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59% dos bancos e seguradoras testam IA multiagente, mas maturidade ainda engatinha

59% dos bancos e seguradoras testam IA multiagente, mas maturidade ainda engatinha

A diferença aparece principalmente na capacidade de integrar os agentes aos processos corporativos e estabelecer controles para sua operação, segundo estudo global da Capgemini
Foto: Shutterstock
A expansão dos agentes de inteligência artificial no setor financeiro aumenta a exigência por segurança, governança e controle da infraestrutura de nuvem. Pesquisa global aponta que 59% das instituições testam ou implantam sistemas multiagente, mas apenas 5% alcançaram maturidade em toda a organização. O estudo também destaca o uso da tecnologia na modernização de sistemas legados e na automação de processos.

A Inteligência Artificial deixou de apenas responder a perguntas para executar tarefas dentro das empresas. No setor financeiro, essa mudança coloca um novo desafio para bancos e seguradoras: garantir que os agentes de IA tenham acesso aos dados necessários, consigam executar operações e respeitem os limites estabelecidos pelas instituições.

Essa transformação também muda a importância da computação em nuvem. Mais do que oferecer capacidade de processamento e armazenamento, a infraestrutura passa a sustentar a atuação dos agentes, controlar seus acessos e permitir que as empresas acompanhem as decisões e ações realizadas pelos sistemas.

O avanço da tecnologia já aparece nas instituições financeiras. Segundo Relatório Mundial de Nuvem para Serviços Financeiros 2027 da Capgemini, 59% das empresas estão testando ou implantando sistemas multiagentes. Outros 10% já contam com orquestração em toda a organização, permitindo que diferentes agentes coordenem atividades e executem processos de forma autônoma.

A adoção, porém, ainda está longe de representar maturidade. Apenas 5% das instituições avaliadas alcançaram esse estágio em toda a empresa. A diferença aparece principalmente na capacidade de integrar os agentes aos processos corporativos e estabelecer controles para sua operação.

Entre as empresas mais maduras, 51% já operam sistemas multiagentes em toda a organização. Nas demais, o percentual é de 8%. A distância também aparece na governança: 94% das líderes utilizam mecanismos automatizados para aplicar políticas corporativas, enquanto o índice cai para 43% entre as outras instituições.

Os dados mostram que colocar agentes em funcionamento é apenas uma parte do desafio. À medida que esses sistemas passam a acessar informações, coordenar atividades e executar ações, as empresas precisam saber o que cada agente pode fazer e como identificar eventuais desvios.

Para 50% dos executivos entrevistados, requisitos regulatórios, residência de dados e certificações de conformidade estão entre os principais critérios de decisão. Segurança e gestão de identidade aparecem em 47% das respostas, seguidas por auditoria e rastreabilidade, com 39%.

A preocupação é especialmente relevante para o setor financeiro, que lida com informações sensíveis e operações submetidas a exigências regulatórias. Um agente que executa tarefas sem supervisão adequada pode expor dados, acessar sistemas indevidamente ou realizar ações fora das políticas da instituição. Por isso, a infraestrutura precisa permitir o controle dos acessos e o registro das atividades.

O desafio vai além da implantação

A expansão dos agentes também abre espaço para aplicações na modernização tecnológica. Instituições financeiras podem utilizar a IA para automatizar testes, refatorar códigos e atualizar aplicações antigas, reduzindo parte do trabalho envolvido na manutenção de sistemas legados.

A tecnologia pode ajudar a acelerar projetos que, tradicionalmente, exigem tempo e recursos das equipes de TI. Mas a integração com sistemas antigos e diferentes bases de dados exige uma arquitetura capaz de sustentar essas operações sem comprometer a segurança e a continuidade dos serviços.

Outro ponto é medir o retorno dos investimentos. Entre as instituições mais maduras, 83% já institucionalizaram ou otimizaram a responsabilidade pelos resultados dos projetos de IA. Nas demais, são 25%. O dado indica que acompanhar o impacto da tecnologia nos negócios também faz parte da evolução para operações mais autônomas.

Evolução da nuvem na era dos agentes de IA

Na análise do relatório, a expansão da IA agente no setor financeiro passa por quatro frentes principais:

  • A evolução da nuvem como estrutura que viabiliza e controla a execução de operações autônomas;
  • A crescente importância de critérios como segurança, governança e conformidade regulatória na escolha dos provedores;
  • O uso de agentes para acelerar a modernização tecnológica e reduzir a complexidade de sistemas legados;
  • A integração de mecanismos de controle e rastreabilidade que permitam ampliar a autonomia dos sistemas sem comprometer a responsabilidade das instituições sobre suas operações.

O levantamento ouviu executivos de 14 mercados, incluindo o Brasil, e abrangeu segmentos como bancos de varejo, gestão de patrimônio, pagamentos, bancos corporativos e de investimento e seguros.

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