Depois dos booms da internet e das redes sociais, o mundo entra na era da segurança da informação. Os diferentes setores da economia estão correndo contra o tempo para garantir a adaptação de suas atividades às novas legislações de proteção à informação. Em agosto, o Brasil aprovou sua própria Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPDP), que entrará em vigor no começo de 2020.
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O Unisys Security Index 2018 aponta que 81% dos brasileiros estão preocupados com a ação de hackers sobre seus dados pessoais e financeiros, e metade desse percentual está extremamente alarmado sobre a possibilidade de outras pessoas acessarem ilicitamente suas informações.
Arte: Fernanda Pelinzon / Grupo PadrãoMarcus Luz, vice-presidente para Commercial da Unisys, garante que o mercado de segurança da informação deve manter a curva ascendente que caracterizou o setor na última década por pelo menos mais três anos. “Prevemos crescimentos de dois dígitos para soluções de portfólio de segurança cibernética. Esta previsão compreende serviços móveis e fixos, levando em conta o aumento de demanda de integração com serviços de IoT e migração para a nuvem”, aposta o executivo.
Apesar de a LGPDP ser nova no Brasil, já há uma movimentação de varejistas na busca pela construção de plataformas robustas de segurança da informação. Para o executivo da Unisys, “a transformação digital nas organizações deve acompanhar a criação de uma jornada digital, com atenção ao gerenciamento seguro dos riscos inerentes às mudanças de processos”, que serão acentuadas quanto maior for a aplicação de tecnologia dentro da empresa.
O início da caminhada
Os projetos de adaptação às novas exigências quanto à segurança da informação no varejo já estão caminhando, segundo Luz. Os varejistas com grande número de lojas entendem a complexidade das mudanças e a necessidade de encarar o desafio desde agora para conseguir atender às imposições da lei, que passará a valer ao fim de 18 meses da aprovação. “Essa adequação os varejistas não conseguem fazer sozinhos. Oferecemos consultoria para ajudá-los a entender quais são as possíveis vulnerabilidades e como implantar as soluções e operá-las dali em diante, mantendo o nível de segurança”, detalha.
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Quanto à formalização de parcerias com fornecedores de tecnologia, a tendência é aumentar o número de dispositivos em contrato sobre como as empresas parceiras devem se comportar. “As empresas de meios de pagamento ou provedores de cloud, por exemplo, serão mais exigidas. Será necessário que façam investimentos na construção de um ambiente digital seguro para abrigar os dados dos clientes”, explica o VP da Unisys.
Mudança no consentimento do uso dos dados
Com as novas exigências, aumenta a frequência com a qual as empresas precisarão buscar o consentimento dos consumidores no uso de seus dados, o que promete mudar substancialmente as práticas atuais. Hoje, a regulação não é clara sobre o uso de dados do consumidor por diferentes empresas.
Não é incomum empresas liberarem o Wi-Fi de suas lojas para que os clientes acessem a internet gratuitamente, mas, por outro lado, captam seus dados para vendê-los a outras empresas. Sem tomar conhecimento, o cliente passa a receber mensagens e spams de empresas terceiras às quais ele nunca deu autorização para acesso a seus dados. “Isso não vai ocorrer mais com a nova lei porque será preciso que o cliente dê um consentimento para cada uma das empresas. Havendo o desrespeito da lei, quem provê o Wi-Fi será responsabilizado e sofrerá sanções”, detalha Luz.
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Para empresas maiores, eventuais vazamentos tendem a causar um dano à reputação muito grande, superior às multas estipuladas na lei, que podem chegar a R$ 50 milhões por infração. Mas, segundo Luz, a nova lei, que pode parecer um pesadelo para o varejista à primeira vista, será uma aliada na criação de um novo elo de confiança entre empresas e consumidores. “Os clientes vão se sentir mais protegidos para passar mais informações às empresas. Isso vai causar um efeito positivo na relação do varejo com seus clientes e, portanto, aos negócios do setor de maneira geral”, conclui o executivo.
Arte: Fernanda Pelinzon / Grupo Padrão





