/
/
Como o Bradesco, Citi e Itaú estão criando jornadas hiperpersonalizadas?

Como o Bradesco, Citi e Itaú estão criando jornadas hiperpersonalizadas?

Para lideranças, o sucesso da hiperpersonalização depende de dados consolidados, a transformação da informação em estratégia para a experiência do cliente.
Legenda da foto
Foto: Shutterstock

A hiperpersonalização está redesenhando a experiência bancária, tanto para pessoas físicas quanto jurídicas. Para os líderes de instituições financeiras do Bradesco, Itaú Unibanco, Citi e da empresa de tecnologia Microsoft, a Inteligência Artificial é realidade na jornada de atendimento ao cliente para criar jornadas cada vez mais personalizadas e memoráveis.

No Bradesco, hiperpersonalização é definida como a capacidade de oferecer soluções adaptadas a cada perfil e contexto, antecipando desejos e necessidades com base em dados. Cíntia Scovine Barcelos de Souza, CTO e diretora-executiva de Tecnologia do Bradesco, destaca o uso de Inteligência Artificial generativa para construir jornadas personalizadas desde a concepção do produto até o atendimento ao cliente. Um exemplo é a BIA, assistente virtual do banco, que com a integração da IA generativa, ampliou sua resolutividade em 85%.

“Hiper é a capacidade de ofertar para cada perfil e contexto, baseado em dados. É a capacidade de antecipar necessidades e anseios. Usamos IA generativa avançada para criar jornadas desde a concepção de produtos até o cliente”, explica Cíntia Scovine, na Febraban Tech 2025.

Além disso, algoritmos de classificação ajudam a oferecer sugestões personalizadas, como por exemplo “clientes com o seu perfil costumam investir em X”. Cíntia ainda explica que, com apoio do Open Finance, é possível consolidar um retrato mais fiel do comportamento financeiro do usuário.

Personalização para Pessoa Jurídica

Patrícia Sousa, head de Platforms and Data Services do Citi, levou o debate para o universo corporativo. “A hiperpersonalização chegou com força ao segmento de Pessoa Jurídica. Estamos entendendo o que o tesoureiro precisa, o que o analista está buscando, e nem sempre isso acontece dentro de um canal bancário. Às vezes, é no CRM ou em plataformas da própria empresa”, diz.

A executiva ressalta que, nesse contexto, o desafio é integrar a solução financeira de forma nativa à jornada da empresa. “Não podemos perder a visão do todo na experiencia do cliente. Essa necessidade, que é horizontal que traz produtos e tecnologias, é muito importante.”

Dados organizados é fundamental para personalizar

João Araújo, diretor de Negócios, Experiência e Plataformas Digitais do Itaú Unibanco, reforça que a jornada rumo à hiperpersonalização do banco não começou ontem. “Trilhamos esse caminho há anos. Hoje, não precisamos esperar o cliente agir para antecipar suas necessidades. Cada ponto de contato é uma oportunidade de ser relevante.” Para o banco, o dado precisa ser reavaliado constantemente, e a construção de credibilidade institucional é chave para que os clientes aceitem compartilhar informações.

Priscyla Laham, presidente da Microsoft Brasil, ressalta que a IA generativa e os agentes inteligentes são os grandes habilitadores da hiperpersonalização. “Trata-se de conectar com os clientes de forma eficiente, humanizada e contextualizada. Se os dados estiverem organizados, é possível transformar completamente a jornada do cliente”, explica. A companhia relatou economias significativas de US$ 600 milhões ao aplicar IA generativa em processos de atendimento e operação. “Precisa ter uma conexão entre tecnologia e negócios.”

Desafios para escalar

Apesar dos avanços, escalar a hiperpersonalização ainda é um desafio. Para os executivos, os principais entraves estão na infraestrutura tecnológica, consolidação de dados, formação de talentos e governança.

Cintia, do Bradesco, cita a criação de três estruturas para escalar o uso de IA generativa: a plataforma BRITi (que conecta diversos LLMs com governança), produtos de dados em cloud e times especializados. “Também investimos pesado em capacitação, com programas de reskilling e parcerias, como a aquisição da Columi”, diz. Ela ainda destaca o uso da BIA para combater o assédio, assumindo uma postura ativa e educativa.

No Citi, a consolidação de dados foi apontada como o primeiro grande passo. “A consolidação de dados é um dos primeiros desafios, mas um data lake bem estruturado é o primeiro pilar para uma experiência personalizada. A pergunta central continua sendo: como transformar dado em ação relevante?”, provoca Patrícia.

João Araújo, do Itaú, trouxe uma visão mais ampla. “É uma relação de longo prazo. A hiperpersonalização se mede pela relação do cliente a longo prazo. Criamos uma cultura organizacional focada em oferecer o produto certo, no momento certo, com a linguagem certa.”

Os riscos de exagerar

Mas, nem tudo são flores. Os executivos alertam que o excesso de tentativa de personalizar pode gerar o efeito contrário: a irrelevância. “É preciso saber separar o ruído do sinal”, alerta João, do Itaú. Lahm, da Microsoft, completa: “Precisa ter uma conexão entre tecnologia e negócios, ou seja, o equilíbrio entre liberdade e liderança é essencial.”

Para Cintia, do Bradesco, a cultura organizacional voltada à experiência do cliente é parte indissociável da jornada de IA. “Apesar de ser tecnologia, não podemos esquecer o cliente. Nem toda tecnologia resolve o problema do cliente. Nada adianta uma jornada sensacional, resiliente se ela [tecnologia] não estiver disponível e seguro”, pontua.

Proporcionar experiências que compreendam motivações financeiras é uma vantagem competitiva. E a pergunta que fica é: a hiperpersonalização já é rentável?

No Citi, a resposta foi sim, especialmente no mundo corporativo. “Cada processo hiperpersonalizado faz diferença para aquele cliente. E isso já é medido internamente como ganho de eficiência”, afirma Patrícia.

O Bradesco apresentou números. A BIA teve 20 vezes mais interações resolutivas, com 86% das jornadas partindo de experiências personalizadas. A oferta de crédito com menus customizados elevou em 35% a captação de empréstimos. E o programa Renda BRA aumentou a produtividade em 95%.

João Araújo, do Itaú, sintetizou: “Vivemos a oportunidade de fazer história. Quando entregamos personalização em escala, temos a chance de promover um bem-estar financeiro inédito na sociedade.”

Prêmio Consumidor Moderno 2025

A votação para as categorias especiais do Prêmio Consumidor Moderno de Excelência em Serviços ao Cliente 2025 está aberta. Você pode definir quem serão os grandes nomes da edição. O CEO do Ano reconhece a liderança e a visão estratégica de executivos no topo. Por consequência, na categoria Hall da Fama, são homenageados os líderes com visão, estratégia e impacto positivo nas relações com clientes. Já o prêmio de Empresa do Ano valoriza as organizações que realmente fizeram a diferença na experiência do consumidor. Clique aqui e faça a sua escolha. A votação foi prorrogada até 16 de junho.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

No Zendesk Relate 2026, o debate sobre IA no atendimento começa a sair da automação para entrar em uma discussão sobre o trabalho humano.
O atendimento virou sistema. E agora o trabalho humano precisa mudar de função
No Zendesk Relate 2026, o debate sobre IA no atendimento começa a sair da automação para entrar em uma discussão mais desconfortável: o que sobra para os humanos quando os sistemas passam a interpretar, decidir e aprender sozinhos?
Zendesk Relate 2026 revela uma nova lógica de CX: o atendimento tende a se tornar SX, um sistema cognitivo contínuo de resolução.
Do Customer Experience ao SX: quando o atendimento deixa de ser canal e passa a ser sistema
O Zendesk Relate 2026 revela uma nova lógica da experiência do cliente: o atendimento tende a ser menos conjunto de interações para se tornar um sistema cognitivo contínuo de resolução.
Sheglam chega ao Brasil em junho com 150 produtos, preços a partir de R$ 29,90 e meta de R$ 50 milhões em faturamento no primeiro ano.
Sheglam desembarca no Brasil com foco na GenZ
A marca de cosméticos do Grupo Shein chega ao Brasil em junho com 150 produtos, preços a partir de R$ 29,90 e meta de R$ 50 milhões em faturamento no primeiro ano.
Carla Beltrão, VP de Customer Experience da Vivo
“O cliente não quer mais canais, quer continuidade”
Carla Beltrão, VP de Customer Experience da Vivo, defende que o futuro do CX depende menos da tecnologia em si e mais da capacidade de criar jornadas fluidas e humanas.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.