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A mudança vem em 3D

A mudança vem em 3D

NRF 2015 mostrou que impressoras 3D são o "next big thing" para o varejo e para um mundo de negócios
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Em meio a grande oferta de temas, palestras e painéis em um evento como a da NRF, como decidir qual será aquela que poderá trazer idéias fora da curva? Como escolher assistir a uma apresentação com potencial para trazer a informação nunca vista em um mundo onde informação é commodity?

Olhar para o palestrante e a empresa que ele representa é uma aposta segura. Mas o retorno da aposta segura é proporcional ao investimento. Melhor arriscar. O nome não tão conhecido, no tema ainda um pouco obscuro ou confinado a círculos quase exóticos. Fizemos isso no segundo dia do Big Show da NRF, que aconteceu nesta semana em Nova York. Na verdade, fizemos duas apostas: a segura e a arriscada.

Comecemos pelo final. A keynote Session final – ” Unique and Distinct: The New Customer Experience”, com a presença John Mesberg, General Manager de Smarter Commerce e Smarter Citiez da IBM e Terry Jones, fundador da Travelocity.com e CEO fundador do Kayak.com, fizeram uma apresentação de bom nível, mostrando as sensíveis mudanças ocorridas na indústria de turismo. O impacto das mídias sociais e de concorrentes como o Airbnb, a possibilidade do consumidor recomendar e de se valer das recomendações alheias para tomar decisões, o uso do Big Data pelas empresas, justamente para detectar tendências e definir ações capazes de permitir melhor relacionamento com os consumidores, e, claro, a perspectiva correta de que o marketing hoje não deve se voltar para “públicos-alvo” e sim, tornar-se relevante para os diferentes públicos.

As oportunidades de mudança, renovação e atualização do negócio, de qualquer negócio estão disponíveis, bastando apenas iniciativa, talento e capacidade de execução.

Uma apresentação correta, consistente mas incapaz de produzir a centelha que abre possibilidades de reflexão e inquietação. Foi a aposta segura. Ainda mais depois do impacto produzido pela estupenda apresentação de Lori Kolthof, diretora mundial de criação da FRCH Design, uma das empresas de design de varejo mais importantes do mundo. Pois bem, Lori falou de design, mas não exatamente daquilo que você, eu o mundo em geral pensamos em design. Ela falou sobre o “next big thing” para o varejo (e para um mundo de outros negócios): as impressoras 3D. Chris “Long Tail” Anderson aventurou-se por este tema em um livro de alguma repercussão há cerca de um ano. Mas Lori foi mais longe. Visionária, ela mostrou o que está sendo pesquisado e todas as possibilidades que as impressoras 3D vem estimulando.

Antes de mais nada, as impressoras 3D irão complementar e ampliar as práticas e conceitos que fazem parte dos métodos tradicionais de manufatura. Mas é fato que elas reduzem dramaticamente a infraestrutura e o conhecimento necessário para produzir e fabricar coisas em geral. Claro, da mesma forma, é possível criar os próprios objetos, compartilhar e copiar digitalmente. Scanners 3D já estão sendo lançados, a baixo custo. Isto provavelmente fará com que produtos criados por pessoas, que tenham inclusive resguardados os direitos autorais, sejam fotografadas e tenham seus protótipos colocados para download em alguma forma de site pirata ou no próprio Pirate Bay. Simplesmente boa parte dos projetos serão pirateados de forma não rastreável, incontrolável e perigosa. Até mesmo protótipos de armas poderão ser escaneados e produzidos com efeitos letais.

Mas pensando nos benefícios, como toda nova tecnologia que traz seus riscos, o 3D irá influenciar mais os negócios que a própria internet. A Coca-Cola Company desenvolveu um projeto de cadeira que é feita a partir de 111 garrafas recicladas. E por isso, está engajada em estimular programas de reciclagem mais intensos. A cadeira é tão inovadora que possui um tom púrpura distinto que a torna inclusive muito resistente e de acordo com as normas anti-incêndio dos EUA E Reino Unido.

Os projetos arquitetônicos à base de impressoras 3D são ilimitados. E experiências radicais, com base em elementos orgânicos, estão em curso a todo vapor. Apicultores conseguiram desenvolver uma garrafa feita inteiramente de mel produzido em impressora 3D. Lori exibiu um vídeo no qual a garrafa é colocada em uma cultura de abelhas e rapidamente torna-se a colmeia dos insetos.

Acha pouco? Pois então reflita no seguinte: a customização total será o novo normal. O incomum será um objeto sem algum nível de personalização. As indústrias oferecerão designs digitais em paralelo com produtos físicos, justamente para permitir a customização. Imagine a sua lista de supermercado, em parte produzida na sua casa com designs fornecidos pelo supermercado… E, nesse sentido, como controlar os materiais e polímeros necessários para essa produção artesanal e caseira? Como os governos irão regular ingredientes e as origens dos materiais? Agora pense em novos mercados emergentes, de polímeros, de designs, de educação, música, publicações e de produção de artefatos. Pense em sustentabilidade. Qualquer objeto poderá ser produzido e reciclado indefinidamente, porque a matéria-prima já tem esta natureza.

As aplicações medicinais e clínicas são absurdas. Polímeros com nano-tecnologia podem ser utilizados para desenvolvimento de próteses que se auto-curam (você pensou em ser uma espécie de Wolverine do futuro? É possível). É o que se chama de bio-impressao (bio-printing), um passo adiante para uma espécie de tranas-humanidade, capaz de evoluir biologicamente a partir de protótipos inteligentes.

Carros, aviões e barcos podem ser prototipados em diversos formatos para os mais diversos tipos de testes. A Fórmula 1 já desenvolve seus protótipos para moldar o corpo dos pilotos em impressoras 3D. E imagine então criar seu próprio drone… Ou uma frota deles para resolver o seu problema de logística e impulsionar o seu e-commerce?

E que tal recriar, melhorar e construir a sua própria vending machine? E o que fazer com elas nessa nova realidade? Aliás, é se elas fossem grandes impressoras para produzir o seu chocolate ou barrinha de cereal totalmente customizado?

E que tal imprimir o seu próprio jantar? E fazer um back up do seu cérebro? Ou pensar em alguma coisa e transferir este pensamento para uma impressora 3D?

O futuro está aí, batendo a porta. Talvez possamos voltar-nos para a nossa realidade e debater-nos com nossos problemas, pensando que o futuro está em algum ponto talvez acessível aos nossos filhos. Ou talvez sejamos atropelados por essa nova onda e seu potencial disruptivo inconcebível. Melhor pensar e colocar a questão em sua agenda corporativa. É uma aposta de risco. Mas se a revolução 3D impactar a realidade em alguma dessas formas, você terá nostalgia da época em que o smartphone era apenas ficção científica.

Confira tudo o que aconteceu nesta semana no NRF BIG SHOW 2015, em Nova York, no portal NOVAREJO e fique por dentro do maior evento de varejo do mundo!

*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo do Grupo Padrão e esteve em Nova York nesta semana acompanhando o maior evento de varejo do mundo. 

Leia mais 

O futuro é uma volta ao passado

De volta ao consumo?

Se não é possível evitar…

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