O TikTok anunciou uma atualização em suas diretrizes e padrões de moderação. O objetivo é reforçar a autenticidade da experiência na plataforma. A partir de setembro de 2025, as mudanças passam a valer globalmente e trazem como pano de fundo um esforço estratégico: priorizar conteúdos criativos e espontâneos em detrimento de publicações com caráter excessivamente comercial.
Segundo a empresa, o coração da plataforma continua sendo o For You Feed (FYF), a vitrine personalizada de recomendações que conecta usuários a novos criadores, tópicos e tendências. Porém, nem todo conteúdo estará apto a aparecer por ali. A ideia é que o FYF preserve sua essência como espaço de descoberta. Assim, evita que se torne apenas mais um canal de publicidade.
“Mantemos padrões de elegibilidade de conteúdo para o FYF que priorizam a segurança e nos baseamos na diversidade de nossa comunidade e práticas culturais. Embora a espontaneidade do FYF seja o que torna o TikTok único, ele se destina a uma variedade de públicos, desde adolescentes até bisavós. Tornamos inelegível para o FYF determinado conteúdo que pode não ser adequado para um público amplo”, disse a plataforma em comunicado.
O que muda no FYF
O FYF é descrito pelo TikTok como a alma da experiência do aplicativo. Diferentemente de redes baseadas em conexões sociais, a plataforma construiu sua força em torno de um sistema de recomendações que sugere vídeos com base no comportamento individual dos usuários: curtidas, comentários, tempo de exibição, compartilhamentos e até termos de busca.
Esse mecanismo continuará sendo central. Mas, agora terá filtros mais rigorosos. Conteúdos que direcionem usuários de forma insistente a compras externas, que explorem narrativas enganosas ou que não sejam adequados para um público diverso deixarão de ser elegíveis para o feed de recomendações. Na prática, isso significa que vídeos que promovem produtos de maneira repetitiva ou invasiva terão sua visibilidade reduzida. Já criadores que priorizam formatos mais criativos tendem a ganhar espaço.
Autenticidade no centro da experiência
As novas regras refletem uma preocupação crescente do mercado digital: equilibrar monetização com autenticidade. Embora o TikTok seja uma das plataformas mais procuradas por marcas e influenciadores para campanhas, a empresa deixa claro que não pretende sacrificar a experiência do usuário em nome da publicidade.
No caso das transmissões ao vivo, por exemplo, os criadores poderão continuar monetizando por meio de presentes virtuais e recompensas. Mas, conteúdos comerciais precisarão ser claramente identificados. Se o conteúdo comercial não for divulgado usando a configuração de divulgação de conteúdo, ele será inelegível para o FYF.
“Se encontrarmos conteúdo comercial que não tenha sido divulgado adequadamente, poderemos aplicar a configuração de divulgação de conteúdo ou removê-lo do FYF. A falha repetida em fazer uma divulgação pode levar à restrição temporária da sua conta para publicação de conteúdo ou ao seu banimento”, pontua a empresa. “Além disso, lives que incentivem compras fora da plataforma terão alcance reduzido, especialmente em regiões onde o TikTok Shop já está ativo. A medida busca evitar que os usuários se sintam pressionados por uma enxurrada de vendas, mantendo o foco em interações genuínas.”
Inteligência Artificial sob vigilância
Outro ponto das novas diretrizes é o uso da Inteligência Artificial generativa. O TikTok reconhece o potencial criativo das ferramentas, mas alerta para os riscos de confusão entre fato e ficção. Para evitar a disseminação de desinformação ou manipulação de narrativas, conteúdos gerados por IA ou significativamente editados, principalmente os que retratam pessoas ou cenas de aparência realista, deverão ser obrigatoriamente rotulados. Isso pode ser feito com legendas, adesivos ou marca d’água, ou com a etiqueta AICG do próprio TikTok.
A ausência dessa sinalização poderá levar à remoção ou à restrição de alcance. E, mesmo com os rótulos, certos usos continuarão proibidos. É o caso de deepfakes políticos, manipulações sobre eventos de crise ou representações sexualizadas de menores e figuras privadas. A plataforma reforça que a divulgação é necessária quando o conteúdo não é prejudicial, mas pode ser confuso, como por exemplo quando um rosto é substituído pelo de outra pessoa, ou se um fundo, objeto ou pessoa é adicionado ou removido de forma enganosa. Aplica-se também em caso de áudio gerado por IA que imita a voz de uma pessoa real.
“Qualquer conteúdo de aparência realista que ainda não tenha sido confirmado como AIGC ou conteúdo significativamente editado, mas que apresente questões de importância pública de uma forma que possa levar a interpretações errôneas ou causar danos a figuras privadas”, frisa.
Limites para comentários e interações
A autenticidade não se aplica apenas ao conteúdo em si, mas também às interações. Os comentários passam a ser mais moderados, com prioridade para aqueles que contribuem para conversas relevantes. Mensagens de spam, provocações agressivas ou linguagem ofensiva terão menos destaque, ou poderão ser removidas. A intenção é tornar os espaços de diálogo mais saudáveis e reduzir o peso do discurso de ódio e da autopromoção desenfreada.
“Se um comentário violar nossas regras, nós o removeremos. Se alguém continuar violando as regras, podemos limitar ou remover sua permissão para comentar; em casos mais graves, podemos banir sua conta”, reforça o TikTok. Além disso, o sistema de classificação levará em conta o histórico de engajamento de cada usuário, como curtidas e denúncias, para determinar a relevância dos comentários.
O papel das contas políticas e governamentais
O TikTok também definiu regras específicas para contas ligadas a políticos, partidos e órgãos governamentais. Segundo a plataforma, embora reconheça o valor dessas vozes no debate público, a presença delas será tratada com cautela.
Violações graves às diretrizes, como incitação à violência ou desinformação, poderão levar ao banimento imediato. Já em casos recorrentes, mas menos severos, as medidas incluem restrição temporária de alcance e bloqueio de novos conteúdos.
Busca mais segura e diversificada
A ferramenta de busca, outro ponto central da experiência no aplicativo, também terá ajustes. Em casos de risco elevado de danos, como termos associados a assédio, sensacionalismo ou violência, os resultados poderão ser limitados. Além disso, os algoritmos passam a priorizar conteúdos de fontes consideradas confiáveis, especialmente em temas sensíveis.
“Recomendamos buscas no TikTok para promover a descoberta, o aprendizado e a exploração. Para garantir que a experiência permaneça segura e agradável, priorizamos conteúdo divertido e informativo nas recomendações de busca e não recomendamos termos associados a assédio, sensacionalismo ou temas gráficos e perturbadores”, finaliza.
*Foto: Vlad Ispas / Shutterstock.com





