A Inteligência Artificial deixou de apenas responder a perguntas para executar tarefas dentro das empresas. No setor financeiro, essa mudança coloca um novo desafio para bancos e seguradoras: garantir que os agentes de IA tenham acesso aos dados necessários, consigam executar operações e respeitem os limites estabelecidos pelas instituições.
Essa transformação também muda a importância da computação em nuvem. Mais do que oferecer capacidade de processamento e armazenamento, a infraestrutura passa a sustentar a atuação dos agentes, controlar seus acessos e permitir que as empresas acompanhem as decisões e ações realizadas pelos sistemas.
O avanço da tecnologia já aparece nas instituições financeiras. Segundo Relatório Mundial de Nuvem para Serviços Financeiros 2027 da Capgemini, 59% das empresas estão testando ou implantando sistemas multiagentes. Outros 10% já contam com orquestração em toda a organização, permitindo que diferentes agentes coordenem atividades e executem processos de forma autônoma.
A adoção, porém, ainda está longe de representar maturidade. Apenas 5% das instituições avaliadas alcançaram esse estágio em toda a empresa. A diferença aparece principalmente na capacidade de integrar os agentes aos processos corporativos e estabelecer controles para sua operação.
Entre as empresas mais maduras, 51% já operam sistemas multiagentes em toda a organização. Nas demais, o percentual é de 8%. A distância também aparece na governança: 94% das líderes utilizam mecanismos automatizados para aplicar políticas corporativas, enquanto o índice cai para 43% entre as outras instituições.
Os dados mostram que colocar agentes em funcionamento é apenas uma parte do desafio. À medida que esses sistemas passam a acessar informações, coordenar atividades e executar ações, as empresas precisam saber o que cada agente pode fazer e como identificar eventuais desvios.
Para 50% dos executivos entrevistados, requisitos regulatórios, residência de dados e certificações de conformidade estão entre os principais critérios de decisão. Segurança e gestão de identidade aparecem em 47% das respostas, seguidas por auditoria e rastreabilidade, com 39%.
A preocupação é especialmente relevante para o setor financeiro, que lida com informações sensíveis e operações submetidas a exigências regulatórias. Um agente que executa tarefas sem supervisão adequada pode expor dados, acessar sistemas indevidamente ou realizar ações fora das políticas da instituição. Por isso, a infraestrutura precisa permitir o controle dos acessos e o registro das atividades.
O desafio vai além da implantação
A expansão dos agentes também abre espaço para aplicações na modernização tecnológica. Instituições financeiras podem utilizar a IA para automatizar testes, refatorar códigos e atualizar aplicações antigas, reduzindo parte do trabalho envolvido na manutenção de sistemas legados.
A tecnologia pode ajudar a acelerar projetos que, tradicionalmente, exigem tempo e recursos das equipes de TI. Mas a integração com sistemas antigos e diferentes bases de dados exige uma arquitetura capaz de sustentar essas operações sem comprometer a segurança e a continuidade dos serviços.
Outro ponto é medir o retorno dos investimentos. Entre as instituições mais maduras, 83% já institucionalizaram ou otimizaram a responsabilidade pelos resultados dos projetos de IA. Nas demais, são 25%. O dado indica que acompanhar o impacto da tecnologia nos negócios também faz parte da evolução para operações mais autônomas.
Evolução da nuvem na era dos agentes de IA
Na análise do relatório, a expansão da IA agente no setor financeiro passa por quatro frentes principais:
- A evolução da nuvem como estrutura que viabiliza e controla a execução de operações autônomas;
- A crescente importância de critérios como segurança, governança e conformidade regulatória na escolha dos provedores;
- O uso de agentes para acelerar a modernização tecnológica e reduzir a complexidade de sistemas legados;
- A integração de mecanismos de controle e rastreabilidade que permitam ampliar a autonomia dos sistemas sem comprometer a responsabilidade das instituições sobre suas operações.
O levantamento ouviu executivos de 14 mercados, incluindo o Brasil, e abrangeu segmentos como bancos de varejo, gestão de patrimônio, pagamentos, bancos corporativos e de investimento e seguros.





