Não é novidade que a busca por emprego tem sido ainda mais acirrada diante das dificuldades trazidas pela pandemia do novo coronavírus. De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada na última sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desocupação do país no 2º trimestre de 2020 foi de 13,3%, aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao 1º trimestre de 2020 (12,2%). Sendo assim, buscar recolocação profissional torna-se uma atividade ainda mais complexa. Como se destacar no mercado de trabalho?
Segundo Rebeca Toyama, especialista em estratégia de carreira e educação corporativa, para obter êxito na busca por emprego a palavra chave é estratégia. “Gestão de carreira não é jogo de truco, não se ganha no grito. É preciso planejar, traçar estratégias e entender que muitas vezes o processo demanda tempo”, explica a especialista. Confira algumas dicas:
Autoconhecimento
Segundo Rebeca, antes de tudo é necessário fazer um exercício de autoconhecimento, isto é, compreender quais são suas habilidades e vocações e elaborar um inventário.
“No inventário você vai elucidar suas melhores características e qualidades. Adicione o que você já aprendeu ao longo da vida, os resultados que já entregou, suas qualidades, suas competências. É importante fazer este inventário para que você esteja preparado para fazer um bom currículo e, quando chegar a hora da entrevista, conseguir mostrar clareza para o recrutador ou gestor da vaga”, explica.
De acordo com a especialista, se as pessoas não souberem quem elas são, seus propósitos, valores e talentos, vão continuar não conseguindo a vaga ideal ou se encaixando em cargos que não gostariam de exercer.
A maratona
Feito o inventário, começa a maratona, e, a primeira volta, segundo Rebeca, é atualizar e alinhar todas as suas informações – e isso não diz respeito apenas ao currículo.
“Além do currículo, elabore uma carta de apresentação, alinhe todas as suas redes sociais, atualize o LinkedIn para facilitar a procura dos recrutadores. Hoje, muitas vezes o recrutador entra nas suas redes sociais para ver como é sua forma de se relacionar, suas opiniões, até mesmo seus posicionamentos políticos e sociais. O currículo profissional deixou de ser sua única fonte de informação”, afirma.
“Imagina um personal trainer; ele vai te dar uma série de atividades para desenvolver sua musculatura física. Aqui, estamos falando de musculatura de carreira. É uma maratona, que deve ser percorrida com base em uma estratégia. Então você, por um tempo, vai ter uma série de ‘exercícios’: procurar vagas, entrar em grupos de discussão, fazer os treinamentos, falar com 5 pessoas novas por dia. Passou 30 dias, vê os feedbacks, analisa onde pode ter errado, se deve mexer no curriculum, renovar o LinkedIn. Tudo tem uma metodologia.”
A importância do networking
Atualmente, o processo de buscar uma vaga é muito mais dinâmico e plural. O velho método de abrir o caderno de empregos ou o site de vagas, geralmente não é suficiente; enquanto isso, estabelecer contatos e criar vínculos vem ganhando importância em um mundo cada vez mais fluído. Segundo Rebeca, seja para conseguir recolocação ou não, o ideal é cultivar a rede de contatos com consistência.
“Cada vez mais o sucesso cresce entre pessoas que estabelecem um bom networking. A criação desta “teia” de contatos, começa desde o contato com amigos e parentes, até conversas com ex-colegas de equipe, colegas de escola, de graduação… A ideia não é pedir emprego, mas as pessoas saberem que você existe, que você é bom em determinado tipo de atividade, que está buscando emprego, que tem tal experiência. Transição de carreira é jogo de xadrez, ganha quem tem estratégia”, pontua.
Habilidades mais buscadas
A especialista em estratégia de carreira traz as 10 habilidades e qualificações do futuro. São elas: inteligência emocional, pensamento crítico, habilidades em tecnologia, adaptação e flexibilidade, criatividade, habilidade de liderança, julgamento e tomada de decisão, colaboração, capacidade de analisar dados e inteligência cultural e diversidade.
No entanto, pontua a especialista, não se trata de uma receita pronta. “Existe um mito das habilidades ideais. Todas as citadas acima são importantíssimas, mas o ideal é adequar suas habilidades ao que demanda a vaga. Por exemplo, imagine uma vaga de controlador. É um campo em que a pessoa precisa ter concentração, acurácia nos dados. Já em uma vaga comercial, o mais importante é a facilidade de relacionamento que a pessoa desenvolve. Então, para obter êxito tanto na busca, quanto na manutenção do emprego, é preciso que nos coloquemos em um lugar onde vamos entregar resultado de qualidade. Do contrário, daqui um ou dois anos a pessoa estará infeliz, e o resultado pode até ser entregue, mas com muito sacrifício.”
“A gente observa isso pelas taxas de burnout, síndrome do pânico, ansiedade, isso muitas vezes acontece entre pessoas que não conseguem lidar com o trabalho que exercem, mas acabam exercendo, geralmente pelo lado financeiro.”
Hard Skills/Soft Skills
De acordo com a especialista em estratégia de carreira, é essencial calibrar o conhecimento técnico e o prático. “É o que chamamos de hard skills e soft skills. Hard skills são questões técnicas, mercadológicas. Já as Soft skills dizem respeito às nossas valências para performar essas habilidades. Muitas vezes a pessoa tem muita carga de conhecimento técnico, mas pouca habilidade. Ou o contrário, a pessoa é bastante desenvolta, consegue se adequar, aprender rápido, mas tem pouco conhecimento técnico, que muitas vezes é necessário. Essa calibragem destaca o profissional”, define.
Mercado do futuro
O mercado passa constantemente por transformações; com o passar dos anos, novas habilidades serão inseridas, outras excluídas, assim como algumas profissões que já existiram e hoje estão extintas. Segundo Rebeca Toyama, a tecnologia vai continuar ganhando um espaço gigante no mercado de trabalho.
“São tendências que a pandemia veio para acelerar. É preciso estar atento e, para os mais novos, dar preferência por atividades que não serão, em um futuro próximo, substituídas pela inteligência artificial. Minhas apostas são para o setor comercial e tecnológico. O setor comercial ainda tem e vai continuar tendo muitas oportunidades. Já as carreiras na área da tecnologia são o futuro do mercado. Principalmente aquelas que necessitam de uma junção entre o ser humano e a máquina, como biogenética, biotecnologia”, finaliza.
+ NOTÍCIAS
Vida pessoal x vida profissional: como separá-las no home office?
Qual será o futuro dos imóveis corporativos? Coworking aparece como boa alternativa
Brasileiro já está se preparando para a Black Friday 2020