/
/
/
SKY e DirecTV conciliam CX e eficiência com IA no atendimento

SKY e DirecTV conciliam CX e eficiência com IA no atendimento

Com mais de 20 milhões de clientes atendidos, operação mostra como agentes de IA podem unir compreensão, resolução e eficiência em conversas de ponta a ponta
Foto: Carol Midori
Legenda da foto
Entender o que o cliente quer dizer, acompanhar o contexto da conversa e resolver a demanda até o fim. Na SKY e na DirecTV, mais de 150 agentes de IA já atenderam mais de 20 milhões de clientes. A escala veio acompanhada de resultados: na SKY, os pedidos imediatos para falar com um atendente humano caíram 51%; na DirecTV, a IA reteve 65% dos clientes que ligaram com intenção de cancelar. No CONAREC 2026, executivos da SKY, Grupo Werthein e Accenture mostraram o que existe por trás desses números – e por que colocar IA na voz exige muito mais do que automatizar uma conversa.

Melhorar a experiência de quem liga para a central e, ao mesmo tempo, reduzir o tempo de atendimento e aumentar a eficiência operacional. A SKY e a DirecTV estavam diante desse desafio quando decidiram adotar IA no atendimento de forma estratégica.

O objetivo inicial era reduzir o número de menus que o cliente tinha de percorrer. “A ideia da IA agêntica parecia o plano perfeito”, diz Leonardo Vieira, managing director da Accenture, durante o CONAREC 2026.

Transformar a ideia em uma operação real, porém, exigia lidar com o porte das operações: milhões de clientes, milhões de contatos e uma série de picos de atendimento associados a períodos específicos de campeonatos de futebol e programas de TV. Além disso, havia questões linguísticas: o Brasil, em sua dimensão continental, abriga os sotaques e expressões muito variadas – parece até que há países diferentes dentro do mesmo território. 

Nesse contexto, adicionam-se fatores de complexidade à conversa por voz. Um agente precisa acompanhar a intenção do consumidor mesmo quando ele muda a forma de se expressar ao longo da ligação. “Eles têm de conseguir interpretar o contexto da situação, não só o imediato”, explica Leonardo. Isso inclui entender o que já foi dito, buscar a informação adequada e conduzir a solicitação até o fim.

Compreender o pedido antes de responder

Para tornar os desafios mais claros, Meire Matos, diretora Illumia de Customer Care da SKY, reproduz para a audiência do CONAREC 2026 um pedido de segunda via que, apesar de simples, demonstra bem a atuação da IA no dia a dia.

“Sempre pensamos em construir essa jornada de uma forma empática, não-robotizada”, afirma. No caso, o cliente diz que quer receber a conta “para pagar no banco” – sem usar a palavra boleto. O agente precisa reconhecer a intenção, enviar o documento, verificar se ele chegou… e fazer tudo isso sem passar a impressão de que houve algum tipo de intercorrência durante o atendimento. 

Acertar a intenção não basta se a resposta demora, como explica Carlos Capps, general manager Brasil da Illumia, do Grupo Werthein. A busca por informações em sistemas legados pode criar uma pausa na conversa e, para o cliente, esse intervalo gera dúvidas: a ligação caiu ou alguém ainda está atendendo? Além disso, a tecnologia precisa enfrentar instabilidades de sinal do cliente, oscilações no contato (porque muitas vezes a ligação ocorre em trânsito) etc.

A operação também precisa lidar com respostas incorretas que soam seguras. Afinal, a IA generativa ainda erra – e com confiança! Nesse sentido, Vieira aponta para a importância de estabelecer limites e mecanismos de proteção para os agentes. Capps acrescenta que é necessário acompanhar continuamente as interações para verificar se a tecnologia cumpre seu objetivo e resolve o problema apresentado.

Foto: Carol Midori

IA no atendimento passa a fazer parte da operação

Esse acompanhamento muda a forma de planejar o trabalho. “Isso não é uma transformação, é a nossa nova realidade”, diz Meire. Na SKY, ela explica, a operação passa a considerar desde o início o que pode ser feito pela IA e como os profissionais humanos participam do atendimento. “Quando vamos implementar ou lançar algo, começamos pela IA”, conta.

Capps vê esse movimento como uma mudança duradoura, que exige investimento, revisão e aprendizado. “Não é um investimento com começo, meio e fim. É um trabalho contínuo, um novo modo de operação”, afirma.

O executivo lembra que a tecnologia também permite organizar melhor o trabalho das equipes humanas, com formas diferentes de atender necessidades distintas. A plataforma desenvolvida para a operação busca ouvir e analisar as interações para melhorar as conversas futuras.

O que muda para o cliente

Segundo o managing director da Accenture, a implantação já atendeu mais de 20 milhões de clientes e reúne mais de 150 agentes de IA criados para conduzir solicitações de ponta a ponta, sem transferência automática para um atendente humano. 

Os números mostram a escala do projeto e os indicadores relatados pela diretora Illumia de Customer Care reforçam o êxito da estratégia: na SKY, as ocorrências em que o cliente acessa a URA e pede imediatamente para falar com uma pessoa caíram 51% após a implementação; na DirecTV, houve 65% de retenção entre os clientes que ligam com a intenção de cancelar. Houve também uma redução nas transferências para o atendimento humano.

A combinação entre experiência e eficiência, portanto, não depende apenas da automação de chamadas. Para que a IA resolva a solicitação e seja aceita pelo cliente, os agentes precisam compreender diferentes formas de falar, responder no tempo da conversa e reconhecer quando a participação de uma pessoa é necessária.

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Foto: Tiago Bernardes
O futuro do CX chegou, mas tecnologia sozinha não resolve
No CONAREC 2026, executivos mostram que personalização e automação já transformam o CX, mas reforçam que a tecnologia precisa estar apoiada em bons processos, dados, autonomia e capacidade de resolução
Banco Carrefour atinge impacto de R$ 846 mil em 90 dias com IA na cobrança
Projeto desenvolvido com a Strategy Big Data analisou mais de um milhão de ligações por mês, acelerou decisões e aumentou a eficiência, sem deixar a cobrança humanizada de lado
No Bradesco, conversas gravadas viram inteligência comercial
Com o Speech Analytics da Verint, o Bradesco estruturou a análise das interações entre gerentes e clientes no atendimento a distância para qualificar ofertas, capacitar equipes e trazer a voz do cliente para as decisões de negócio
IA é a ferramenta, o CEO, a estratégia
Executivos de saúde, serviços financeiros, varejo e tecnologia discutem como transformar a Inteligência Artificial em ferramenta de produtividade, sem perder de vista estratégia, cultura, dados e humanização

Webstories

SUMÁRIO – Edição 298

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Camila Nascimento
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Vice-Presidente Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

Rodrigo Santinelo
rodrigo.santinelo@gpadrao.com.br

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadora
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Prime Video aposta em vídeos curtos e amplia funções do streaming Do clique ao dano: quem responde nas novas relações de consumo? Menos estímulos, mais experiência? Quando o tempo perdido vira indenização