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Porque ressignificar a morte pode te fazer viver melhor

Porque ressignificar a morte pode te fazer viver melhor

Dialogar sobre finitude está abrindo portas para um novo mercado wellness, que ajuda a sociedade a encarar o envelhecimento e a morte de forma mais positiva

Periodicamente a humanidade passa por processos de mudanças profundas, revisão de comportamentos, ambientes e estigmas sociais. A atualidade em conjunto com a democratização da informação e do conhecimento traz novas maneiras de olhar para coisas que antes eram deixadas de lado e por muitas vezes consideradas tabus.

A onda do wellness faz exatamente isso. Os cuidados diários com o corpo e a mente faz com que, aos poucos, as pessoas se coloquem mais a frente e pensem sobre questões até então estéreis na sociedade como o envelhecimento, o adoecimento e a morte.

A psicóloga e especialista em luto, Mariana Clark, explica que a sociedade tem exigido uma certa euforia, uma felicidade permanente, muitas vezes incompatível com a condição humana e que acaba por gerar sofrimento nas pessoas.

“Uma das maneiras que temos de acalmar esse sofrimento é olhar para as nossas escolhas e o estilo de vida que estamos levando, para nos relacionar melhor com as nossas dores e conseguir ter uma vida mais significativa do ponto de vista de propósito. Até pouco tempo atrás, não havia espaços de expressão e de validação dessas dores, apesar da morte fazer parte vida, a sociedade simplesmente não a permitia”.

O Global Wellness Trends Report 2019, relatório mais recente de tendências de mercado wellness realizado pelo Global Wellness Institute, traz a morte como personagem principal de um movimento de revisão de significados e geração de oportunidades.

Segundo o estudo, até hoje, muitas culturas, especialmente as ocidentais, fizeram da finitude um assunto incômodo, um processo que foi agravado pelo avanço tecnológico. Se antes a morte chegava no acalanto do lar e próxima dos familiares, a modernidade a fez migrar para um ambiente clínico, mais frio, de modo a evitá-la ao máximo.

Uma frieza, acelerada pela baixa da religiosidade, pelo menos no que diz respeito a predominância de uma religião em determinadas comunidades, levando os rituais de despedida para os impessoais velórios.

Duas forças, de acordo com o relatório, foram responsáveis pela negação da morte: a indústria biotech no Vale do Silício, que recebe bilhões em investimentos para estender radicalmente a vida e o mercado wellness.

Entretanto, essas forças também criaram um movimento de contracorrente, mostrando os benefícios de ressignificar a morte e buscar melhores maneiras de passar por esse momento, o chamado “Death Positive” ou positividade da morte.

Mariana Clark ressalta que quando as pessoas entendem que suas vidas tem um fim, se deparam e encaram ela de frente, naturalmente a vida começa a guinar e elas começam a pensar em que tipo de conexões e relações estão escolhendo do ponto de vista dessa finitude.

“Esse é de fato um movimento que tem acelerado as pessoas a pensar e falar sobre a qualidade das nossas escolhas e o que estamos fazendo com o nosso tempo, seja no sentido de propósito, trabalho ou de contribuição para o mundo. Refletir sobre isso faz com que sejamos fisicamente e emocionalmente mais saudáveis, que a gente comece a viver melhor”.

A tendência de ressignificar a morte e lidar com as memórias de quem se foi é um terreno delicado, que está sendo explorado com muita sutileza e sabedoria por algumas empresas. É o caso da Seven Capital, que investe em bioparques, onde árvores são plantadas a partir das cinzas de quem se foi. As plantas são identificadas com o nome da pessoa e um QRcode que redireciona o usuário a um perfil virtual com as melhores lembranças de quem está ali.

“São muitos mercados, não só do ponto de vista de bem-estar e de saúde, mas também sobre cuidados paliativos que fazem com que as pessoas tenham menos sofrimento ao se deparar com o fim das suas vidas”, explica a especialista.

“É importante que as famílias abram diálogo sobre planejamento financeiro e de suas escolhas ‘se eu quero ser cremado ou se eu quero ser enterrado’, por exemplo. Tudo isso para que em um momento de dor tão grande, o ente consiga eliminar essas questões. Existe sim um mercado que, aparentemente, vemos com maus olhos, mas que é um mercado pronto para dialogar e se planejar a respeito do nosso fim”, complementa Mariana.

Um terreno cheio de oportunidades, onde o impulso de trazer um novo sentido para a morte faz nascer produtos e serviços que buscam capturar melhor os novos anseios e valores de quem vive esse momento.

Podemos destacar aqui, as doulas da morte, pessoas preparadas para preencher o vazio entre os cuidados hospitalares e o medo das famílias, trazendo uma morte tranquila e com mais significado, respeitando os valores de cada família.

Há também um movimento por funerais individualizados, que levam a cerimônia até a casa ou a lugares que tenham a ver com a história de quem faleceu. A reinvenção de um ritual tradicional espera trazer mais conforto e proximidade para quem fica.

Para a psicóloga, a finitude está começando a quebrar tabus como o processo de envelhecer começou a quebrar há algum tempo. “A nossa capacidade de adaptação nesse processo e de escolher ter uma saúde melhor ao longo da vida é determinante para um envelhecimento bem sucedido, para que quando o individuo chegue ao fim da vida ele esteja com mais recursos físicos e emocionais para ultrapassar esse momento tão difícil”, termina.


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