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O que empresas resilientes têm em comum?

O que empresas resilientes têm em comum?

Encontrar o equilíbrio entre melhoria da margem, crescimento de receita e oportunidades de investimento é chave
Legenda da foto

As empresas resilientes são aquelas que estão preparadas para frequentes transformações e que demonstram desempenho consistente ao invés de resultados extremamente desproporcionais.

Em 2020, enquanto alguns negócios fechavam as portas devido à necessidade de rápidas adaptações e à crise sanitária global que se instaurava, outros enxergaram uma oportunidade de crescimento na pandemia.

Contudo, entre setembro e novembro de 2020 no Brasil, o desemprego chegou a 14,1%, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número atingiu o recorde histórico desse trimestre desde 2012, quando o estudo começou a ser feito.

Dados da pesquisa The Emerging Resilients: Achieving Escape Velocity, da empresa de consultoria empresarial norte-americana McKinsey & Company, mostram que o estrago feito ano passado é até quatro vezes pior que em 2008/2009.

Setores estabelecidos, como transporte, indústria farmacêutica, petróleo e gás dos Estados Unidos e da Europa, sentiram o baque e tiveram uma queda de receita de 25% a 45%. Daí a importância de ser uma empresa resiliente e capaz de realizar uma tomada de decisões estratégica e no timing correto.

Qual o cenário das empresas resilientes?

Para entender como as empresas resilientes estão agindo, primeiramente é necessário visualizar o contexto em que elas estão inseridas e como ele infere em sua atuação.

Por isso, o estudo da McKinsey & Company utilizou como mecanismo norteador o método Altman Z-Score, que mede as probabilidades de falência corporativa, em empresas que passaram pela crise de 2008/2009 e de 2020.

A equação trabalha com três variáveis (margens – medidas como lucros antes de juros e impostos/ativos, receitas – medidas pelas receitas/ativos, e opcionalidade – medidas pelos lucros/ativos retidos). Sua soma gera a pontuação Z.

O ideal é que esse resultado seja alto, e isso só é obtido se as margens e receitas aumentarem, enquanto a opcionalidade se mantiver estável. Também foi feita a divisão em três níveis de acordo com o índice Z: “boa posição”, “zona cinzenta” e “passando por estresse”.

Nesse caso, as disparidades encontradas pela pesquisa foram assustadoras: as pontuações revelaram que na crise financeira de 2008/2009, 30% das empresas mudaram para uma categoria de maior estresse, em comparação com onde estavam na pré-crise de 2007. Apenas 3% das empresas observadas melhoraram sua posição. Em comparação, em 2020, 25% das empresas mudaram para uma categoria de maior estresse e 3% melhoraram.

A dinâmica de 2008/2009 e 2020 difere em um aspecto gritante, pois, na última recessão, esse movimento ocorreu ao longo de 18 meses, enquanto na crise atual, a economia chegou ao mesmo patamar em três meses – seis vezes mais rápido.

As características dos líderes emergentes

2021 apresenta certos reflexos da turbulência que foi vivida no ano passado. Por isso, a liderança dentro das corporações e perante o mercado tem sido elemento visado por negócios que compreendem que mudanças são inevitáveis e, se feitas com cautela e técnicas adequadas, geram bons frutos.

As empresas resilientes de amanhã são mais prováveis ​​de serem aquelas que estão impulsionando o crescimento com valor agregado enquanto equilibra a opcionalidade, em vez daquelas que focam a maior parte de sua atenção na manutenção das margens operacionais, às custas de outras medidas proporcionais.

Desse modo, com base nos resultados das 20 organizações, dentre 1500, que melhor se saíram em estudo de Z-Score (escore padrão) da McKinsey &Company, confira as características que elas têm em comum e que as fizeram se destacar em comparação aos demais:

1. De olho nas margens

A lacuna nas margens entre os líderes resilientes e o resto do grupo é impressionante. O resiliente emergente típico em 2020 aumentou a margem de lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, sigla em inglês) em 5%, enquanto o resto perdeu 19% por esta medida, uma lacuna de quase 25%.

A diferença é muito maior do que a dos resilientes na última recessão. Isso sugere que os líderes de margem de hoje dominarão seus setores com mais firmeza ao sair desta crise.

2. Produza receita

Nota-se o impulsionamento de vantagem de margem principalmente por meio da receita, e não dos custos. A lacuna de receita entre os resilientes e o restante é de cerca de 16% neste ciclo, enquanto a lacuna era de 10% no último, em 2008/2009.

3. Tenha opções na manga

Os líderes resilientes – e as empresas em geral – parecem estar deixando mais opcionalidade na mesa hoje em comparação com o que aconteceu no último ciclo.

O crescimento dos lucros retidos para resilientes emergentes é de 11% hoje, ao passo que era de 30% na época da depressão recessiva de 2008/2009. Para não resilientes, a medição de opcionalidade é de 1% neste ciclo contra 6% no último.

Leia também: Os ensinamentos da pandemia sobre posições de liderança 

O que acontece daqui para frente?

As empresas resilientes podem aguardar, até o fim do ano, um cenário de incertezas políticas, sociais e econômicas, uma vez que o vírus da Covid-19 ainda não foi controlado.

Aqueles que souberem enxergar tendências positivas ou até mesmo o agravamento da crise, sairão em vantagem, pois conseguirão se preparar para o que os aguarda.

Investir em movimentos ousados ​​para impulsionar o rápido crescimento da receita, realocação de portfólio, fusões e aquisições para criação de valor e gastos com tecnologia renovados é uma alternativa.

Há também a experimentação de novos modelos pós-pandêmicos de operação, como plataformas digitais de compartilhamento de suportes e soluções para oferecer respostas rápidas ao mercado.

Em questão de semanas, as empresas em 2020 adaptaram sua forma de trabalho, implementaram home office, exercitaram novas habilidades e expandiram seu alcance e o relacionamento com o cliente.

Elas reconfiguraram as cadeias de suprimentos de ponta a ponta para gerar maior resiliência, definiram padrões mais elevados de inclusão, fornecendo uma posição de liderança muito necessária para fazer a mudança social acontecer por meio de uma melhor cidadania corporativa. Imagine o que 2021 pode reservar.


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