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Prometida há 12 anos, a Linha 17-Ouro tenta virar a página com a BYD

Prometida há 12 anos, a Linha 17-Ouro tenta virar a página com a BYD

Com investimento de R$ 5,97 bilhões, nova linha aposta em operação baseada em dados e integração entre modais para transformar o dia a dia de até 100 mil passageiros
Após 12 anos de atraso, a Linha 17-Ouro entra em operação em SP com tecnologia da BYD e promessa de mais integração e previsibilidade.
Foto: divulgação Metrô de São Paulo/ Marcia Alves.
Após mais de uma década de atrasos, a Linha 17-Ouro começa a operar em São Paulo com mais integração, automação e previsibilidade. Com tecnologia da BYD e operação ainda em fase de testes, a linha tenta deixar para trás o histórico de paralisações e provar, na prática, que pode funcionar no dia a dia da cidade.

Se você mora em São Paulo, provavelmente já viu.

As vigas da Linha 17-Ouro estão há anos atravessando a cidade, meio prontas, meio esquecidas. Um projeto que virou símbolo de atraso antes de virar transporte.

Agora, 12 anos depois da promessa inicial, a linha volta a virar assunto. Não só por estar avançando, mas porque tenta fazer algo diferente: funcionar de um jeito mais inteligente.

Retomada do projeto

A Linha 17-Ouro do metrô começou suas obras em 2012, com a proposta de ligar o Aeroporto de Congonhas, que recebe cerca de 60 mil pessoas diariamente, ao restante da rede de transporte da cidade.

No dia 31 de março de 2026, o primeiro trem com passageiros finalmente saiu da estação. Atualmente a operação acontece em horário especial de teste: de segunda a sexta-feira, inclusive feriados, das 10h às 15h. Com dois dos 14 trens disponíveis, o tempo de espera médio é de 7 a 14 minutos para circular os 6,7 km de extensão entre 8 estações, que a conectam com a linha 5-Lilás do Metrô e a linha 9-Esmeralda da CPTM.

A operação plena está prevista para outubro, quando a expectativa é atender cerca de 100 mil passageiros por dia.

Mas levar a linha ao funcionamento não foi uma tarefa fácil, porque o atual projeto não nasceu do zero, nem chega agora como novidade. Ele carrega um histórico longo de paralisações, trocas de fornecedor e um problema clássico de grandes obras: quando o projeto envelhece antes de ficar pronto.

Isso explica por que, agora, o desafio não é só concluir, é também ajustar. E foi por esse ponto que a BYD entrou no jogo. “O desafio era encontrar um fornecedor capaz de desenvolver e adaptar um material rodante compatível com a estrutura já construída”, explica Roberto Torres Rodrigues, diretor de Engenharia e Planejamento do Metrô de São Paulo.

Ou seja, mais do que tecnologia, o metrô buscava uma solução para o problema. “Nesse contexto, a BYD apresentou uma solução técnica que atendeu às exigências do projeto. O Metrô permaneceu como responsável pelo planejamento, integração do sistema e operação, enquanto a fornecedora adaptou seus trens e sistemas a uma infraestrutura previamente concebida”, conta.

BYD nos trilhos

Do outro lado, a já reconhecida marca de veículos elétricos aceitou o desafio de expandir os seus serviços no País. Nos últimos sete anos, a empresa investiu mais de US$ 1,5 bilhão em pesquisas e desenvolvimento de tecnologias metroviárias que já estão consolidadas na China. “O SkyRail, monotrilho do tipo straddle, foi lançado em 2016, e o SkyShuttle, sistema de people mover, em 2017. Ambos foram desenvolvidos e estão em operação em diferentes cidades do país, com aplicação em projetos reais de mobilidade urbana e contribuição para o avanço de sistemas de transporte mais integrados e sustentáveis”, conta Alexandre Baldy, Vice-Presidente Sênior da BYD do Brasil e Head Comercial e Marketing da BYD Auto.

A Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo é o primeiro projeto ferroviário da BYD fora da China. A empresa assinou o contrato em 2020 e, desde então, é responsável pelos trens e sistemas utilizados, além das portas da plataforma, sistema elétrico, mudança de via e controle operacional. “Esse movimento contribuiu para viabilizar a conclusão e a entrada em operação da linha no final de março, mas também reforçou uma estratégia global da Companhia, que vai além de fabricar carros: integrar soluções capazes de transformar a mobilidade urbana de forma inovadora e sistêmica”, conta o executivo.

Trens da BYD prontos para operar.
Foto: divulgação Metrô de São Paulo/ Marcia Alves
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Na prática, qual é a diferença?

A Linha 17-Ouro não é metrô como a gente conhece. Ela opera com monotrilho, um sistema mais leve, elevado, que ocupa menos espaço e se encaixa melhor em regiões já saturadas.

Mas o ponto não é o formato do trem, é o papel que ele cumpre. “O monotrilho não substitui o metrô convencional. Ele amplia a capilaridade da rede”, resume Roberto Torres.

Se por um lado a estrutura chama atenção, por outro, o que realmente diferencia a linha não é o que aparece, mas o que não aparece (ou não deveria aparecer).

Os trens foram projetados para operar de forma automatizada, sem condutor, com monitoramento constante por um centro de controle. “Isso reduz variáveis operacionais e torna o sistema mais estável e previsível no dia a dia”, explica Alexandre Barbosa, diretor técnico da BYD SkyRail no Brasil.

Na prática, toda a tecnologia abarcada proporciona viagens mais silenciosas, estáveis, com menos variações ao longo do trajeto, intervalos mais previsíveis e menos improviso. Além disso, os trens utilizam bateria Blade, tecnologia proprietária da BYD já aplicada em seus veículos, que permite a operação e o deslocamento dos trens por até 8km mesmo em situações de falta ou instabilidade de energia.

“A tecnologia, em grande parte, é invisível para quem usa, mas se reflete diretamente na confiabilidade da viagem”, reforça o Metrô.

Futuro da mobilidade

A Linha 17-Ouro não foi pensada como um projeto isolado.

Segundo o Metrô de São Paulo, o monotrilho faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão da rede por meio de sistemas complementares, conectando regiões, reduzindo impacto urbano e ampliando o alcance do transporte público.

O Governo do Estado de São Paulo já autorizou estudos para a expansão da linha em direção a Paraisópolis, de um lado, e Vila Paulista, do outro. O que indica que o modelo pode ganhar escala nos próximos anos.

Já a parceria com fornecedores tecnológicos, como a BYD, faz parte desse modelo, mas o direcionamento estratégico, o planejamento e a integração permanecem sob responsabilidade do poder público.

Foto: divulgação Metrô de São Paulo/ Marcia Alves.

Do lado da BYD, a aposta também é de longo prazo. E se depender da marca chinesa, a parceria vai longe.

De olho no complexo sistema metroviário do País, especialmente em São Paulo, a empresa confia na capacidade técnica para operar soluções avançadas de mobilidade. “A entrada no sistema metroferroviário brasileiro é um movimento natural dentro da evolução da companhia como greentech. Os desafios das cidades não são resolvidos por uma única solução de transporte — eles exigem sistemas conectados”, afirma o Vice-Presidente.

Tanto o Metrô quanto a BYD tratam a parceria como um projeto extenso, com a ambição de tornar a mobilidade urbana mais tecnológica, integrada e, principalmente, mais previsível.

Agora, a validação deixa de ser técnica e passa a ser do passageiro, que está testando a tão esperada linha. Até porque, o que sustenta qualquer transporte não é a promessa, mas sim o seu pleno funcionamento.

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