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O uso das redes sociais e a saúde mental: como as marcas devem se portar no universo virtual?

O uso das redes sociais e a saúde mental: como as marcas devem se portar no universo virtual?

Atrelado ao aumento da ansiedade e depressão, o uso das redes sociais de forma excessiva traz um alerta para a saúde mental e passa a ser debatido pelas marcas com presença na web
Legenda da foto

Você acorda e, de forma automática, pega o celular e abre alguma das suas contas nas redes sociais. Ao longo do dia, essa prática se repete incessantemente sem que você perceba e, antes de se deitar, no período da noite, repete o mesmo mantra ao acessar o feed do Facebook ou dar uma olhadinha nos stories do Instagram. O uso das redes sociais, apesar de ser comum na sociedade contemporânea, tem gerado alguns alertas quando torna-se um vício e passa a afetar a saúde mental dos usuários.

De acordo com uma pesquisa científica publicada em 2018 na revista Guilford Press Periodicals, o uso exacerbado de mídias sociais como o Facebook, o Snapchat e o Instagram estão associados à diminuição do bem-estar e ao aumento da probabilidade de sofrer depressão ao longo do tempo.

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Uso desenfreado das redes aumenta ansiedade e medo

O estudo em questão analisou mais de 140 estudantes, entre 18 e 22 anos, que aceitaram um desafio durante o período de três semanas: um grupo poderia entrar em contato com as redes sociais ao longo de todo o período do dia, enquanto que o outro teria acesso somente durante dez minutos por dia. Como resultado, os acadêmicos constataram que a parcela das pessoas com uso limitado tiveram quedas significativas na ansiedade e no medo. Além disso, o levantamento contribuiu para a tese de que a redução do tempo de uso está atrelada, significativamente, à melhora do humor e do bem-estar.

Nesse sentido, em meio ao constante aumento de casos onde a saúde mental é afetada por conta do uso excessivo das redes sociais, surge a dúvida: como as marcas que estão presentes no mundo virtual e possuem presença nas páginas e perfis destas plataformas digitais podem se responsabilizar pelo conteúdo produzido em seus canais? Além disso, quais estratégias de relacionamento podem ser aplicadas pelas empresas para reduzir estímulos ao estresse e à angústia?

Com base nessas perguntas, conversamos com alguns especialistas no ramo da saúde e do marketing para entender melhor como deve ocorrer o processo de planejamento estratégico das marcas para interagir virtualmente com seus consumidores de maneira humanizada e harmoniosa.

Humanização é a palavra-chave no processo
de responsabilização das marcas

De acordo com a especialista em RH e psicóloga da ROI BRABO Lançamentos, Carolina Martins, “um ponto fundamental é entender que atrás da tela existe um ser humano que tem emoções, sentimentos, dúvidas, sonhos e preocupações”, inicia a especialista, que complementa: “por isso, antes de tudo, é essencial que as marcas não preguem vida perfeita, corpos perfeitos, relacionamentos perfeitos e/ou famílias perfeitas, já que é muito comum que as pessoas se comparem com o que veem nas redes sociais. Apesar de ser óbvio para alguns, não é tão claro para todos que o que vemos na internet é apenas um recorte de cenas escolhida da vida das pessoas”, explica a psicóloga.

“O uso em excesso de filtros e edições nas fotos é um dos principais gatilhos para desencadear transtornos mentais e sofrimento, principalmente entre os adolescentes. No ano passado, o Brasil teve um aumento de 141% no número de cirurgias plásticas entre jovens de 13 e 18 anos, de acordo com dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP)”, exemplifica Carolina Martins.

“Humanizar o contato e o relacionamento com o cliente é a grande solução. Mostrar que por trás das mega produções existem seres humanos com imperfeições, falhas e vulnerabilidades é uma ótima estratégia para parar de ‘vender a perfeição’ e se conectar ainda mais com o público/cliente. Além disso, abrir canais e propor debates sobre temas relevantes, até aproveitando datas comemorativas ou meses de prevenção, como por exemplo setembro amarelo, também é uma forma de conscientizar a audiência sobre problemas, levantar bandeira e ainda estreitar o relacionamento”, complementa a profissional de RH.

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Qualificação da equipe para lidar com a saúde mental dos usuários deve virar rotina nas empresas

Já o psicólogo e Founder na Evoluir Sempre, empresa de soluções em gestão de pessoas, Wanderley Cintra Junior, comenta que, além de conteúdos mais realistas e humanos, é essencial que as marcas qualifiquem suas equipes em relação a saúde mental: “ao fazer isso, as empresas têm dois ganhos: o de fortalecer o próprio time e o de gerar uma produção do conteúdo mais responsável. O mais importante é criar consciência em relação aos conteúdos e em como o público irá absorvê-los”, ressalta o especialista.

Como estratégia para tornar as redes sociais das marcas menos tóxicas, Wanderley Cintra Junior cita o contato direto com o público e o atendimento humanizado: “a escuta qualificada é uma ferramenta importante na estratégia de relacionamento, visto que auxilia na construção de relações fortalecidas com os clientes. Por vezes, quando as questões trazidas por clientes são semelhantes, há um desdenho por parte da empresa, pois cria-se a ideia de que seriam equivalentes. Porém, é essencial que a marca invista em um atendimento humanizado, prezando pela individualidade e pelas dores de cada cliente”, ressalta.

Por fim, o CEO da Fri.to, agência focada em buzz e performance, Marcel Matsuda, explica que as marcas devem investir cada vez mais no atendimento omnichannel e aderir diferentes maneiras de manter o contato com o público, seja de maneira online, seja no formato offline. “Todas as estratégias e campanhas publicitárias executadas de maneira consciente e saudável tendem a ser muito mais exitosas”, garante o executivo.

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