O Dicionário de Cambridge elegeu “Parassocial” como Palavra de 2025. O termo descreve a relação em que alguém sente intimidade com uma celebridade, personagem fictício ou até uma Inteligência Artificial. Isso mesmo sem qualquer vínculo real com essa “pessoa”.
Na definição oficial, parassocial é a conexão que alguém sente com uma pessoa famosa que não conhece, com personagens de livros, filmes e séries ou com um chatbot usado como confidente. O termo surgiu em 1956, quando os sociólogos Donald Horton e Richard Wohl observaram que espectadores tratavam figuras da televisão quase como amigos próximos. Ficou décadas restrito à academia, até que as redes sociais transformaram essa sensação de proximidade em rotina de timeline.
“É interessante do ponto de vista linguístico, porque o termo fez a transição de um conceito acadêmico para algo usado por pessoas comuns em seus posts nas redes sociais”, conta Colin McIntosh, editor-chefe do Dicionário de Cambridge.
“Parassocial” em evidência
Os dados do próprio Cambridge mostram o quanto o tema virou assunto de massa – e por que “parassocial” foi escolhida como palavra do ano. As buscas dispararam em momentos específicos.
Um deles foi o anúncio de noivado de Taylor Swift com o jogador Travis Kelce. A novidade gerou enxurradas de posts de fãs questionando se não estavam sendo “parassociais demais” ao chorar, comemorar ou teorizar sobre a relação de um casal que nunca vão conhecer de fato. Outro pico veio quando o streamer IShowSpeed bloqueou uma fã que se dizia sua “parassocial número 1”, episódio que viralizou e acendeu o alerta sobre limites nesse tipo de vínculo.

Em 2025, a discussão ganhou outra camada com a popularização dos chatbots personalizados. Procuradores-gerais de 44 Estados americanos enviaram uma carta a empresas de IA alertando para os riscos de “relacionamentos parassociais com chatbots”, principalmente entre crianças e adolescentes.
Relações parassociais e seus riscos
Para especialistas como Simone Schnall, professora de psicologia social da Universidade de Cambridge, muitas pessoas já formam relações parassociais intensas com influenciadores e criadores de conteúdo. A ponto de desenvolverem lealdades extremas em conexões totalmente unilaterais. Quando esse comportamento se estende a sistemas de IA que podem responder 24 horas por dia, o debate sobre responsabilidade e limites deixa de ser só cultural e passa a ser regulatório.
Na outra ponta, o dicionário também destacou termos que dialogam com a era da Inteligência Artificial no consumo de conteúdo. “Slop” passou a ser usado para descrever o conteúdo de baixa qualidade gerado por IA que inunda o feed, enquanto “tradwife” ganhou espaço ao retratar a estética da “esposa tradicional”.
Juntos, esses verbetes ajudam a desenhar o retrato de 2025. Um ano em que celebridades, influenciadores e robôs dividem o mesmo palco emocional do público. Nele, entender o que é parassocial deixa de ser academicismo e vira questão de cidadania digital.





