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A relação das classes C, D e E com suas finanças e meios de pagamento

A relação das classes C, D e E com suas finanças e meios de pagamento

Mapeamento realizado pela Visa e o Instituto Locomotiva reuniu insights sobre fatores que ainda criam resistência desses grupos ao dinheiro eletrônico
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Dados do PNAD/IBGE revelam que 70% da população pertencente às classes C, D e E são bancarizadas, contudo, esse grupo guarda uma característica complexa no que diz respeito à organização financeira e meios de pagamentos: eles ainda preferem controlar suas finanças e pagar suas contas com dinheiro físico. Outras pesquisas do segmento indicam que, em 2017, essas classes movimentaram cerca de R$ 1,7 trilhão, de modo que 60% desse montante foi transacionado em papel moeda.

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Para buscar entender como a população desse grupo se articula com seu dinheiro, a Visa e o Instituto Locomotiva se debruçaram em diferentes regiões do país para buscar entender o comportamento financeiro dessas pessoas em relação a suas finanças pessoais e formas de pagamento. O mapeamento chegou a seis fatores finais que ainda causam resistência desses grupos ao pagamento digital.

Desconfiança

A indústria financeira ainda é vista como olhos receosos por essas classes, de maneira que existe um medo recorrente de ter suas compras negadas na hora de efetuar o pagamento. “Em geral existe uma desconfiança da indústria financeira como um todo, isso passa obviamente por crises econômicas, tarifas cobradas pelos bancos. As pessoas falam que não entendem o que pagam em relação às tarifas bancárias e ao cartão de débito. Existe também o medo de quem já teve uma transação negada”, explica Ana Melo, Diretora de Produtos da Visa para o Brasil.

Juntamente com essa incompreensão sobre os custos, existem ruídos na comunicação entre o que empresas e consumidores. “É uma insegurança e falta de informação relacionada a todos os players do mercado. Eles não entendem a comunicação dos bancos, têm medo de ter a transação negada, esses fatores compõem o primeiro motivador”, complementa a executiva.

Empoderamento

A ideia do personagem Tio Patinhas mergulhando em dinheiro físico ainda passeia pelo imaginário de considerável parte da população. Ana Melo explica que a sensação de poder trazida pelo dinheiro físico ainda é determinante para que esse grupo ainda recorra ao dinheiro físico. Além disso, a moeda física também virou ferramenta de barganha na hora de realizar compras.

“A lei de diferenciação de preço foi aprovada no Senado, então, os estabelecimentos podem cobrar preços diferentes de acordo com a forma de pagamento. Ocorre que esse público não consegue barganhar com o cartão de débito. Entre as pessoas mais ‘seniors’, há o empoderamento do ‘dinheiro no bolso’”, explica a executiva.

Sensação de “controle”

Embora todas as instituições financeiras ofereçam ferramentas interessantes para o controle de gastos, boa parte dos entrevistados no estudo afirmaram que controlam melhor suas finanças com o dinheiro físico em mãos. “Muitos disseram que realizam saque de 100% do salário e o dinheiro é dividido para organizar o pagamento de contas e outro montante para gastar semanalmente. Se eu só tenho 100 reais para gastar por semana, tenho maior controle”, diz Ana.

Infraestrutura

Em determinadas regiões, o uso de máquinas de cartão ainda não está consolidado. O receio de chegar ao estabelecimento para realizar o pagamento com cartão e não poder comprar por “falta de sistema” também é determinante para o saque. “Por essa razão, estamos trabalhando fortemente em um projeto que se chama Cidades do Futuro, onde ampliamos a transformação do meio papel para o eletrônico de forma geral” explica a executiva.

Perspectiva de mudança

Diante do desafio de conquistar um público de potencial econômico gigantesco, os principais players da indústria de meios de pagamento estão com a missão de estabelecer um tipo de comunicação mais assertiva com essas pessoas. “Não fomentamos a educação financeira ao longo de anos, não é uma indústria tão simples de entender e isso se reflete nessa população que tem uma carência maior dessas ideias. Não será um papel exclusivamente dos bancos, acho que indústria como um todo tem uma missão de encontrar as soluções de como falar a língua deste consumidor”, conclui Ana.

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