O chamado “efeito Taylor Swift” vai muito além dos palcos. Seu fenômeno não se restringe à música: é também no consumo, no qual detona o setor de turismo, transporte, hospedagem e cultura, muitas vezes superando eventos esportivos de nível global. E seus reflexos ressoam de forma palpável por onde passa.
Como qualquer fenômeno, explicar Taylor Swift é quase impossível. Seu perfil no Instagram, conta com 281 milhões de seguidores, anunciou seu noivado com o jogador do Kansas City Chiefs, Travis Kelce, com quem mantém um relacionamento desde 2023. A novidade se espalhou no mundo, ocupando as manchetes dos principais veículos de comunicação.
Claro que esse não é simplesmente um anúncio. O fenômeno Swift, de 35 anos, deve lançar seu 12º álbum, The life of a showgirl, o primeiro desde readquiriu seus direitos autorais dos seis primeiros álbuns, em maio. Os fãs já estão em frenesi e, agora, com mais expectativas de novas músicas. Não é preciso uma bola de cristal para saber que o lançamento será um sucesso.
Impacto econômico global
Swiftonomics refere-se à influência econômica da musicista Taylor Swift. Nos Estados Unidos, a Eras Tour, que se encerrou em 2024, foi uma das maiores bilheterias de todos os tempos, com nada menos que quatro avaliações cinco estrelas no The Guardian enquanto viajava pelo mundo. Responsável por aproximadamente US$ 2 bilhões em gastos diretos dos consumidores, com estimativas totais (incluindo efeitos multiplicadores) chegando a US$ 12 bilhões.
Cada fã que viajou para os shows gastou, em média, US$ 1.300, incluindo ingressos, hospedagem, alimentação, transporte e merchandising, com 71% dizendo que valeu a pena porque a experiência foi muito gratificante e 91% dizendo que iriam novamente, segundo uma pesquisa do QuestionPro.
Alguns trechos da turnê geraram receitas comparáveis (ou superiores) às de grandes eventos esportivos. Por exemplo, o show de abertura faturou mais que o Super Bowl LVII no mesmo estádio.
Instituições econômicas como o Federal Reserve de Filadélfia chegam a citar a turnê como um reforço na recuperação do setor de turismo.
No Brasil, os ingressos para os shows esgotaram em menos de uma hora e, ao todo, mais de 370 mil pessoas assistiram às apresentações da cantora no País. A empresa que organizou a turnê no Brasil teve um aumento de 93,2% nos lucros e o preço de suas ações subiu 74% após a primeira semana de venda de ingressos.
Hotéis e hospitalidade
O “Efeito Taylor Swift”: assim ficou conhecido por especialistas de viagem, considerado um “fenômeno da hospitalidade”. Para se ter uma ideia, Pittsburgh, que recebeu dois shows, registrou o maior índice de ocupação em hotéis desde a pandemia e o segundo maior de sua história.
Dados da STR indicam picos dramáticos nos mercados de hospedagem, ocupação acima de 96% em noites de concerto e tarifas diárias que chegaram a crescer em até 300%.
Além disso, o estudo da Aberdeen Investments estima que a turnê gerou US$ 208 milhões em receita de hospedagem nos EUA. Cidades como Houston, Tampa, Nashville e Nova Orleans registraram suas semanas com maior receita hoteleira desde o período pré-pandemia.
Já na vinda da estrela para o Brasil, o Rio de Janeiro contou com mais de 97% da ocupação dos hotéis da cidade, segundo a Associação de Hotéis do Estado do Rio de Janeiro. Em São Paulo, a São Paulo Turismo (SPTuris), empresa oficial de turismo e eventos da cidade, estima que a atração movimentou cerca de R$ 240 milhões na economia local, trazendo mais de 50 mil turistas, que fizeram pelo menos metade deste valor circular pela cidade.
Mobilidade e apps de transporte
Para entender exatamente o que acontece quando Taylor chega à cidade, a Lyft conduziu um estudo nas 23 cidades dos EUA onde a cantora se apresentou em 2023 e 2024. A principal descoberta: quando uma cidade sediou um show da turnê Eras, o número total de corridas Lyft aumentou, em média, 8,2%.
Esse efeito foi particularmente marcante em Nova Orleans, que apresentou um aumento de 31% nas corridas no fim de semana em que a cantora se apresentou. Nashville teve um aumento de 24% (o que não é muito surpreendente, dadas as raízes de Swift na cidade).
Impacto cultural
O filme Taylor Swift: The Eras Tour mostra o show completo da cantora pop em sua atual turnê. A produção bateu o recorde mundial de bilheteria para a categoria, segundo o Guinness World Records.
O filme acumulou uma bilheteria mundial de mais de US$ 246.365.022 (mais de R$ 1,2 bilhão) até 23 de novembro, de acordo com dados do The Numbers, site que mostra as bilheterias da indústria cinematográfica. O valor é maior do que o arrecadado por qualquer outro filme que mostre o show de um artista ou banda.
Assim, o noivado não é apenas um noivado. Mas, sim, uma alavanca para o consumo. Ao anunciar o título do seu novo álbum em uma livestream ao lado do, agora, noivo, marcas passaram a refletir a paleta de cores da capa em seus conteúdos nas redes sociais. Aliando-se à marca pessoal de Taylor Swift, essas empresas surfam numa onda que não dá sinais de parar. É o caso da Reese’s, marca de chocolate que criou publicações refletindo o noivado da cantora. Já a Panera Bread criou uma peça com trocadilhos de letras e memes de Swift.
Não é difícil imaginar que cada vez mais marcas buscarão se associar a Taylor Swift, ainda mais conforme a data do casório se aproxima. Afinal, mais do que uma artista, ela representa um estilo de vida difícil de traduzir – a não ser para os Swifties.
*Foto: Brian Friedman / Shutterstock.com.





