O guarda-roupa moderno já não é mais composto apenas por roupas e acessórios. Hoje, ele também inclui maquiagem, skincare, fragrâncias e produtos de autocuidado que ajudam a construir identidade e expressão pessoal.
É de olho nessa transformação do consumo que a Renner amplia sua atuação em beleza e entra na perfumaria fina com a primeira coleção de fragrâncias da Alchemia, marca própria criada em 2003 e que já reúne mais de 400 itens em seu portfólio.
O lançamento acompanha uma mudança de comportamento do consumidor, que já não considera moda, beleza e bem-estar como categorias distintas. O consumidor não quer apenas comprar um produto; ele busca experiências, pertencimento e formas de expressar quem é.
Mais do que lançar perfumes, a varejista busca fortalecer sua presença em diferentes momentos da rotina do consumidor.
“A gente vinha conversando, ouvindo e estudando esse nosso consumidor. Sentimos que faltava essa linha de perfumaria fina. Foi um trabalho de aproximadamente um ano, analisando tendências globais e locais, ouvindo nossas redes e entendendo o que nossos consumidores estavam buscando”, afirma Renata Altenfelder, CMO da Lojas Renner S.A.
Segundo a executiva, a decisão foi impulsionada principalmente pela proximidade da marca com seus consumidores e pela maturidade alcançada pela Alchemia ao longo dos anos.
“O que nos motivou, antes de tudo, foi o nosso consumidor, o carinho que eles têm com a gente, a ligação que eles têm com a marca e a leitura das tendências do mercado”, diz.
Uma leitura do mercado de beleza
A entrada da Renner na perfumaria fina acontece em um momento favorável para a indústria da beleza. Nos últimos anos, categorias como perfumaria árabe e beleza coreana ganharam espaço no varejo brasileiro, impulsionadas pela busca dos consumidores por novidades, performance e custo-benefício.
“Quando falamos de Renner, falamos de estar conectados com essa mulher e esse homem, entendendo o que eles estão buscando e trazendo aquilo que faz sentido para eles”, afirma Renata.
Cada vez mais, o perfume deixou de ser um item reservado para ocasiões especiais e passou a integrar os rituais diários de bem-estar e autocuidado.
Atualmente, segundo levantamento da Kantar, 65% dos lares brasileiros consomem perfumes, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. A perfumaria feminina está presente em 57% dos lares brasileiros, enquanto a masculina alcança 34%.
O mercado nacional de fragrâncias movimentou aproximadamente R$ 18 bilhões nos últimos 12 meses encerrados em julho 2025, registrando crescimento de 15% em faturamento e de 17% em unidades vendidas.
Parte desse avanço está associado ao retorno da convivência social, à valorização do autocuidado e à popularização do conceito de “guarda-roupa olfativo”, no qual o consumidor passa a utilizar diferentes fragrâncias de acordo com a ocasião, o humor ou o estilo desejado.
A força das marcas próprias
A iniciativa também revela outra tendência importante do varejo: o fortalecimento das marcas próprias.
Em um cenário de maior sensibilidade ao preço e crescimento mais moderado da moda global, varejistas têm buscado desenvolver produtos exclusivos capazes de gerar diferenciação, fidelização e maior controle sobre a experiência do consumidor.
Segundo análise da McKinsey, a indústria global da moda deve continuar registrando crescimento de um dígito em 2026, movimento impulsionado pela volatilidade econômica e por consumidores cada vez mais atentos ao custo-benefício.
Nesse contexto, marcas próprias ganham relevância por oferecerem maior controle sobre produto, posicionamento, distribuição e margem.
Para a Renner, a nova linha de perfumes também tem o potencial de ampliar a frequência de compra e fortalecer a relação com seus clientes.
“Essa linha nasce tanto atrair novos consumidores para a marca quanto fidelizar os que já estão. Tem os dois pontos: aumentar a penetração e aumentar a frequência”, afirma a executiva.
“O fato de termos nossas próprias marcas, de desenvolvermos nossos próprios produtos, de termos uma base de 20 milhões de clientes e de trabalharmos com tecnologia de última geração para entender esse cliente é o que nos traz a vantagem”, destaca.
Mais do que perfume
A estratégia faz sentido em um contexto em que consumidores buscam sofisticação sem necessariamente migrar para marcas premium ou de luxo. O sucesso recente da perfumaria árabe mostra que existe espaço para produtos com boa concentração, alta fixação e preços mais acessíveis.
Não por acaso, a coleção da Alchemia chega ao mercado com seis fragrâncias em Eau de Parfum, concentração de 20% de essência e preço de R$ 149,90.
A escolha não é casual. Nos últimos anos, a ascensão da perfumaria árabe ajudou a educar o consumidor sobre atributos como concentração, fixação e desempenho das fragrâncias.
Hoje, muitos consumidores buscam perfumes mais sofisticados sem necessariamente migrar para marcas de luxo.
Ao destacar a alta concentração e o posicionamento acessível, a Renner procura ocupar justamente esse espaço.
A leitura desse movimento é que o lançamento vai além de disputar mercado com grandes perfumarias: consiste em uma estratégia maior da companhia para ampliar sua atuação em beleza e consolidar um ecossistema capaz de acompanhar a consumidora em diferentes momentos de sua jornada de estilo, autocuidado e expressão pessoal.





