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O papel essencial de apoio das marcas às gerações mais velhas

O papel essencial de apoio das marcas às gerações mais velhas

Apesar da crescente digitalização das gerações mais velhas, é preciso pensar em soluções adequadas para esse público

Basta um rápido olhar ao redor para fazer a constatação: facilmente você encontrará um idoso com um celular na mão, tirando foto, escrevendo uma mensagem ou vendo um vídeo. Para as gerações mais velhas, a digitalização, impulsionada pelo isolamento social imposto pela pandemia, fez com que a diferença entre as características das gerações ficasse ainda menores.

E, levando em conta as novas formas da pirâmide etária brasileira, a relevância desse assunto cresce na mesma velocidade das mudanças sociais. Hoje, a geração mais velha quer ter apoio e conhecimento para acessar todas as soluções que estão disponíveis, seja para fazer uma compra no e-commerce ou fazer uma transferência bancária pelo celular.

Segundo o estudo “Tech+: Tecnologia e aceleração digital para os Masters”, de janeiro deste ano, feito pela Kantar, mais de 60% do público sênior usa a internet e tem um smartphone, sendo que 70% já realizou alguma vez na vida uma compra virtual.

Além disso, eles representam 5% do total de usuários do Facebook no Brasil, com taxas de engajamento acima da média de outras faixas etárias. A geração dos baby boomers – os nascidos entre 1946 e 1964, segundo a classificação americana – fica mais tempo navegando na internet do que as gerações X e Y. Ao todo são 3 horas e 48 minutos por dia, atrás somente dos jovens brasileiros nascidos entre 1995 e 2010 que integram a geração Z.

De acordo com o estudo da Kantar, 38% dos idosos entrevistados afirmam ainda se confundir com computadores. Porém, esse número vem caindo ao longo dos últimos tempos e, hoje, é 14% menor em relação há 3 anos.

Os dados revelam, portanto, uma oportunidade para as marcas oferecerem produtos tecnológicos que facilitem a vida deste público.

Olhando pelo viés do consumo, segundo uma pesquisa feita pelo SPC Brasil, o consumidor brasileiro da terceira idade tem aumentado o seu potencial de compras e está disposto a gastar mais: 41% deles afirmam investir mais em produtos que desejam do que em itens relacionados às necessidades básicas da casa.

Uma das principais conclusões da pesquisa é que os consumidores da terceira idade, mais ativos no mercado de trabalho e com melhor qualidade de vida, estão satisfeitos com sua vida financeira. Em sua maioria são otimistas e começam, inclusive, a demandar produtos específicos para a sua faixa etária, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

Dados como esse mostram uma crescente importância deste público para o mercado – a população idosa deve ultrapassar a marca de 30 milhões de indivíduos em 2025, segundo dados do IBGE – fazendo com que empresas invistam cada vez mais em ações e produtos customizados.

O papel de apoio das empresas

As gerações mais velhas representam um grupo com grande potencial de consumo. E, diante disso, um dos papéis das empresas é facilitar a navegação da população sênior em uma sociedade que está se tornando cada vez mais digital.

De acordo com o relatório UX para 60+, da consultoria de marketing especializada no consumidor sênior, HYPE60+, apesar desse potencial, as interfaces ainda são desenhadas com base nas necessidades do público mais jovem.

Sendo assim, o maior desafio do design está em construir experiências singulares, a partir de um formato universal, desenhando jornadas de consumo paralelas, para cada tipo de necessidade ou deficiência, além de criar aparelhos e plataformas acessíveis, intuitivos e fáceis de usar.

Para Marina Roale, head de pesquisa no Grupo Consumoteca, a rotina das gerações e os desafios diários podem estar parecidos e isso faz as diferenças geracionais parecerem menores. Mas os aprendizados e hábitos que cada geração cultiva neste momento continuam diferentes, pois eles correspondem a desafios próprios da fase de cada grupo etário.

“A geração baby boomer é considerada o grupo de imigrantes digitais. Eles têm um ingresso tardio nesse universo, tendo muitas vezes o WhatsApp como grande porta de entrada. Estão desbravando um mundo que não foi criado nem pensado para eles, e isso impõe desafios de usabilidade e confiança. Mas ainda assim, eles têm alto potencial para consumo e navegação nas redes”, pondera a head de pesquisa.

É preciso lembrar que gerações mais velhas vêm de um mundo que lia bulas e instruções de uso, estudava a teoria antes de ir à prática. E essa lógica é invertida no digital, pois nesse ambiente se aprende fazendo, testando e se arriscando.

O que muitos programadores chamam de interfaces intuitivas, para esse público pode ser algo muito desafiador. Então, pensar em jornadas de navegação customizadas para gerações mais velhas traz demandas específicas, como tamanho de fonte e explicação de passo a passo das etapas.

“De fato, o mundo digital passa a ser frequentado por mais gente, mas cada um à sua maneira. As empresas devem buscar entender quem é o novo consumidor digitalizado e o idoso faz parte disso, mas é um grande erro colocá-lo numa caixinha só”, sinaliza Marina Roale.

Desafios de usabilidade e confiança

Ainda de acordo com o relatório da HYPE60+, é preciso desenhar um produto inclusivo para o público sênior, que leve em conta as diferenças de formação do cérebro, construção do pensamento e modelo mental, moldados e sedimentados ao longo da vida.

Confira alguns dados interessantes apontados no relatório, relacionados às dificuldades enfrentadas pelas gerações mais velhas quando o assunto é uso de tecnologia:

  • As pessoas acima de 65 anos necessitam de 50 a 100% mais tempo para completar uma tarefa que adultos com menos de 30 anos. A maior parte desse tempo está relacionada à tomada de decisão sobre o clique, scroll ou enter.
  • Para a maioria dos seniores, a tecnologia usa o idioma de maneira estranha. Esta barreira é ainda maior para os usuários que não falam inglês, exigindo que memorizem as funções por sua aparência e aprendam a navegar por um produto por tentativa e erro. Se essa navegação não for frequente, a tendência natural é que o usuário esqueça o que foi aprendido.
  • Muitas deficiências físicas que dificultam a interação com a tecnologia são associadas ao envelhecimento. Cerca de 2 em cada 5 idosos indicam que enfrentam desafios físicos que dificultam a leitura ou sofrem de uma deficiência, desvantagem ou doença crônica que os impede de participar plenamente nas atividades diárias comuns.
  • Confiar em um computador para compartilhar suas informações pessoais não é um hábito comum às gerações mais velhas. Uma outra forma de observar esse ceticismo é pelo “clique cauteloso”, um comportamento de quem pensa que um clique errado pode levá-los a alguma página sem caminho de volta.

10 propostas para um design amigável às gerações mais velhas

A construção de aparelhos e plataformas acessíveis às gerações mais velhas não pede a criação de novas regras, convenções ou princípios de nicho. Basta apenas que as empresas usem os valores essenciais do design como bússola da criação, lembrando da responsabilidade na criação de produtos universais e inclusivos, para os 60+ e para toda a população.

Veja a seguir dez sugestões que podem ser muito úteis na hora de criar um produto para o público mais velho:

  • Sempre que possível, pense em tela, texto e botões grandes, acima do tamanho médio e mantenha links sublinhados, além de tornar possível o ajuste de tamanho de fonte, para quem tem diferenças de visão;
  • Prefira o contraste de cor mais forte, com melhor discriminação entre cores quentes e frias e evite baixo contraste, cores claras e tons de cinza. Use fontes sem serifa para aumentar a legibilidade, letra preta e fundo cinza claro;
  • Mantenha os ícones e botões espaçados o suficiente para o toque. O espaçamento mínimo recomendado é de 44 pixels entre os elementos da interface;
  • Prefira palavras em vez de símbolos, certificando-se de que se adequam ao campo semântico dos seniores;
  • Evite menus com múltiplas funções ou subníveis. Mantenha o foco do sistema na ação atual do usuário sem exibir funções secundárias;
  • Use o menu da tela inicial como um ponto seguro de retorno, além de manter uma função de retorno aparente na interface: um botão que os ajude a retornar a outra tela quando não souberem como seguir com a operação;
  • Os mais velhos têm mobilidade física para tocar e deslizar a tela, mas exigem mais tempo e usam apenas uma mão para digitar. Mantenha gestos simples para realizar comandos do sistema;
  • Evite interações que exigem movimentos rápidos ou combinações com mais de dois dedos. Apresente feedback visual, audível ou tátil quando os usuários tocam na configuração;
  • Use símbolos como o da lupa para interfaces com zoom em vez do padrão intuitivo de esticar a tela ou dar dois toques para aumentar a imagem;
  • Exiba um painel de ajuda e dicas sobre os recursos no primeiro acesso do usuário. Forneça ícones fáceis de entender seguido por legenda ou descrição.

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