A disputa que opõe OpenAI, Elon Musk e agora a Meta ganhou um novo capítulo. O embate não se limita à oferta rejeitada pelo fabricante do ChatGPT: ele expõe a corrida acirrada entre gigantes da tecnologia para dominar a Inteligência Artificial.
No pano de fundo da briga está Musk, cofundador e investidor inicial da OpenAI, que processa a companhia alegando que sua transformação em corporação de benefício público – estrutura que permite captar investimentos e viabilizar um IPO – “vai contra a missão original da startup”.
IPO, ou Oferta Pública Inicial, é o processo pelo qual uma empresa abre seu capital na bolsa de valores, permitindo que investidores comprem suas ações pela primeira vez.
Esse movimento abre espaço para novos aportes e investidores estratégicos, tornando a OpenAI mais robusta em um cenário onde cada avanço tecnológico conta. E, enquanto a empresa estrutura esse caminho para ganhar escala, a Meta acelera sua própria corrida no setor, tentando reduzir a distância para modelos como GPT-4 e seus sucessores.
O que pede a OpenAI
No centro da disputa judicial, advogados da OpenAI solicitaram que a Meta entregue documentos que possam comprovar planos “coordenados com Elon Musk e a xAI (startup de IA fundada por Musk em 2023)” para adquirir ou investir na empresa.
Segundo registros processuais, a Meta foi intimada em junho a apresentar informações relacionadas à oferta não solicitada de US$ 97 bilhões, feita por Musk em fevereiro para assumir o controle da OpenAI – proposta rejeitada pela startup.
Ainda não está claro se esses documentos existem.
Conversas entre Musk e Zuckerberg
A OpenAI afirma que “Musk procurou o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, em investida que buscou levar uma oferta da xAI para comprar o fabricante do ChatGPT, incluindo possíveis acordos de financiamento ou investimentos”.
A Meta se opôs à intimação em julho. Agora, a OpenAI pede uma ordem judicial para obrigar a entrega das evidências. O pedido também inclui “qualquer documento ou comunicação da Meta relacionada a reestruturações ou recapitalizações reais ou potenciais da OpenAI” – ponto central do processo movido por Musk.
Reação da Meta
Procurada, a Meta se limitou a indicar uma seção do processo, segundo a qual “nem a Meta nem Zuckerberg assinaram a carta de intenção de Musk”. A OpenAI e a defesa de Musk não responderam aos pedidos de posicionamento.
A corrida pela liderança em IA
Além da disputa judicial, há um contexto estratégico em evolução: em 2023, documentos judiciais revelaram que a Meta ficou “obcecada” em desenvolver um modelo capaz de superar o GPT-4. Apesar disso, no início de 2025, seus sistemas ainda estavam aquém do padrão do setor, cenário que teria “enfurecido Zuckerberg”.
Para reagir, a Meta contratou nomes de peso da OpenAI – entre eles Shengjia Zhao, hoje à frente do Meta Superintelligence Labs – e investiu US$ 14 bilhões na Scale AI, startup americana especializada em rotulagem de dados para treinar modelos de IA.
A Meta também manteve conversas com outros laboratórios de IA sobre possíveis aquisições.
Do embate à cooperação?
Embora não haja confirmação sobre o avanço das tratativas entre Musk e Zuckerberg, a possibilidade de aproximação entre dois bilionários que, há dois anos, chegaram a cogitar uma “luta na jaula” mostra como a corrida pela IA pode reconfigurar alianças e rivalidades no mundo tech.





