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Varejistas de alimentos buscam alternativas frente aos impactos da alta do petróleo

Varejistas de alimentos buscam alternativas frente aos impactos da alta do petróleo

Uso de modelos preditivos para otimizar os transportes, ominicanalidade e conveniência para o consumidor ditam o ritmo do varejo de alimentos para superar a alta de preços
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Na esteira do conflito entre Rússia e Ucrânia e a alta do petróleo vem pressionando diversos setores a reverem sua política de preços. O setor varejista de alimentos é um deles.

Para o consumidor o cenário também não é dos melhores. Segundo especialistas econômicos a alta nos preços de alimentos no Brasil poderá continuar por todo este ano. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) os preços dos alimentos podem subir entre 8% e 20% na escala global.

Para o mercado varejista resta a missão de mitigar impactos para seguir em frente. Segundo Ricardo Saravalle, Head de Varejo e Bens de Consumo da consultoria BIP, um dos grandes impactos para o varejo está relacionado a alta dependência dos transportes rodoviários.

Com cerca de 70% do transporte de cargas passando por rodovias, e ainda uma baixa utilização de veículos híbridos e elétricos para as entregas dos produtos aos consumidores finais, essa alta dos preços dos alimentos tem relação direta com essa cadeia.

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Três iniciativas para varejistas combaterem a alta do petróleo

Para enfrentar o aumento do valor dos combustíveis, Saravalle recomenda que os varejistas procurem soluções em três iniciativas:

Inteligência em Transportes: Uso de modelos preditivos para otimizar os transportes (ocupação de veículos, circuitos de entrega e outros), além do cuidado e monitoramento na cadeia de distribuição evitando desvios;

Revisão da malha de distribuição: Ajustes nos fluxos de origem e destino dos produtos, buscando oportunidades de fretes mais baratos e ganhos tributários;

Omnicanalidade: Explorar o Clique e Retire nas Lojas físicas, pontos de parceiros como Postos de Gasolina e Lockers, para reduzir o volume de entregas na última milha.

varejistas
Imagem: canva.com

Leia mais: Varejo se prepara para a Páscoa e aposta em novas estratégias para vencer a crise econômica

Revisão do modelo de entrega também merece atenção

Um outro levantamento da consultoria Bip indica que os varejistas que entregam no endereço dos consumidores finais gastam cerca de 6x a mais do que os varejistas que entregam somente nas lojas físicas.

Este é um ponto que todo varejista deve olhar com muito cuidado agora, segundo o especialista da BIP Ricardo Saravalle. “A participação do gasto com transporte na receita do varejista na entrega do produto em lojas varia de 0,9% e 1,6%, enquanto na entrega ao consumidor final consome de 6% até 9% da receita “, conta.

Atenção aos investimentos para não perder oportunidades

Para a consultoria, o atual momento também pode criar oportunidades de crescimento. Os investimentos que vão deixar de ser feitos na Rússia deverão ser redistribuídos entre outros países. Segundo a Bip, parte dos investimentos de varejistas multinacionais que irão congelar suas operações na Rússia serão destinados ao Brasil, motivados pelo potencial de crescimento do país.

“Para os investidores o Brasil apresenta menor risco trazendo oportunidades para os varejistas com capital aberto e outros com planos de IPO. Os varejistas devem aproveitar estes recursos aportados internamente ou pelos investidores para crescer e melhorar seus resultados tanto nas lojas físicas quanto no e-commerce”, avalia Saravalle.

Desde o início de 2022 os investidores estrangeiros deixaram por aqui R$ 37,4 bilhões – valor maior do que o acumulado nos 12 meses de 2018, 2019 e 2020.

Leia mais: Estímulo de novas compras no crediário é solução para o varejo no início do ano

Conveniência poderá impulsionar o consumo?

Diante deste cenário, os pontos de vendas dentro dos condomínios no Brasil também surgem como uma boa alternativa para varejistas unirem conveniência e melhores resultados.

O supermercado paulista Hirota, é um dos varejistas que aposta nessa experiência para driblar os desafios. Hirota já tem 70 mini mercados automatizados em condomínios residenciais e deve abrir pelo menos mais 52 lojas este ano.

As lojas do Hirota funcionam em salas cedidas pelos condomínios ou em contêineres instalados por eles e oferecem um mix de 500 itens.

“A aceitação deste novo modelo tem sido alta nos condomínios, afinal, todos querem conforto e segurança na hora de fazer as suas compras”, afirma Hélio Freddi Filho, Diretor de Expansão e Comunicação do Hirota.

Este é apenas um dos muitos exemplos do varejo brasileiro, que mesmo em épocas de crise segue sendo criativo e arrojado. Especialistas apontam que o nicho em condomínios e modelos de loja autônoma surgem com potencial de crescimento no Brasil para os próximos anos.

Aliando tecnologia e conveniência, o varejo se redesenha para enfrentar momentos como este. Mesmo com os impactos da alta do petróleo, a modernidade e as novas experiências deverão ser ainda mais acentuadas nas relações de consumo. Ou seja, criar um novo significado de compra diante de um consumidor mais exigente, calculista e retraído financeiramente será o “novo” grande desafio para o varejo.

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