Fintechs desafiam e enfrentam desafios. Diferentes regulações, licenciamentos, a competição das empresas incumbentes, a velocidade de criação de competidoras. Ao mesmo tempo, representam uma bem-vinda onda de inovação e novos olhares sobre como oferecer novos e melhores serviços para consumidores.
Cristopher Oster, CEO da Clark, David Klein, CEO da Commonbond, Emmanuel Schapiro, CEO da Dashlane, Marcus Swanepoel, CEO da Luno e Ritu Marya, editor-chefe da Entrepreuner.com conversaram sobre a grande onda que impulsiona a criação de fintechs no mundo inteiro.
David, da Commonbond, destaca que o mercado no qual sua fintech atua tem potencial de US$1,3 trilhão do valor dos créditos educacionais contratados pelos estudantes universitários nos EUA. Esse é o volume de recursos envolvidos em empréstimos educacionais. O custo desse débito é incrivelmente complexo e representa um problema de alto risco. A solução mais consistente, segundo o CEO está no âmbito das fintechs. Esse é o propósito da Coommonbond. A Dashlane, por sua vez, atua em um nicho ignorado. Contas pouco movimentadas ou esquecidas, que podem ser recuperadas com segurança. O mercado americano tem muitos “esqueletos financeiros” originados na crise de 2008. Os clientes de instituições que sucumbiram à crise muitas vezes acessam essas contas para verificar saldos e recursos disponíveis e tornam-se vulneráveis a ataques diversos, já que os sistemas de segurança estão simplesmente obsoletos.
O mercado bancário é hoje hiper-regulado, o que o torna complexo para criar competidores diretos. “Há regulação demais em setores financeiros e falta de regulação significativa em outros. Isso acaba desbalanceando as regras de jogo e torna vulnerável, particularmente no mercado americano, a atuação das fintechs. Marcus Swanepoel, da Luno, que trabalha com criptomoedas, destaca as dificuldades de compreensão das autoridades monetárias e do sistema monetário convencional em estabelecer a convivência entre bancos convencionais e empresas que trabalham com esses novos padrões monetários. A Clark, uma insurtech, atua em um dos segmentos mais regulados do mundo. Sua plataforma é baseada em um robô-conselheiro que oferece uma série de seguros customizáveis pelos usuários.
Em todos os negócios, o crescimento é veloz, com investimentos que procuram criar bases de clientes no menor tempo possível. Crédito educativo, seguros, criptomoedas, e até a gestão de contas bancárias antigas e em desuso mostram como o cenário de fintechs está empenhado em “desmembrar” cada serviço financeiro disponível nas instituições bancárias regulares em negócios independentes.
Isso pressupõe novas formas e caminhos que facilitem o acesso de pessoas a empresas a serviços financeiros, com jornadas mais seguras e confiáveis, além de melhores experiências. Estamos vivendo o início de uma era de fragmentação dos bancos e das grandes instituições financeiras em diversos negócios altamente especializados, com abordagens radicalmente personalizadas que irão desconstruir o padrão de serviços conhecidos?





