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Você sabe quantos anos tem? Pense antes de responder

Você sabe quantos anos tem? Pense antes de responder

Não responda assim tão rápido, de imediato. Não se envelhece mais como antigamente. Leia e entenda. Depois, sim, responda quantos anos tem?
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A pergunta parece simples. E logo já respondi: 30. 40 minutos depois, já penso que estou mais entre 20 e 26 anos. Por que não? Se você pensa que ao menos a resposta da velha pergunta “quantos anos você tem?” é conhecida e clara, desculpe, mas é melhor pensar melhor. Vivemos em novos tempos. Temos em que nossa idade não define mais o que somos. E ainda bem. Da terceira idade, melhor idade, gerações X, Y, Z.

De tempos em tempos as classificações mudam, mas pouco se entende sobre elas. Entender como responder melhor a pergunta “quantos anos você tem?” passa por descobrir como se envelhece. O debate é complexo, mas é necessário, porque passa pelo modo como as empresas se relacionam com os consumidores.

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“A gente percebe uma tendência de gerações que não se encaixam no perfil geracional e que trafegam nos grandes clusters geração”, afirmou Facundo Guerra, CEO do Grupo Vegas, que mediou um debate intenso sobre longevidade no Whow! Festival de Inovação que acontece nesta semana em São Paulo. “Existe uma tensão, uma contradição sobre viver uma vida condizente com a idade como imperativo social. Agora, estamos vivendo um fenômeno, que é entender como envelhecer”, disse.

O que é ser velho hoje? “Idade é uma construção cultural. Temos uma idade de cronológica e uma idade social. O que representa a minha idade? A gente fica pensando nas funções. Estamos presos aos estereótipos ainda, mas estamos falando de uma revolução subjetiva”, disse Hilaine Yaccoub, antropóloga do Consumo da Smart Fit. Isso significa que envelhecer é mais uma questão de como as pessoas encaram essa fase do que uma questão biológica. “Quando você chega nessa fase, passa a ter propriedade de dizer não e a escolher o que vai fazer, mas ainda existe toda uma ditadura dizendo o que você deve ou não fazer, o que eve ou não vestir, por exemplo”, diz a especialista.

Idade biológica como limitador

O que eles querem dizer é que, embora a idade social esteja muito ligada ao estilo de vida e ao que as pessoas querem e buscam, essa busca ainda é pautada dentro de uma caixa limitada pela idade biológica. A globalização, a difusão de informação e o contato cada vez mais rápido com outras culturas e ideias fizeram com que as pessoas repensassem esses limites. A partir daí, o movimento “Ageless” só cresce.

“Esse movimento não é apenas uma questão de estética. O idoso não se percebe, e não se vê mais como alguém impotente, ou como alguém que não tem projeto de vida. Ele busca segurança e sentido. As pessoas estão tendo mais liberdade de ousar mais, de aproveitar melhor o tempo, porque o capital que elas têm é o tempo. E isso independe de gênero e de classe social”, afirma Hilaine.

Segundo a especialista, esse movimento, ao contrário de tantos outros, não é uma fabricação de mercado, é uma expressão. “Nossa expectativa de vida aumentou absurdamente. Os velhos passaram a ser muito mais velhos. A questão é quem é esse velho, que cuida que outro velho?  Veja bem: ele não usa bengala. Ele usa Viagra”, provoca.

“Ainda temos ideias preestabelecidas do que os velhos têm de fazer, mas isso está mudando. Até por parte das pessoas mais velhas, que têm uma rigidez muito grande ainda. É uma questão de personalidade, de gostar de ouvir. Estamos migrando para um envelhecimento mais aberto”, afirmou Demétrius Daffara, sócio do Na Rua Conteúdo Estratégico. “Você consegue acordar uma pessoa que está dormindo, mas não uma pessoa que está fingindo que está dormindo. É começar a desconstruir o que é ser velho”, disse.

Não se envelhece mais como antigamente

Quando Guerra completou 40 anos, ele passou a noite inteira mal. “Até então, a morte era só uma abstração. E você começa a criar dispositivos para desacelerar esse processo de degradação biológica. Se envelhecer envolve criar um sentido, como você faz isso em tempos em que a civilização ainda não encontrou um caminho, em meio a tanta polaridade?”, questiona.

“Estou no processo de entender o que é isso”, afirmou Gustavo Caldas Brito, cofundador da Extramuros Escola de Projetos. “Esse processo de inovar e envelhecer passa pela maneira como você dialoga com as coisas do mundo. Ser Ageless é criar mais alternativas de futuro. Quando a gente fala de entropia, a gente fala do consumo de energia, como ela se consome por completo, e isso a gente pode aplicar para tudo”, analisou.

O empreendedor cita Heráclito quando afirma que “nada é permanente, exceto a mudança”. “A longevidade tem a ver com a capacidade de reaprender e se adaptar. O analfabetismo do século 21 está relacionado a nossa incapacidade de se desconstruir”, disse. “Quando você não é capaz de dialogar com as pessoas e coisas ao seu redor, você envelhece. O Ageless tem a ver com ser capaz de dialogar”, afirmou Brito. “A partir do momento em que você começa a desqualificar a geração que está chegando, você está velho”.

“Existe algo curioso, do fato das pessoas terem referências simultâneas. E muitas vezes os netos trazem a referência para os mais velhos. Hoje, existem mais trocas. Não existem mais fronteiras”, afirma Daffara.

Velho é lindo

Essa expressão está rodando por aí e é muito mais do que uma frase de efeito. É um movimento, disse Brito. “Essa expressão é uma libertação.  A gente não pode prescindir de ninguém. Acredito que escolher envelhecer é uma questão de decisão. É uma escolha”, disse Brito.

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