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Assaí inaugura farmácia própria dentro do supermercado

Assaí inaugura farmácia própria dentro do supermercado

A compra do mês acaba de ganhar um novo corredor. A Assaí Farma marca o início da estratégia da rede para transformar suas lojas em centros de serviços.
Primeira unidade da Assaí Farma, a farmácia do Assaí Atacadista.
Foto: Consumidor Moderno
O Assaí Atacadista inaugura no dia 16 de julho a sua primeira farmácia própria integrada ao supermercado e dá início a uma estratégia que vai além da venda de medicamentos. A Assaí Farma faz parte de um plano para transformar as lojas da rede em centros de serviços, reunindo supermercado, saúde e, futuramente, outras soluções em uma única visita. A empresa prevê abrir 25 unidades ainda em 2026 e expandir o modelo para mais de 250 lojas nos próximos anos.

A lista do supermercado vai ganhar novos itens. Além do arroz, do leite e do frango, agora também pode entrar um remédio para dor de cabeça, o medicamento de uso contínuo ou até o protetor solar de sua marca preferida. Essa é a nova proposta do Assaí Atacadista: resolver a vida do consumidor em uma só ida ao supermercado.

Na próxima quinta-feira (16), o Assaí inaugura, em sua loja da Anhanguera, em São Paulo, a primeira unidade da Assaí Farma, sua farmácia própria. E ela não fica do lado de fora, como acontece em muitos supermercados. A farmácia está integrada, logo na entrada.

A ideia é que o consumidor percorra os corredores normalmente e, dentro dessa jornada, também possa comprar um medicamento, um dermocosmético, vitaminas, suplementos e até as famosas canetas emagrecedoras. Essa é a primeira de 25 unidades previstas para 2026.

A novidade é o primeiro passo de uma estratégia 360º do Assaí para que o consumidor encontre cada vez mais motivos para resolver diferentes necessidades em um único lugar. “Queremos criar um guarda-chuva de vantagens para o cliente”, resume Belmiro Gomes, CEO do Assaí Atacadista.

Além da farmácia nas lojas físicas, o ambicioso projeto também deve incluir, futuramente, marketplace, serviços financeiros, eletropostos para carros elétricos, expansão digital e postos de combustíveis.

O consumidor mudou e o Assaí também

A decisão de entrar no setor farmacêutico veio após a aprovação, em março deste ano, da legislação que voltou a permitir farmácias completas dentro de supermercados. Décadas atrás, era comum encontrar medicamentos à venda nesses estabelecimentos, até que mudanças regulatórias restringiram a comercialização às farmácias.

Para a companhia, o movimento acompanha a realidade atual do consumidor. “Ele está extremamente pressionado”, explica Belmiro, referindo-se ao aumento dos juros e ao maior endividamento das famílias. Quando essa realidade se soma ao envelhecimento da população, a saúde passa a disputar espaço entre os principais gatos dos brasileiros.

“Depois da alimentação, medicamento passa a ser uma das principais despesas da família”, analisa o CEO do Assaí.

Ao mesmo tempo, a saúde ganha um novo significado. “As pessoas estão muito mais preocupadas em construir saúde do que em procurar uma farmácia quando ficam doentes”, explica Vagner Moraes, Diretor de Farmácias do Assaí.

Exatamente por isso, Belmiro Gomes acredita que o cliente da Assaí Farma será aquele que vai à farmácia com recorrência. “Não imagino uma pessoa saindo do hospital e indo comprar os seus remédios no Assaí”, analisa.

A partir desse entendimento, a primeira unidade chega com aproximadamente 10 mil SKUs disponíveis, quase o dobro do encontrado nas chamadas farmácias de conveniência de rua. Além dos medicamentos, a loja terá dermocosméticos, suplementos, vitaminas, produtos de higiene e uma sala de serviços farmacêuticos para aferição de pressão, testes rápidos e aplicação de medicamentos injetáveis. Apenas vacinas ficaram de fora neste primeiro momento.

O maior ativo não são os remédios

Foto: Consumidor Moderno

A ideia de reunir supermercado e farmácia está longe de ser novidade em outros países. Uma referência apareceu diversas vezes durante a apresentação do Assaí Farma: a Costco. A rede americana reúne, dentro da mesma unidade, supermercado, farmácia, ótica, posto de combustível, centro automotivo e até agência de viagens. Mas o modelo brasileiro ganhou características próprias, até porque a legislação do País é diferente de todas as outras.

Embora entre em um mercado bastante competitivo, o Assaí acredita que parte da vantagem já está pronta: todos os meses, cerca de 40 milhões de clientes passam pelas lojas da rede. Em vez de construir esse fluxo do zero, a empresa quer aproveitar uma visita que já acontece.

Além disso, boa parte da estrutura necessária para o funcionamento de uma operação própria de farmácia já existe: da loja física ao estacionamento, à segurança e ao pagamento de aluguel e IPTU.

“A maior despesa de uma farmácia de rua são os profissionais e depois o aluguel. Aqui o aluguel já está pago. A segurança já está contratada. A energia já é gasta”, explica Belmiro. Isso reduz entre 30% e 40% dos custos operacionais em comparação com uma farmácia tradicional.

Mesmo assim, a estratégia do Assaí não é entrar em uma guerra de preços, mas usar uma estrutura que já existe para oferecer conveniência e competitividade. E essa lógica aparece também na tecnologia.

O aplicativo da Assaí Farma estreia junto com a operação. Nele, será possível comprar medicamentos, aplicar automaticamente descontos de laboratórios, pagar pelo celular e retirar o pedido enquanto faz as compras no supermercado.

“Não tem nada mais valioso do que o tempo, e nós queremos devolver ele para os nossos clientes”, resume Sergio Leite, diretor-executivo de Operações e Novos Negócios do Assaí.

A aposta começa em São Paulo

As primeiras 25 farmácias serão abertas em São Paulo ao longo de 2026. O Estado foi escolhido por concentrar a maior base de clientes da rede e permitir um acompanhamento mais próximo dos primeiros meses de operação.

Mas há um plano de crescimento nacional: mais de 250 lojas do Assaí já possuem espaço físico para receber uma farmácia em um futuro próximo.

Fato é que a inauguração da Assaí Farma representa algo maior do que uma nova categoria de produtos. É o teste de um modelo em que supermercado, saúde e outros serviços passam a dividir o mesmo espaço, acompanhando um consumidor que quer resolver cada vez mais coisas em menos tempo, com menos desgaste.

“Se foi bom para o cliente, a gente avança. Se não foi bom, a gente para”, resume Belmiro.

Ainda é cedo para dizer se a estratégia vai funcionar. Mas, para o Assaí, o futuro do atacarejo está diretamente ligado a sua capacidade de resolver cada vez mais problemas antes do cliente chegar ao caixa.

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