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O novo individualismo: uma forma diferente de olhar e entender a Geração Z

O novo individualismo: uma forma diferente de olhar e entender a Geração Z

Ao contrário de gerações anteriores, os jovens da Geração Z encaram o individualismo como forma de busca por autenticidade

É muito difícil, quase impossível, compreender a dinâmica da Geração Z a partir de uma visão geracional distinta. Os Zs ou Zoomers não se enquadram em definições simples e classificações fáceis. Jovens com acesso inédito a informações multifacetadas, volumosas, fragmentadas, este grupo deixou de lado convenções e abandonou princípios que acompanham gerações e gerações ao longo da história.

Família, filhos, casamento, gêneros definidos, formatos de trabalho, carreira, política, todas as convenções e elementos característicos das organizações sociais são questionado pelos Zoomers. Claro, falamos aqui de um recorte que não engloba ditaduras cruéis ou autocracias de corte profundamente religioso. Mas, considerando cerca de 70% dos países do mundo, mesmo autocracias com eleições e democracias fracas, os traços que identificam a Geração Z são razoavelmente presentes.

Eles são ansiosos, conectados, rápidos, impacientes e questionadores. Mas, substancialmente, são individualistas: não no sentido consagrado do termo, alusivo à acumulação incessante de capital e bens materiais, mas  no direito ao exercício de identidades. Estão buscando e construindo uma relação com a afirmação de uma nova identidade ou da capacidade de entender e se localizar em espaços próprios e territórios de informação diversos. O individualismo da Geração Z se dá na experimentação de identidades e uso de informação.


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Gêneros? Quem quer saber disso?

Um estudo de Shepherd Laughlin, realizado nos EUA, pela unidade da Wunderman Thompson Intelligence (2016), mostra claramente que estes jovens superaram a visão binária de sexualidade. Apenas 48% deles se declararam totalmente heterossexuais e um terço se enquadrando numa classificação de bissexualidade. Para eles, genérico não identifica uma pessoa, não a define. O Instituto AtlasIntel, em pesquisa recente, com 2 mil jovens brasileiros, constatou que 60% deles se assumem sem culpa, 53% não sofrem qualquer tipo de preconceito e 17% se declaram pan ou bissexuais.

Em outra frente, um estudo do Google, deste ano, mostra que 44% destes jovens exigem personalização no que compram e que a lealdade às marcas vincula-se mais à experiência de compra do que ao que a marca representa; 52% exigem consciência ambiental e 35% consideram fundamental “falar menos e agir mais”. Dados da Consumoteca corroboram essa perspectiva, mostrando que, para 57% demandam experiências personalizadas – mesmo percentual daqueles que declaram não reparar em marcas quando compram on-line.

A Geração Z é, substancialmente, individualista: não no sentido consagrado do termo,
alusivo à acumulação incessante de capital e bens materiais, mas no direito ao exercício de identidades
Jacques Meir

Clichês, estereótipos e uma visão binária da vida, com papéis bem definidos e uma jornada clássica – estudo, universidade, carreira, hierarquia, família, filhos, simplesmente não fazem sentido para este grupo. No novo individualismo, o fundamento, que já tinha ganho evidência na geração Millennial ou Y, é a preponderância do ser em relação ao ter. Para a Geração Z, assumir uma identidade muito própria, desvinculada de rótulos é a conquista mais importante. E dá-lhe experimentação.

Experimentar marcas, plataformas, redes sociais, atividades, carreiras em velocidade estonteante é típico. Porque a experimentação intensa permite refletir e dar base para a identidade do Zoomer. Ele quer explorar territórios de informação, possibilidades, sem sentir a culpa e a pressão que pessoas de outra geração sentiram em função da opção por uma carreira que “pagasse bem”. Ao tirar a ideia geral de posse e de acúmulo de bens da equação de vida, o jovem da Geração Z pode preocupar-se com quem é realmente e fazer tudo o que esteja em sintonia com essa identidade.

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Individualismo baseado no SER

E é importante entender que ser, nesse caso, tem relação com sentir-se autêntico. Nenhuma empresa, marca ou produto conseguirá muita conexão com esse pessoal sem mostrar aceitação e integração com a forma pela qual ele vê o mundo. O engajamento torna-se muito mais complexo, porque as demandas da Geração Z não são funcionais, mas inteiramente de autoexpressão. Por isso, paradoxalmente, o jovem Zoomer é caçador de ofertas: é melhor buscar preço em produtos que não representem autenticidade ou que o ajudem a ser/estar no mundo do que pagar caro por algo que não o identifique.

Estudo da OLX revela que apenas 42% dos jovens querem adquirir um carro próprio, mas, atenção: 55% estabeleceram um limite de preço de até R$ 35 mil por um carro. A ideia é simples: um carro que leve do Ponto A ao Ponto B, pode ser novo e não necessariamente  0km. Para isso, procuram diretamente nas plataformas digitais e evitam recorrer às concessionárias. No outro extremo, o apego a produtos de luxo tem vínculo com o exercício pleno da individualidade. Luxo é autêntico, legítimo e não esconde ou dissimula seu propósito.

O temor pelo desemprego é infinitamente menor do que o despertado em outras gerações.
Dominando as plataformas digitais e com habilidades no manejo da internet, um Z de formação razoável dificilmente fica sem trabalho. Mas não peça a ele fidelidade, acene com plano de carreira ou benefícios
Jacques Meir

No trabalho, contratar um colaborador da Geração Z é ter em mente que não conceder espaço para a individualidade significa dar a ele a sensação de perda de tempo. Novamente, é ser em contraposição a ter. Nesse sentido, empresas que não permitem a esses jovens o exercício de entender e exercer a própria individualidade, testando possibilidades e permitindo dar vazão ao individualismo peculiar, assistirão a um turnover intenso. Em 2022, o desligamento voluntário, na faixa de 18 a 24 anos, segundo levantamento da consultoria LCA, chegou a 39%, ou quase 6 milhões de jovens.

Fit cultural é isso aí. O temor pelo desemprego é infinitamente menor do que o despertado em outras gerações. Dominando as plataformas digitais e com habilidades no manejo da internet, um Z de formação razoável dificilmente fica sem trabalho. Mas não peça a ele fidelidade, acene com plano de carreira ou benefícios. Reitere-se: SER, não TER. Logo, evocar espírito de dono, jargão tão comum há alguns anos, é mais uma das convenções que são refutadas.

As consequências novo individualismo ainda precisam ser melhor compreendidas. É necessário obter mais dados, buscar mais pesquisas e estruturar modelos que permitam uma compreensão melhor dos efeitos e das correlações da postura dos Zoomers diante da sociedade, da vida pessoal, da carreira e de sua forma de consumir. De todo modo, várias condições já estão dadas: identidades independentes, trabalho mais remoto e voltar a alinhamento de valores e exercício de identidade, exploração de novos territórios de informação e atuação política em forma de redes orquestradas, com pendor para ações de narcisismo digital. Aqui, e também no consumo, a Geração Z busca autoexpressão na forma de câmaras de eco e difusão acelerada de ideias.

Acompanhar os desdobramentos do novo individualismo, tendência que estudamos há algum tempo, permite às organizações sociais, empresas e lideranças a aprimorar estratégias no sentido de estabelecer um contato minimamente qualificado com os Zoomers e se preparar para a chegada dos Alphas, a geração subsequente. Se os Zoomers são nativos digitais, os Alphas são nativos da IA. Ou seja, os consumidores estão assumindo comportamentos mais disruptivos a cada novo dia.


A Geração Z em dados…

  • Em 2016, 48% dos jovens norte-americanos se autodeclaravam totalmente heterossexuais; 1/3 se enquadravam em uma classificação de bissexualidade (Wunderman Thompson Intelligence)
  • 60% dos jovens brasileiros assumem a própria sexualidade sem culpa; 53% não sofrem qualquer tipo de preconceito; 17% se autodeclaram pan ou bissexuais (Instituto AtlasIntel)
  • 44% dos jovens exigem personalização no que compram; e afirmam que a lealdade às marcas está mais vinculada à experiência de compra do que ao que a marca representa; 52% exigem consciência ambiental das marcas; 35% consideram fundamental “falar menos e agir mais” (Google);
  • 57% demandam experiências personalizadas – mesmo percentual daqueles que declaram não reparar em marcas quando compram on-line (Consumoteca)
  • 42% dos jovens querem adquirir um carro próprio, mas, 55% estabeleceram o limite de preço de até R$ 35 mil para essa aquisição (OLX)
  • Em 2022, o desligamento voluntário entre jovens de 18 a 24 anos chegou a 39% ou quase 6 milhões de jovens (Consultoria LCA)


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