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Sou resiliente (só) para o que me interessa

Sou resiliente (só) para o que me interessa

Tati Gracia apresenta o conceito de "resiliência seletiva", que combate o estereótipo de "Mulher-Maravilha". Entenda
Legenda da foto

Nós, mulheres, devemos aprender a falar não porque é importante priorizar e saber o que a gente não quer. Precisamos focar no que só nós podemos fazer e não nos cobrar perfeição porque ela só gera estafa e limitação

Tive a imensa honra de participar de um painel sobre liderança feminina, tendências globais e oportunidades de carreira no Women Leading Summit (WOL) Summit, na companhia de mulheres incríveis que me inspiram e admiro muito. Sabe aquele tipo de evento que você não quer que acabe?

Silmara Olivio, responsável pelas áreas de Relações Públicas e Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola para o Brasil e o Cone Sul destacou que sente, sim, uma evolução do papel da mulher no ambiente corporativo. “Quando iniciei minha carreira, há 30 anos, era realmente muito raro ver mulheres na liderança porque eram poucas as que nos serviam de exemplo.”

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Para Silmara, o Brasil, infelizmente, ainda detém o título de quinto país mais violento contra a mulher, apenas uma minoria das posições de conselhos nas empresas é ocupada por mulheres e ainda existe diferença de salários entre homens e mulheres. “Muito já foi feito, mas ainda há muito a fazer”, sublinha.

Na opinião de Ana Paula Gondim, head de Vendas da WeWork, o futuro é não termos mais que falar mais sobre esse assunto. “O mundo mudou, as empresas mudaram, os desafios são completamente diferentes e a gente precisa entender quem é a cara dessa liderança e o quanto as nossas essências, qualidades e características podem naturalmente estar no dia a dia das corporações sem precisarmos ainda ter como referência os padrões impostos de liderança masculina.”

Lu Lancerotti, diretora de Marketing da Microsoft, acredita muito na visão de que todos nós somos o equilíbrio entre o masculino e o feminino. “Precisamos inverter e começar a falar do femnino na liderança porque os homens também têm o lado feminino, como o cuidado e o sentido aguçado.”

Complementando a perspectiva da Lu, acredito que nós, mulheres, também temos um pouco do lado masculino, mais assertivo e um pouco duro – e está tudo bem, porque não precisamos ser uma coisa ou outra – temos que ser quem queremos ser. Temos esse direito de ser um dia de uma forma, em outro dia de outra forma – é sobre isso!

Estou falando da empatia, uma habilidade que pode ser treinada. Ela nada mais é do que você conseguir olhar para o outro e tentar entender aquela narrativa. É o antigo storytelling que a gente falava no marketing: como eu posso fazer para me colocar no lugar daquela pessoa e tentar estar com ela, não por ela – porque isso não é empatia.

Trata-se de um conceito que precisa ser praticado e a gente ainda está aprendendo sobre isso. Não à toa, trabalhamos muito na Mondelez esse olhar de trazer o homem para a conversa.

Cada vez mais chegamos à conclusão de que esse não é um papo de mulher para mulher, mas um papo de mulher para homem. O he for she é isso: como eu consigo trazer aquele homem para ter empatia conosco – não me colocar no lugar daquele homem. Se a gente conseguir inverter essa lógica, teremos um ambiente mais diverso, inclusivo e igualitário.

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De acordo com Silmara, o mundo é plural. Não somos uma coisa ou outra – somos tudo. “Então, é natural que um dia você vai ser mais flexível, em outro precisará ser mais pragmática. Isso vai além dos papéis do homem e da mulher. Portanto, abaixo os estereótipos! Que o futuro não nos leve para o caminho de trabalhar ainda mais estereótipos – muito pelo contrário.”

O grande trunfo hoje é, segundo Ana Paula, o poder de se reinventar e fazer a liderança dessa mudança de forma efetiva. “Cada vez mais temos nos deparado com situações novas e inusitadas. A gente não se adapta mais ao trabalho – agora é o trabalho que se adapta à nossa vida. A dificuldade de uma grande empresa acaba sendo a mesma de uma pequena”, compara.

Penso que a máquina cria padrão e o ser humano gerencia emoção. Uma das maiores habilidades que o ser humano começou a perder em função da pandemia foi a relacional. Hoje, vemos vários casos de pessoas com dificuldade de se relacionar fora da tela do celular ou do computador.

Essa flexibilidade do líder de aprender a capturar e interpretar sinais da sua equipe não é mais sofre efetividade, mas sobre o estado emocional daquela pessoa do seu time. Às vezes é uma situação familiar ou uma nova ferramenta com a qual não se sabe como lidar, outras vezes é a falta do conhecimento da troca de seres humanos.

Por isso eu digo que a habilidade futura, que sempre existiu na humanidade, é a de se relacionar. A gente não pode perder isso, senão vamos começar a ter a chamada “habilidade artificial”.

Considero um pouco cansativa a história de que a mulher é resiliente. Que somos pessoas que aguentam o tranco e seguram a onda de tudo e de todos. O famoso estereótipo de Mulher-Maravilha. Não, não sou. Eu sou resiliente para o que eu quero ser.

É o que Lu Lancerotti e eu chamamos de “resiliência seletiva”. Cunhamos esse termo, que significa: somos resilientes apenas para aquilo que nos interessa.

A resiliência está muito associada à priorização, que está ligada àquilo que você enxerga como valor. Então temos que entender o que para cada um é valor e respeitar isso. Aprender a falar não porque é muito importante priorizar e saber o que você não quer. Focar no que só vocês podem fazer. E não se cobrar a perfeição porque ela só gera estafa e limitação.



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