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CX e viralização: qual é a lição do post do Nikolas no consumo?

CX e viralização: qual é a lição do post do Nikolas no consumo?

A viralização nos ensina que as relações de consumo devem ser construídas com foco no consumidor e com estratégias transparentes.
Legenda da foto
Foto: Shutterstock.

A viralização nas redes sociais demonstra um novo paradigma sobre como o consumo se dá no ambiente digital. Afinal, a capacidade de uma ideia, produto ou serviço se espalhar rapidamente entre usuários apresenta oportunidades únicas e desafios significativos.

Tanto isso é verdade que, na semana passada, o Brasil presenciou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) postando um vídeo nas redes sociais sobre o monitoramento do Pix. O conteúdo do material foi o estopim para que o Executivo Nacional voltasse atrás e revogasse uma medida anunciada pela Receita Federal que colocava uma lupa sobre as transações acima de R$ 5 mil em pessoas físicas e R$ 15 mil nas empresas.

Rapidamente, após o vídeo publicado, o presidente Lula foi superado pelo parlamentar em número de seguidores no Instagram. E, agora, Nikolas Ferreira têm 15,6 milhões contra 13,3 milhões. Para se ter uma ideia maior do impacto, o deputado alcançou 291 milhões de visualizações no Instagram. Seu vídeo, inclusive, superou Lionel Messi celebrando a vitória na Copa do Mundo de 2022 (206 milhões) e até a comemoração de Donald Trump pela vitória na disputa presidencial dos EUA em 2024 (57 milhões).

Viralização

Trecho do vídeo do deputado Nikolas Ferreira, que viralizou nas redes sociais.

A Quaest divulgou um levantamento no dia 17 de janeiro, mostrando o impacto da viralização da publicação do deputado.

De acordo com a Quaest, o volume de menções sobre as mudanças no Pix nas plataformas X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube começou a aumentar após a divulgação de um vídeo pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) no dia 6 de janeiro. Esse aumento foi acentuado quando o presidente Lula e o ministro da Fazenda Fernando Haddad publicaram vídeos explicativos, colaborando mais ainda para a viralização do post de Nikolas.

Segundo o CEO da Quaest, Felipe Nunes, da parte do governo, a ação falhou por três motivos: “em primeiro lugar, timing inadequado. Em segundo lugar, diagnóstico incorreto e, em terceiro, estratégia equivocada”. Felipe Nunes afirma que “o governo levou tempo para entender o que estava acontecendo e acabou se atrasando no tema… E o timing é fundamental para quem deseja influenciar o debate digital”.

O impacto do vídeo

O impacto gerado por esse post transcendeu expectativas, evidenciando o poder das redes sociais em mobilizar opiniões e influenciar decisões governamentais. E esse fato impacta as relações de consumo como uma luva, afinal a mensagem que ficou é clara: a força de um único indivíduo pode provocar desdobramentos significativos em um sistema complexo como o nosso.

O fenômeno não se limita somente a quantidades e visualizações, mas à transformação que isso pode proporcionar em outros contextos.

Segundo Felipe Nunes, com a viralização do post de Nikolas, o governo decidiu amenizar a situação. “Era o que a maioria dos contribuintes previa após todos os acontecimentos. Contudo, essa revogação não ocorreu sem consequências. Ela expôs a fragilidade do governo, dando a impressão de que o governo estava equivocado”, analisa.

Dessa forma, o fenômeno da viralização nos traz alguns conceitos importantes. Primeiro, destaca-se o potencial da comunicação direta e autêntica, que ressoa com o público acima de tudo. Em segundo lugar, a importância de uma posição clara e bem definida, capaz de unir vozes em torno de uma causa comum. E, para as relações consumeristas, fica o legado: a capacidade de gerar diálogo e mobilização é um ativo valioso que não pode ser negligenciado.

Lição que fica: CX

Dessa forma, levando o assunto para as relações de consumo, a pergunta é: qual é a lição que podemos extrair dessa situação?

Primeiramente, a autenticidade é crucial. Os consumidores estão cada vez mais atentos a mensagens que parecem genuínas e ressabiadas com abordagens excessivamente comerciais. Portanto, marcas que desejam viralizar devem se concentrar em construir uma narrativa que ressoe com sua audiência, promovendo conexões emocionais e comunitárias.

Além disso, a segmentação e o entendimento profundo do público-alvo são essenciais. Quem explica melhor é Stella Kochen Susskind, fundadora e CEO da Shop & Test: “Com a vastidão de informações disponíveis, as marcas precisam identificar quem são seus consumidores e como abordá-los de ‘forma eficaz'”.

Cliente no centro

Em outras palavras, a falta de compreensão das necessidades dos clientes pode comprometer a confiança dos clientes na empresa. “Quando as empresas não reconhecem a complexidade de seus clientes, arriscam criar uma desconexão. Isso resulta em frustração e perda de lealdade. Ou seja, escutar atentamente e se envolver ativamente com o público é vital. Cada cliente tem uma história única que, se ignorada, pode prejudicar a confiança que eles depositam na sua marca”, ressalta Stella.

Stella Kochen Susskind, fundadora e CEO da Shop & Test.

Campanhas que aproveitam dados de comportamento do consumidor podem criar conteúdos personalizados que estimulam o compartilhamento.

A agilidade na adaptação também é um fator determinante. O que é relevante hoje pode não ser amanhã. Para acompanhar essas mudanças, as empresas devem ser flexíveis e rápidas em responder às tendências emergentes. Uma marca que demonstra insights sobre uma determinada cultura ou evento pode se tornar rapidamente um tópico de conversa.

Micro-influenciadores

Outro ponto importante é a influência dos micro-influenciadores. Estes profissionais têm um público mais engajado e podem ajudar a propagar uma mensagem de maneira mais orgânica e com um custo geralmente menor do que campanhas tradicionais. As empresas que reconhecem e aproveitam essa dinâmica conseguem se beneficiar de uma percepção mais positiva e autêntica.

Por fim, a análise de dados e métricas se torna indispensável. Compreender quais conteúdos estão performando e o porquê é essencial para refinar as estratégias de marketing e impulsionar futuras ações.

Quanto mais a marca souber sobre o que ressoa com seu público, mais provável será seu sucesso em criar uma viralização sustentável.

Em suma, a história do post de Nikolas Ferreira não é apenas sobre visualizações, mas sobre o potencial de transformação que podemos alcançar através do engajamento e da colaboração.

Em resumo, uma marca pode aproveitar a viralização a seu favor seguindo as dicas:

  1. Tenha em mente que a viralização é uma força poderosa no mundo digital;
  2. A viralização mostra que os consumidores estão no controle. Eles têm o poder de amplificar a voz das marcas, então, é crucial entender suas necessidades e desejos para criar um engajamento verdadeiro;
  3. Dados são essenciais. Analisando padrões de viralização, as empresas podem identificar tendências e comportamentos que moldam suas estratégias. Ouvir o que os consumidores estão dizendo é um passo vital;
  4. Transparência gera confiança. Marcas que compartilham suas histórias e valores de forma autêntica são mais propensas a viralizar. Os consumidores apreciam a honestidade e conectam-se emocionalmente;
  5. Além disso, aproveitar as plataformas certas é fundamental. Conhecer onde seu público-alvo se concentra é o primeiro passo para maximizar a exposição e impulsionar a viralização de campanhas;
  6. Por fim, a adaptabilidade é chave. As marcas que aprendem a se ajustar rapidamente às dinâmicas da viralização conseguem manter-se relevantes e crescerem sua base de consumidores leais.

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Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

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