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Como a América Latina transformou a infraestrutura de pagamentos em motor de competitividade

Como a América Latina transformou a infraestrutura de pagamentos em motor de competitividade

Money20/20 mostra como o Pix, as stablecoins e o Open Finance tornaram o continente um laboratório global de confiança e inclusão financeira.
Money20/20 mostra como o Pix, as stablecoins e o Open Finance tornaram o continente um laboratório global de confiança e inclusão financeira.
Foto: Jacques Meir/Consumidor Moderno.
A América Latina transformou escassez em motor de inovação financeira, criando sistemas como o Pix e as stablecoins, que tornaram os pagamentos instantâneos, acessíveis e inclusivos. A região agora compete por fluidez e simplicidade, unindo bancos centrais e fintechs em torno da eficiência como motor de inclusão. O modelo latino-americano virou referência global ao provar que transparência e interoperabilidade impulsionam produtividade e crescimento econômico.

Durante décadas, o sistema financeiro global associou inovação a poder econômico. Mas a América Latina está provando que escassez e disciplina podem ser um terreno muito mais fértil para a inovação sistêmica.

Enquanto boa parte do mundo ainda discute como modernizar transferências bancárias, o continente consolidou uma arquitetura digital de pagamentos instantânea, inclusiva e de baixo custo, capaz de inspirar o planeta.

Nos painéis From Chat to Cash e Beyond Borders, realizados no Money20/20, executivos de diversas companhias brasileiras, colombianas e mexicanas mostraram que o que está acontecendo na região vai além da tecnologia. É uma mudança de mentalidade sobre o papel da confiança e da eficiência econômica.

Experiência como infraestrutura

As stablecoins e o Pix representam mais do que meios de pagamento: são plataformas de fluidez econômica. A primeira rompeu fronteiras; o segundo dissolveu fricções e tornou simples, intuitivo e democrático o uso do dinheiro.

Quando uma transação pode começar com uma mensagem de voz e terminar em um saldo confirmado em segundos, a conversão do dinheiro em tempo é revertida para a produção, o lazer ou a carreira.

Empresas como a FelixPago, do México, demonstram que o sistema financeiro pode ser conversacional, emocional e humano. Isso sem abrir mão de compliance e segurança. Ao mesmo tempo, soluções como a PixNow mostram que o Pix já evolui para corredores internacionais de liquidação. Replicando, assim, a lógica de chaves e pools de liquidez em países vizinhos. “Cada país tem seus desafios. Mas o princípio é o mesmo: interoperabilidade e confiança em tempo real”, explicou Juan Pablo Ortega, da Yuno, fintech colombiana.

A experiência virou a nova infraestrutura: o cliente não vê blockchain, APIs ou liquidez. Apenas sabe que o dinheiro vai da conta “A” para a conta “B”, sem sobressaltos, como uma mensagem de WhatsApp. Ele vê previsibilidade. Esse movimento redefine o papel das instituições financeiras públicas e privadas.

Um dos pontos mais controversos dos debates foi a tese de que os players do mercado financeiro não competem mais ofertando menores tarifas. Isso significa que bancos, fintechs e reguladores competem agora por fluidez e simplicidade. E é nesse ponto que a América Latina, historicamente marcada pela ineficiência burocrática, encontrou sua força: no pragmatismo e no profissionalismo técnico de quem entendeu que a inclusão não é um programa social, é um modelo econômico.

Inclusão que gera escala

O que emerge dessa transformação é um novo pacto de competitividade regional, sustentado por instituições sólidas e mercado dinâmico.

A lição do Pix e das stablecoins não está apenas em permitir transferências mais rápidas, mas em democratizar o acesso a ferramentas financeiras sofisticadas a custo marginal. Milhões de micro e pequenos empreendedores passaram a vender, receber e reinvestir digitalmente, eliminando barreiras e criando novos circuitos produtivos. Sim, existem os riscos derivados da insegurança generalizada que domina o continente. Mas esse não é um problema da tecnologia, e sim da incompetência das estruturas de estado em garantir a tranquilidade dos cidadãos.

A essência dessa transformação, que embarca a “formalização financeira digital da população”, é que essa nova liquidez transacional aumenta a produtividade das economias locais e acelera o crescimento de negócios que antes operavam à margem do sistema. É uma transformação que une o pragmatismo técnico dos bancos centrais à ousadia empreendedora das fintechs. Um modelo em que profissionalismo regulatório e agilidade de mercado convergem em torno da mesma lógica: eficiência como vetor de inclusão.

Ou, como afirmou Ralf Germer, da PagBrasil: “O Pix é como água e eletricidade, um infraestrutura básica e soberana”. Sua parceria com a Verifone, que leva o Pix ao varejo norte-americano, mostra que a inovação latino-americana é exportável. E que a região deixou de ser laboratório de teste para se tornar referência global em pagamentos digitais. Uma prova de competência tecnológica e capacidade de execução. Por incrível que pareça, a escassez e a renda limitada da região fizeram da América Latina o continente que levou a inovação financeira a um nível inesperado, sem depender de subsídios.

Durante o Money20/20, o interesse pelas inovações do continente deixaram uma lição muito clara: quanto mais transparente o sistema, mais produtiva a economia. Talvez este seja um dos segredos para a persistência do crescimento brasileiro, à parte a vocação do atual governo em gastar compulsivamente. Os pagamentos digitais agregaram eficiência econômica em escala instantânea. E quanto mais instantâneo o dinheiro, mais longo o futuro dos negócios.

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