“Tudo o que você precisa na vida é de uma dose de ignorância e outra de desconfiança. Aí o sucesso está garantido.” – Mark Twain, Estados Unidos (1835-1910).
Do latim successus, sucesso é “avanço”, “resultado”, e se conecta com o que se sucede, “vem depois”. Por sua vez, felicitas é a “sorte boa”, “prosperidade”. Filosoficamente, há séculos, estes conceitos têm sido discutidos. O que os antigos chamavam de “vida boa”, por exemplo, que era uma vida feliz, tem significados bem distintos hoje, era do êxito social vinculado a uma cultura de performance, de fazer, e ter mais e mais. Em tempo: o que é ser bem-sucedido e feliz? É ganhar dinheiro? Ter fama? Visibilidade? Viver com intensidade?
O fato é que tem muita gente que ainda não percebeu que:
- Sucesso nem sempre traz felicidade: a conquista pode custar caro e, a manutenção, ter um preço ainda mais alto (vale colocar na balança para ponderar os prós e os contras);
- Viver bem é diferente de ser “bem de vida”: tem quem viva bem com pouco dinheiro e tem gente na fartura que não sabe aproveitar a vida (a ganância pode gerar insatisfação);
- “Bem-sucedido” é uma coisa diferente para cada um: crenças mudam de pessoa para pessoa (pontos de vista diferentes: o sucesso para uns pode ser fracasso para outros).
Lógica inquietante, não? Compartilho aqui uma experiência que ficou na minha memória para refletirmos em conjunto. No meio de uma reunião, surgiu uma discussão sobre os conceitos de “implícito” e “explícito”. O cliente me chamou de canto e sussurrou: “Minha recomendação é não prosseguir nesta discussão. Sei que vocês estão fundamentados em argumentos pertinentes, mas melhor ceder – prefere ser feliz ou ter razão?”.
Quem é que já não passou por alguma situação similar? Do lado de cá, mantivemos a nossa felicidade falando o que consideramos ser a verdade. Contra fatos, os achismos ficam fracos. Foi sucesso. Mas poderia não ter acabado bem, se o cliente se sentisse ofendido ou considerasse uma situação de desdém.
E você? Como lida com esta equação? O quanto a sua dignidade interfere nos processos e qual a sua flexibilidade para lidar com o ego, a felicidade e o sucesso dos outros?
Resumo desta confabulação, para gerar inquietação: assim como não existe um “mundo melhor” ou padrão de “qualidade de vida” igual para todo mundo, também não existe uma só “felicidade” e, muito menos, um só “sucesso” que seja unanimidade. O que fazer? Lembrar que além de você existem os outros, que também querem ter uma vida boa, cada qual à sua maneira. Será que a felicidade, assim como a liberdade, termina onde começa a das outras pessoas?
Para quem quer fazer bons negócios e viver em paz, lembrete: muitas vezes, menos é mais.





