão acontecendo no presente. “Tendência nunca é uma revolução”, afirma a especialista. “Se a gente está falando de comportamento humano, nós como seres humanos não mudamos da água para o vinho do dia para a noite. A gente vai evoluindo aos poucos, então é sempre uma evolução e não uma revolução quando a gente fala de tendências.”
Por isso, o consumidor de 2027 não é tão diferente daquele que conhecemos hoje. Se há alguma diferença, está na intensidade e na relevância de seus desejos e ansiedades para o próximo ano. O estudo da WGSN com as previsões para 2027 identifica consumidores cada vez mais interessados em relações autênticas, experiências emocionais e transparência nas relações com as marcas.
Segundo Priscila, o estudo da WGSN para 2027 identifica consumidores cada vez mais interessados em relações autênticas, experiências emocionais e transparência nas relações com marcas. “Os consumidores irão buscar marcas que promovam conexões autênticas, fomentem essas relações e emoções, valorizem o bem-estar, ofereçam clareza e transparência e integrem ludicidade nas suas experiências”, destaca.
Ambiente moldado pela IA
A pesquisadora também explica que o consumidor do futuro estará cada vez mais “sedento de experiência e conexão”. Algo que ganha ainda mais tração na realidade moldada pela Inteligência Artificial, Priscila chama a atenção para o avanço acelerado da tecnologia e para os impactos que isso deve gerar na sociedade e no consumo.
Segundo a especialista, os próximos anos serão marcados por polarizações sociais, excesso de informação e um ambiente digital cada vez mais influenciado pela Inteligência Artificial. A expectativa da WGSN é que, até o fim deste ano, cerca de 90% do conteúdo online seja gerado por IA. Esse cenário deve transformar profundamente a maneira como consumidores se relacionam com marcas, informações e experiências.
“A gente vai ser obrigado a trazer uma conexão em meio a todas essas polaridades”, afirmou a pesquisadora.
Os quatro perfis do consumidor do futuro

(Foto: Consumidor Moderno)
Na apresentação realizada no SP Innovation Week, a pesquisadora detalha os quatro perfis de consumidores que devem ganhar força nos próximos anos:
- Guardiões da privacidade: consumidores que buscam novas formas para se desconectarem do excesso de estímulos digitais. O desafio das marcas, nesse sentido, é ajudar essas pessoas a se desconectarem de um ambiente digital caótico e poluído.
- Convencionais: esse grupo rejeita a cultura do esforço excessivo. Em vez disso, busca abordagens mais equilibradas e calmas para sua vida. Por isso, é preciso criar experiências prazerosas e, muitas vezes, offline para esses consumidores.
- Neoindependentes: são desconfiados em relação às informações divulgadas pela mídia e por autoridades governamentais. Por isso, se informam principalmente por meio de influenciadores e pessoas próximas. Autenticidade e transparência são essenciais para ampliar a confiança.
- Energizadores: buscam momentos de alegria em um mundo dominado pela IA, valorizando bem-estar, descobertas e entusiasmos na rotina. Se aproximam da ideia de “romantizar a própria vida”, e as marcas devem surfar nessa onda, abraçando a brincadeira.
Segundo ela, os perfis não devem ser vistos como categorias rígidas, mas como comportamentos fluidos que podem coexistir em uma mesma pessoa. “Um cliente pode ter ali um perfil de manhã e um perfil à tarde”, diz.
Outro destaque é a necessidade de as empresas criarem experiências mais humanas, sensoriais e conectadas emocionalmente aos consumidores.
“Como que eu trago ali o olhar do toque, da maquiagem, do cheiro? Como que eu desperto essa sensualidade com o meu consumidor?” Para ela, as marcas precisarão ir além do produto e trabalhar cada vez mais conexão emocional, experiências imersivas e sensação de pertencimento.
No fim, a principal mensagem foi clara: em um mundo cada vez mais automatizado e dominado pela Inteligência Artificial, vão ser as conexões humanas e emocionais que diferenciarão as marcas do futuro.





