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Viagem ao mundo dos meios de pagamento

Viagem ao mundo dos meios de pagamento

Money 20/20 mostra o panorama da evolução dos meios de pagamento em 4 continentes. Acompanhe essa jornada

Meios de pagamentos são globalmente locais, Universais, porém com aplicações distintas país a país. Como é possível assegurar a expansão de operadoras e adquirentes em outros países? Existe algum estudo ou local no qual possamos aprender como fazer adquirência em escala global? O Money 20/20 trouxe um painel com muitas ideias e conceitos para mostrar como funcionam os diferentes meios de pagamentos mundo afora, incluindo Europa, América LAtina, Ásia e África. O painel trouxe protagonistas do setor, como Daniel Chatelaine, Fundador e CEO da PayyKademy, Pascal Burg, Diretor da Edgar Bunn & Company, Philipp Bock, CEO da Allpago AL, Munya Chiura, Gead para Oriente Médio e África da Flywire, Yves Eonnet, CEO da TagPay e Lia Cao, Diretora Geral e head de business transformation do JP Morgan Chase.

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Europa, continente das fintechs

Pascal Burg iniciou os trabalhos desse painel diversificado sobre o contexto global dos meios de pagamento, abordando a realidade da Europa. O diretor da Edgar Bunn falou sobre a tendência de pagamentos instantâneos, baseado, quem diria, no sistema de TED oferecido no mercado brasileiro. O Banco Central Europeu está trabalhando para criar um sistema confiável de “Instant Payment”, ou pagamento instantâneo. A diferença do sistema brasileiro é o alcance a amplitude da iniciativa. Os BCE trabalha por um sistema funcional 24×7, 365 dias por ano entre os países da Zona do Euro. O panorama europeu também registra políticas consistentes de segurança, particularmente em transações on-line, propondo ao menos 3 camadas ou fatores de autenticação antes da efetivação de uma compra ou transferência de crédito. São políticas importantes, que lançam bases para fomentar um ecossistema de fintechs agressivo. Essas bases contemplam também, além de novidades na reguulação, novos modelos receptivos para entrantes, incluindo condições competitivas para a operação de sistemas como Apple Pay e Amazon Pay, inovação digital (fintechs e aplicações) e as mudanças no comportamento do consumidor e na expectativa dos varejistas.

Uma consequência dessas diretrizes foi a rápida adoção do modelo de pagamento sem contato (contactless), sem necessidade de chip, senha ou assinatura. O mercado comum europeu está buscando atrair investimentos para o negócio de meios de pagamento, pois enxerga aí um vetor de crescimento e fomento à atividade econômica.

Ásia e a força das eWallets

Na sequência, Lia Cao, Head do JP Morgan Chase no mercado asiático, mostrou a evolução acelerada do continente. A Asia reúne uma população de 5 bilhões de pessoas e produto interno bruto total de US$ 27 trilhões. É um continente de contrastes, com culturas muito particulares, China, Japão, Indonésia, Índia, Oriente Médio. Há países com mais de 90% de penetração de internet e outros, com taxas em torno de 40% de penetração. Ainda assim, o continente asi´ático representa 60% do comércio global, com destaque para a China 24% e a Índia, 25%. Sim, a Índia hoje movimenta mais recursos comercialmente, do que a China.

Todo esse poder financeiro se caracteriza por dinamismo no sistema financeiro e de meios de pagamento. Carteiras digitais (eWallets) são largamente utilizadas, e o dinheiro em espécie representa apenas 9% das transações emm todo o continente, um número impressionante que retrata a velocidade da adoção digital. Esse ritmo de evolução deve-se à combinação da expansão das mídias sociais, mobilidade e estilo de vida. Esses fatores colaboraram para a criação de gigantescos ecossistemas de pagamentos, com o Alipay à frente. Há outro vetor de transformação bastante relevante: a força de governos que intencionalmente fomentam a criação de tecnologias e políticas financeiras mais inclusivas e conectadas. China, Coréia, Japão, Indonésia e Singapura caminham para serem sociedades sem moeda física rapidamente.

Outro dado impressionante: pagamentos móveis movimentam mais de US$ 9 trilhões por ano na China, quase 9 vezes mais do que nos EUA, com 93% concentrados nas plataformas WeChat e Alipay. A expectativa é ver esse número subir para US$ 47 trilhões em 3 anos! O centro dessa transformação financeira passa pela adoção em massa das carteiras digitais, com um impulso de ação regulatória bastante sutil. Mesmo na índia, as carteiras digitais já são o meio de pagamento mais utilizado, totalizando 25% das transações.

A América Latina: competição complexa

Ao contrário da Ásia, o continente que reúne Brasil, Argentina, Colômbia e a flagelada Venezuela não apresenta penetração significativa de carteiras digitais. Há muita penetração ainda do uso de moeda física como meio de pagamento e muita força da regulação, particularmente no Brasil. Desse modo, os meios de. Pagamentos mais utilizados são justamente os cartões, com 65% de penetração contra 35% de outros meios, dinheiro incluído. Outro agravante é o peso dos impostos que encarecem as transações em cascata. Foi dessa forma que Philipp Bock, CEO da Allpago AL, deu início à sua apresentação.

O CEO da Allpago destacou uma análise SWOT da região e mostrou que o sistema financeiro do Brasil é avançado, o que ajuda. O país a representar 42% de todo o e-commerce da região. De maneira geral, o continente apresenta muitos players locais fortes, que juntos representam uma grande barreira de entrada contra empresas multinacionais. No Brasil, mais de 80% das transações acontecem com meios de pagamento locais, entre eles o boleto bancário que sempre causa surpresa em plateias globais, pela simplicidade e funcionalidade. Este meio de pagamento tipicamente nacional funciona como um complemento dos cartões e ferramenta de acesso ao consumo para quem não porta um cartão.

Philipp também destacou a complexidade de se operar com moeda estrangeira no Brasil, com taxas que oscilam sem muitos critério nas casas de câmbio. Philipp também destacou números do mercado mexicano, que possui problemas de confiabilidade nos sistemas de pagamento on-line. O uso doo dinheiro físico é ainda bastante disseminado. Na Argentina, por sua vez, os meios de pagamento preferenciais combinam dinheiro físico e cartões de débito. Mas já são 7 emm cada 10 cidadãos que usam cartão de crédito para compras on-line. Uma característica que unifica os países da América LAtina é sua proximidade cultural, nos formatos e cultura de pagamento, com o mercado dos EUA. No entender do CEO, há oportunidades viáveis para empresas e fintechs americanas de atuarem de forma bem-sucedida no mercado latino. Mas é importante ter em mente que os impostos são altos e os players locais são fortes.

África e seus desafios

Munya Chiura e Yves Eonmet mostraram a realidade do continente africano, um ambiente em construção, que está se educando para a tecnologia de meios de pagamento. A África ainda não tem bancos fortes ou expressivos em termos globais e há muito espaço para crescimento. Nigéria, Quênia, Marrocos, Egito e África do Sul são os principais mercados da região, que apresentam e-commerce em ascensão, impulsionadas pela força das telecoms, que criaram uma infraestrutura de pagamentos e transferências bastante eficiente. Mas de maneira geral, o continente é um quebra-cabeças, com culturas distintas e dificuldades específicas.

Por conta da cultura mobile, é possível verificar um crescimento significativo do uso das carteiras digitais no continente, particularmente na Nigéria. A realidade do varejo obedece à essas circunstâncias locais. Os varejistas mais qualificados procuram se conectar com bancos globais e então oferecer alternativas de crédito. O continente africano ainda é uma obra aberta.

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